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Apesar de não sair da pauta, plano de arborização segue estagnado em Marechal Rondon

calendar_month 12 de novembro de 2021
12 min de leitura

Marechal Cândido Rondon é um município bastante arborizado. Tanto nas principais avenidas quanto em bairros tradicionais e novos, árvores adultas e recém-plantadas contribuem para esverdear a área urbana.

Cerca de 87% das vias públicas rondonenses são arborizadas, conforme o Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual supera índices de cidades como Toledo (80%) e Santa Helena (86%), mas fica atrás de municípios como Cascavel (95%), Pato Bragado (97%), Quatro Pontes (95%), Entre Rios do Oeste (96%), Mercedes (91%) e Nova Santa Rosa (88%).

Cerca de 87% das vias públicas de Marechal Rondon são arborizadas, conforme o último Censo Demográfico do IBGE (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Comprometimento verde

Na avaliação do engenheiro ambiental da prefeitura, Marcos José Chaves, a população rondonense é comprometida com a arborização do município. “Como moramos em uma cidade onde o verão é intenso, a maioria das pessoas gostam do município bem arborizado e de ter uma sombra à disposição para sentar-se ao fim da tarde e nos fins de semana”, declarou ao O Presente.

Mesmo sendo motivações louváveis, ele frisa que os benefícios da arborização vão além da regulação da temperatura. “As áreas verdes urbanas geram mais qualidade de vida aos cidadãos, maior biodiversidade e infiltração de água no solo, diminuição de problemas com erosão, purificação do ar, incremento de matéria orgânica no solo e favorecem a estética dos centros urbanos. Também atuam como barreiras físicas contra o vento em situações de tempestades”, destaca.

 

Hábito positivo

O presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA), Geovani Inácio Bard, endossa as palavras de Chaves e afirma que o rondonense tem “hábito” de plantar árvores frutíferas ou de grande porte em passeios públicos. “O que mais preocupa é o corte e a poda desordenada de árvores, pois essas atitudes acabam estragando o planejamento de certas regiões”, pontua.

 

Árvores mais populares

Há uma boa variedade de árvores presentes na malha urbana de Marechal Rondon, indica Chaves. “A que mais chama a atenção é a frondosa sibipiruna, presente na Avenida Maripá, e os ipês das mais variadas cores que embelezam, principalmente, as avenidas Rio Grande do Sul e Otto Grings. Também se destacam a pata-de-vaca e a tipuana como espécies características em alguns pontos da cidade”, detalha.

 

Idade de árvores não é risco

O engenheiro ambiental diz que a arborização não é estática, mas, sim, cíclica. O caráter “passageiro” das plantas torna o plantio de novas árvores constantemente necessário devido à retirada de árvores condenadas. “Mantém-se um equilíbrio, assim como tudo na vida. Algumas espécies levam até 15 anos para chegar à fase adulta e, por esse motivo, o simples plantio de outra muda no lugar não substitui a árvore retirada”, observa.

A idade, contudo, não é uma característica determinante para a remoção das plantas. “As pessoas justificam a retirada de uma árvore de 30 ou 40 anos pela idade. Esse não é um argumento válido, porque, desde que bem conduzidas, é possível ter árvores centenárias em perfeito estado de conservação e cumprindo o seu papel ecológico sem riscos”, ressalta.

Recentemente, após avaliações fitossanitárias, algumas árvores adultas foram retiradas da Praça Willy Barth, ao que Chaves justifica pela ocorrência de tronco oco e risco de queda. “Ainda existem algumas árvores a serem retiradas na praça e em outros pontos da cidade, mas cada caso é avaliado in loco e sempre evitamos autorizar a retirada de árvores saudáveis e que não estejam em conflito com nenhum componente do meio urbano, como fiação, construção, calçadas, etc”, assegura.

 

Remoção de árvores

A poda ou remoção de árvores presentes em propriedades particulares são responsabilidade do proprietário, mas se forem espécies nativas é preciso uma autorização florestal do Instituto Água e Terra (IAT) do Paraná. Por outro lado, o manejo de árvores em área pública fica a cargo da municipalidade. “A média de pedidos de poda e retirada é superior a 300 por ano, sendo que cada pedido pode contemplar mais de um exemplar arbóreo e mais de um serviço. Até maio deste ano tínhamos aproximadamente 400 pedidos a serem executados”, informa.

De acordo com Chaves, 12 quesitos são avaliados no momento da vistoria, divididos em critérios paisagísticos, ecológicos, fitossanitários e de risco. “Quanto mais quesitos forem atendidos, maior a urgência, sendo essa solicitação colocada numa lista prioritária de execução. Não existe um prazo fixo para o serviço da poda ou retirada da árvore, porque, depois de tantos anos sem equipamento adequado, muitos pedidos acabaram se acumulando. Não é viável economicamente nem operacionalmente realizar os pedidos de acordo com a ordem cronológica de protocolo, ou seja, do mais antigo ao mais recente, visto que o caminhão pode perder mais tempo se deslocando do que realizando os serviços”, expõe, explicando que quando realizam podas em um local a equipe atende os pedidos daquela região.

Os trabalhos de poda avançam quando atendem aos critérios, porém o engenheiro ambiental reconhece que nem sempre a substituição das árvores acontece no mesmo ritmo. “Incentivamos os moradores a efetuar o plantio de novas mudas assim que fazem o pedido de retirada de uma árvore, mas muitos acabam não plantando”, lamenta, emendando que a Secretaria de Agricultura e Política Ambiental doa mudas de árvores produzidas no Horto Municipal.

 

Espécies indicadas

Questionado sobre a indicação de espécies para Marechal Rondon, ele afirma que as recomendações variam conforme o local de plantio. “Onde existe fiação e em calçadas recomendamos espécies de menor porte, como o oiti, brinco de índio, olho de dragão e até ipê. Temos visto muito o plantio de algumas árvores que possuem sistema radicular mais agressivo e que não são recomendadas para ambientes urbanos, como chapéu de couro e figueira chilena”, pontua.

Chaves menciona que o plantio de palmáceas, palmeiras e coqueiros na área das calçadas tem causado preocupação. “Essas espécies têm caráter paisagístico, mas não devem ser utilizadas, pois suas folhas entram em conflito com a fiação elétrica e, quando caem, podem causar danos a veículos e ferimentos em pedestres. Além disso, acabam não tendo muita relevância em relação à regulação de temperatura por não terem características frondosas”, frisa.

Compactação do solo, dimensões da cova, alinhamento e área livre de pavimentação devem ser observados para permitir o crescimento da raiz e do tronco da árvore, enfatiza o engenheiro ambiental.

Engenheiro ambiental da Secretaria de Agricultura e Política Ambiental, Marcos Chaves: “O plantio de árvores nem sempre acompanha o ritmo das remoções. Algumas espécies levam até 15 anos para chegar à fase adulta e, por esse motivo, o simples plantio de outra muda no lugar não substitui a árvore retirada” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Plano de arborização

Entre o percentual de arborização de Marechal Rondon, muitas árvores não são as mais indicadas para a área urbana e podem causar problemas. A substituição das mesmas, porém, depende de um plano de arborização que não tem evoluído na municipalidade, mas que “nunca sai de pauta”, nas palavras de Chaves.

Ele afirma que o plano seria um norte para os próximos passos do manejo da arborização urbana. “O momento de aprovação do novo Plano Diretor é oportuno para o debate. Será necessário muito estudo e participação da sociedade, pois cada árvore é um bem público para a atual e para as futuras gerações”, enaltece.

O presidente da CMMA reforça que o plano de arborização não faz parte da revisão do Plano Diretor, mas foi mencionado pela população nas reuniões. “O que se percebeu é a necessidade de criar um plano de arborização, talvez um modelo mais específico para a área central e outro para a região residencial”, opina.

 

Conselho de Meio Ambiente

Bard conta que, devido à pandemia, o Conselho Municipal de Meio Ambiente não teve muitas reuniões, mas retoma as atividades gradualmente. “Nos próximos meses queremos aumentar a participação de membros, serão enviados convites para grupos, entidades e clubes para indicarem um membro para a CMMA”, adianta.

Na opinião do rondonense, um debate aberto nem sempre agrada todos os lados, mas são iniciativas como as do conselho que se oportuniza espaço para ouvir propostas. “Se houver interesse, o cidadão pode fazer parte do grupo. Discutimos diversos tópicos que relacionam leis de coleta de lixo, recicláveis e também arborização de Marechal Rondon”, finaliza.

Presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Geovani Bard: “O que mais preocupa é o corte e a poda desordenada de árvores, pois essas atitudes acabam estragando o planejamento de certas regiões”(Foto: Divulgação)

 

Horto entregou 1,28 mil mudas em outubro

Localizada na saída para Nova Santa Rosa, a área de mais de 15 mil metros quadrados do Horto Municipal de Marechal Rondon é onde começam os esforços em prol da arborização do município. Cerca de 90% das árvores presentes em vias ou espaços públicos de Marechal Rondon são provenientes do Horto, comenta o responsável pelo local, Anivaldo Martins de Oliveira. “Marechal Rondon é uma das cidades mais arborizadas do Oeste do Paraná, também com a maior variedade de mudas aceitas pela Copel e pela prefeitura. Orientamos o pessoal sobre o que pode e o que não pode ser plantado. Ofertamos árvores adequadas e aceitas para a cidade, mas as pessoas ainda pedem por chapéu-de-couro e figueira chilena que, apesar de não serem bem aceitas, são procuradas por darem menos ‘sujeira’”, declara.

Em um “raio-x verde” realizado ao O Presente, o rondonense faz um levantamento dos trabalhos do Horto Municipal. “Na parte de árvores nativas, os ipês são a espécie com mais exemplares no Horto Municipal. Na parte de arborização urbana, temos oitis, canelas e longaneiras como as mudas que mais saem. Nas folhagens, as palmeiras lideram o número de saídas”, detalha, acrescentando que “as árvores mais procuradas são nativas e nativas frutíferas, bem como árvores para sombra, que contribuem para a arborização urbana”.

 

Doações mensais

O público que mais retira as mudas doadas pela prefeitura é da zona rural, conta Oliveira. “Para a cidade sai menos, porque naturalmente há menos árvores do que pessoas e menos espaço possível para plantio. Residências urbanas podem requerer até três mudas, enquanto para o campo há disponibilidade de 20 mudas por bloco de produtor anualmente”, expõe.

Somente em outubro, 980 mudas de árvores nativas foram repassadas, cerca de 150 mudas para arborização urbana e aproximadamente 150 exemplares de folhagens, menciona o responsável pelo horto, totalizando 1,280 mil saídas. “O número de saídas fica nessa faixa, mas varia mensalmente”, pontua.

 

Estoque e produção

Oliveira diz que, devido às etapas seguidas na vida no campo, não é possível definir uma média mensal exata dos plantios realizados na área florestal da municipalidade. “Agora, por exemplo, é época de sementes, temos que semear e esperar o momento de replantio. Nesse meio tempo fazemos embalagens e preparamos a terra para replantar. Considerando diferentes épocas, em alguns meses produzimos 2,5 mil mudas entre árvores nativas, de sombra e folhagens. Em outros meses, por outro lado, não passamos de mil mudas”, informa, enaltecendo que o horto segue com um bom estoque de mudas enquanto trabalha na produção: “Sempre trazemos novas variedades para o pessoal do campo e da cidade”.

Responsável pelo Horto de Marechal Rondon, Anivaldo Martins de Oliveira: “Orientamos o pessoal sobre o que pode e o que não pode ser plantado. Ofertamos árvores adequadas e aceitas para a cidade, mas as pessoas ainda pedem por chapéu-de-couro e figueira chilena que, apesar de não serem bem aceitas, são procuradas por darem menos ‘sujeira’” (Foto: Divulgação)

 

Acimacar carrega marca de projetos que plantaram cerca de 100 mil árvores em Marechal Rondon

Além do Horto Municipal, a Associação Comercial e Empresarial de Marechal Rondon (Acimacar) também marca presença no plantio de árvores no município.  De acordo com o vice-presidente de Assuntos Ambientais, Legário Gilberto von Mühlen (Beto), cerca de 100 mil árvores foram plantadas por meio dos projetos ambientais da Associação.

O primeiro grande projeto do tipo encabeçado pela Acimacar aconteceu em 2008, em alusão aos 40 anos da entidade. Popularmente chamado de “Um ipê por Habitante”, Beto, que foi coordenador dos trabalhos na época, assegura que o número foi superior à população. “Foram plantados 44.236 ipês em conjunto com outras atividades como a recuperação de rios e nascentes em parceria com Itaipu e Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), projeto de redações com estudantes do 1º e 2º grau, gincanas ecológicas com empresas, etc”, detalha, pontuando a preocupação com uma arborização urbana de qualidade: “O ipê é uma árvore da região, dá flores e se adapta facilmente ao nosso habitat”.

Dessa maneira, as árvores ganharam espaço em praças, ruas e avenidas, assim como nos distritos. “Fomo apoiados pela prefeitura, através das secretarias de Agricultura e Meio Ambiente e Indústria e Comércio”, enaltece.

 

Replantadas

Sabendo que as árvores têm seu ritmo de adaptação, já no ano seguinte a Acimacar prestou reforços àquelas mudas de ipê. “No ano subsequente substituímos sete mil árvores que acabaram não tendo êxito no seu crescimento e foram replantadas”, pontua.

No aniversário de 45 anos da entidade, a festa foi verde mais uma vez. “Em 2013, iniciamos o plantio da segunda árvore nativa por habitante. Foram plantadas mais de 48 mil árvores de mais de 40 espécies entre frutíferas, ornamentais e ipês: todas nativas da região”, relembra.

Vice-presidente de Assuntos Ambientais da Acimacar, Legário Gilberto von Mühlen (Beto): “Hoje temos muitos ipês floridos que embelezam o município datados desses projetos da Acimacar. Praças e avenidas, como a das Torres, Maripá e Rio Grande do Sul, não tinham muitas árvores e hoje estão tomadas por ipês, principalmente” (Foto: Divulgação)

 

Avenidas verdes

Beto menciona que as principais ruas de Marechal Rondon hoje são floridas e verdes devido aos esforços de 13 anos atrás. “Hoje temos muitos ipês floridos que embelezam o município datados desses projetos da Acimacar. Praças e avenidas, como a das Torres, Maripá e Rio Grande do Sul, não tinham muitas árvores e hoje estão tomadas por ipês, principalmente”, declara ao O Presente.

Envolvido com questões ambientais, o vice-presidente de Assuntos Ambientais da Acimacar também nota a ausência de um plano de arborização em Marechal Rondon. “Acredito que nunca tivemos um projeto definitivo em relação à arborização urbana. Deveríamos ter um projeto amplo, discutido com a sociedade e com as entidades organizadas”, opina.

 

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