O Parque Ecológico Rodolfo Rieger (Lago Municipal) é um dos principais points de Marechal Cândido Rondon. O local é destino certo, especialmente nos fins de semana, tanto para quem deseja se exercitar quanto para quem prefere simplesmente apreciar a natureza ou curtir momentos em família.
Mas o Lago Municipal não é frequentado somente por rondonenses e visitantes. Serve de habitat para diversos animaizinhos: capivaras, ratões-do-banhado, patos, marrecos, gansos, quero-queros, garças, corujas e lagartos. Também as águas fervilham de vida, sendo casa de pintados, carpas, pacus, lambaris e tilápias.
Conforme o médico veterinário da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Sustentável, Fernando Marques Salles, não há dados sobre quantos animais existem no Lago. “A maior parte são animais de vida livre, que acabaram ‘aparecendo’ e escolheram morar lá”, expõe.
Apesar de não haver um número exato de animais, o secretário da pasta, Adriano Backes, considera que o número é expressivo o suficiente para dar um “up” na paisagem do local. “Eles deixam o ambiente mais agradável e com sinal de vida. É bonito e o espaço consegue abrigar a quantidade de animais que lá está”, considera.

Espaço suficiente
Em Toledo e Cascavel por vezes a ocupação de animais silvestres em parques gerou conflitos, principalmente com relação às capivaras. Por aqui, no entanto, a ocupação dos animais no local não tem causado problemas, de modo que ainda não há acompanhamento da reprodução dos bichinhos que lá vivem, salienta Backes.
Ele ressalta que a maioria dos animais estão de passagem. “Eles vêm e voltam através do riacho que interliga (o Lago) com o Arroio Fundo. Esse trânsito faz com que o número de animais não cresça, tanto que o número de animais se manteve estável nos últimos quatro ou cinco anos. Não temos nenhum estudo formado em cima disso e nem acompanhamento em particular, mas com certeza teremos que fazer algo em longo prazo”, menciona.
Qualquer interferência na fauna silvestre precisa ser amparada por um projeto aprovado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), aponta Salles, salientando que nada do tipo foi feito ou está sendo desenvolvido em Marechal Rondon.
Interação
De acordo com o dirigente da pasta, alguns rondonenses, chamados de “amigos do Lago”, costumam comprar ração e milho para serem estocados no QG do parque e servir como trato para os animais que estão por lá. “Virou até um hobby. Todos os dias eles vão lá tratar, fazem uma caminhada e já interagem com os animais. É uma coisa gostosa”, pontua, lembrando que diversas famílias também se divertem alimentando os bichinhos.
Salles diz que os animais presentes no Lago acabam se habituando à presença dos visitantes. “Essa convivência parece não gerar estresse a eles. Como são animais de vida livre, acabam se adaptando ao ambiente, conhecendo os riscos e aprendendo a evitar o que causa incômodo”, aponta.

Transmissão de doenças
O médico veterinário frisa que não é recomendado que os visitantes façam contato físico com os animais. “O comportamento deles é imprevisível e esse cuidado evita acidentes, lesões de ambos os lados ou até mesmo a transmissão de doenças”, ressalta.
O termo zoonose refere-se à transmissão de doenças dos animais para os humanos e é um fenômeno natural. “A maioria dos agentes causadores de zoonoses pode estar presente nos animais silvestres e a proximidade do homem possibilita o surgimento de doenças em ambos os lados, portanto existe essa possibilidade de transmissão. Todavia, não há relatos de que já tenha havido essa transmissão aos visitantes do Lago Municipal”, frisa.

Projeto de revitalização deve ser apresentado nos próximos dias, diz secretário
Barrancos caindo, trapiche interditado, calçadas que acumulam água e pontos que geram obstáculos aos rondonenses que usufruem o espaço de lazer. Backes menciona que a municipalidade reconhece os problemas existentes no Lago Municipal, assim como seus usuários, e já trabalha para dar uma cara nova ao parque.
“Não adianta fazer investimentos pequenos para daqui a pouco vir o investimento grande e a gente jogar o dinheiro fora. Então, junto com o prefeito Marcio Rauber e o vice Ila (Ilario Hofstaetter), conversamos sobre o futuro desse espaço e tão logo o Lago receberá uma revitalização completa com aquilo que ele merece, porque é o nosso cartão postal”, adianta, revelando que o projeto “está no forno”, mas deve sair em questão de dias: “É um projeto grandioso e vai ser um investimento bem alto”.
Em matéria do O Presente produzida há dois anos, mencionou-se que a revitalização deve contemplar a reforma da pista de caminhada, com elevação de 20 centímetros aproximadamente, bem como a instalação de luzes em LED, reforma do píer e banheiros, que são ligados a fossas sépticas. De acordo com Backes, a revitalização dará um norte para o manejo dos animais que atualmente vivem no Lago Municipal.



O Presente