Marechal Cultura delicada, mas rentável

Apesar do clima, solo rondonense é rico para produção de morango

(Foto: Divulgação)

No suco, na geleia, no sorvete, no bolo e até mesmo no preparo de saladas. O morango é uma fruta bastante versátil, adorada por muitas pessoas nas mais diversas formas de consumo. Embora seja típico de regiões com clima temperado, como Europa, Estados Unidos e Chile, o Brasil consegue ser o maior produtor de morango da América do Sul. É que o aponta o estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Neste cenário, o Paraná é o terceiro maior produtor da fruta no país, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. São aproximadamente 30 mil toneladas de morangos cultivados por ano em mil hectares no Estado.

Marechal Cândido Rondon está na rota dos municípios “morangueiros”. O motivo é o clima mais frio, subtropical e temperado no inverno. O clima quente durante o dia e fresco durante a noite faz a região ter um solo rico para a cultura da fruta. É o que diz a engenheira agrônoma da Cooperativa de Agroecologia e da Agricultura Familiar (Coperfam), Eliane Amarante. “Para o cultivo do morango o ideal é a que a região esteja no mínimo a 500 metros de altitude. O município de Marechal está a 420 metros. Isso faz com que o solo da nossa região seja riquíssimo para a cultura do morango”, expõe.

Casa do Eletricista VERÃO 2022

 

Espécie mais cultivada

Nied 2022 – Padrão

Na região, a espécie San Andreas é a mais cultivada. Sua polpa é vermelha escura, tem peso leve e suas frutas são grandes e longas, sendo comercializadas principalmente para consumo in natura.

CombateMax – Normal

Por ser uma cultura trabalhosa e manual, Eliane menciona que geralmente os produtores de morango são os pequenos agricultores. “É uma produção delicada e que exige atenção especial. Quando inicia o período de maturação dos frutos, a colheita deve ser feita todos os dias manualmente, de joelhos. É um trabalho árduo”, pontua.

Engenheira agrônoma da Cooperativa de Agroecologia e da Agricultura Familiar (Coperfam), Eliane Amarante: “O clima quente durante o dia e fresco durante a noite faz a região ter um solo rico para a cultura da fruta” (Foto: Divulgação)

 

Na região, a espécie San Andreas é a mais cultivada: polpa é vermelha escura, peso leve e frutas grandes (Foto: Divulgação)

 

Cultivo desde 2018Marlisi e Livar Kaiser cultivam morango desde 2018. O casal rondonense possui duas estufas de 225 metros quadrados com três mil plantas cada uma. Além do San Andreas, eles cultivam também as espécies Monterrey, que tem maior capacidade de produção nos dias quentes e longos de verão; e Albion, que é semelhante ao San Andreas, porém com cor menos intensa, forma mais arredondada e utilizada geralmente para industrialização.

As vendas são feitas preferencialmente de forma direta ao consumidor, em restaurantes ou na Associação Central de Produtores Rurais Ecológicos (Acempre).

“Conseguimos atingir no máximo 600 gramas por planta ao ano, diferente de outras regiões que conseguem por volta de 1,5 quilo ao ano por planta”, contam Marlisi e Livar.

Segundo eles, a produção não é fácil. É que as mudas têm valor elevado, já que são importadas. A maior parte vem da Espanha, Itália e Estados Unidos. Em mil mudas, por exemplo, o produtor pode chegar a pagar até R$ 1,8 mil.

Marlisi e Livar Kaiser cultivam morango desde 2018: “As maiores dificuldades são controlar as pragas e conduzir as adubações devido às altas temperaturas” (Foto: Divulgação)

 

Maior dificuldade

Os rondonenses comentam que as maiores dificuldades da cultura são controlar as pragas e conduzir as adubações devido às altas temperaturas, em especial as registradas nos últimos meses. “O morango é uma cultura de dias frescos, então a produção é baixa em relação a outras regiões onde o clima é favorável, como, por exemplo, o Rio Grande do Sul. Também é uma cultura bastante sensível e a nossa região ainda tem pouca assistência técnica especializada”, salientam.

Sempre alerta

Moradora na Linha Wilhelms, distrito de Margarida, Helena Maria Schoffen Ratz cultiva morango há quatro anos em uma estufa de 150 metros quadrados. “Não é difícil, mas é preciso sempre estar alerta”, comenta. “Um dia pode não ter nada, mas no outro pode ter ácaro, pulgão, cochinilha. Quanto mais dias você ficar sem observar, mais difícil vai ser o controle”, enaltece.

Apesar dos altos custos de investimento, ela nunca pensou em desistir. “Os produtos são caros, mas ainda assim compensa. Nunca pensei em desistir, mas, sim, em aumentar a produção. Contudo, faltou mão de obra. Como cultivo há algum tempo, tenho meus clientes fixos. Divulgo na internet e faço a entrega nas casas”, menciona.

Em alta temporada – de junho a outubro -, Helena diz que produz, em média, 40 quilos de morango por semana. “Depois a produção cai pela metade. O que atrapalha é o calor, que causa o abortamento da flor. Nem abelha tem para fazer a polinização”, aponta.

Moradora no distrito de Margarida, Helena Ratz cultiva morangos há quatro anos: “Não é difícil, mas é preciso sempre estar alerta” (Foto: Divulgação)

300 quilos por ano

Ruzana e Inácio Vorpagel, agricultores da Vila Rural Santa Clara, cultivam morango há 15 anos. Eles aprenderam sozinhos as técnicas de cultivo e já chegaram a plantar cerca de quatro mil pés. “Devido às condições climáticas, a colheita foi fraca. Em torno de 300 quilos por ano. Em outras épocas esse número chegou a mais de 600 quilos”, evidencia Ruzana.

Na chácara de mais de cinco mil metros quadrados são cultivadas as espécies San Andreas, Albion e o morango chileno. “A que melhor produzia era a camarosa, mas muitas morreram por causa da seca muito forte”, relata.
O tempo de produção, segundo ela, depende das variedades e, claro, do clima.

Além da venda direta ao consumidor, Ruzana e Inácio também trabalham com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Ruzana revela que o lucro tem sido menor nas últimas safras. O trabalho é árduo, todavia, desistir não é uma opção. “O manejo é bem trabalhoso e deve ser feito diariamente. A terra deve ser bem preparada com nutrientes, compostagem, adubação orgânica natural e bastante água. Tudo tem um valor alto, mas a plantação é bonita de se ver e a fruta é admirável, gostosa e saudável”, ressalta.

Inácio Vorpagel, da Vila Rural Santa Clara, produz morango há 15 anos. Na chácara de cinco mil metros quadrados são cultivadas as espécies San Andreas, Albion e o morango chileno (Foto: Divulgação)

Por onde começar?

Para quem quer começar a cultivar morango, a engenheira agrônoma Eliane Amarante dá algumas dicas. O primeiro passo é procurar um técnico apto para a orientação e apoio na análise do solo, adubação e outras recomendações, como as mudas de boa qualidade, com sanidade e garantia de procedência. “Também falamos sobre o transplantio na época recomendada, o monitoramento de pragas, doenças e o manejo assertivo, tendo em vista que a colheita deve ser pela manhã nas horas mais amenas do dia e no ponto mais próximo ao ideal para o consumo, já que o morango não continua o processo de maturação após a colheita”, detalha.

Tipos de cultivares

A engenheira explica que há dois tipos de cultivares de morango. Os de dias curtos e os de dias neutros. “O primeiro consiste em apenas um ciclo por ano. Geralmente a sua produção começa em setembro e segue até o fim do ano. Já o segundo tipo produz morango o ano inteiro, tendo sua alta produção também no fim de ano, que é quando o dia passa a ser mais longo”, comenta.

O morango não tolera déficit hídrico, por isso, deve-se evitar áreas com exposição de fase norte (maior incidência de sol, luminosidade e altas temperaturas) (Foto: Divulgação)

 

Área de cultivo

Deve-se evitar áreas sujeitas a encharcamento, pois o morango é suscetível às doenças de solo. As áreas devem ser preferencialmente planas e com água disponível. “O morango não tolera déficit hídrico. Deve-se evitar também áreas com exposição de fase norte (maior incidência de sol, luminosidade e altas temperaturas). Quanto mais quente, mais ácido o morango será e menos sabor terá”, observa.

A colheita segue até dezembro com boa produtividade e nos meses de janeiro. Já em fevereiro reduz a produção, com o plantio devendo ser feito de abril a junho para que em outubro inicie a frutificação.

Após a colheita é feita a poda/desbaste com a finalidade de arejar a planta, evitando disseminação de doenças fúngicas e bacterianas, pois o abafamento ocasionado pelo número elevado de folhas, umidade e temperatura elevada favorece o surgimento das doenças. “A poda também proporciona renovação das plantas, com emissão de folhas novas e saudáveis, além do reinício da produção antecipado em relação a plantas de primeiro ano de cultivo”, afirma.

 

O Presente

Clique aqui e participe do nosso grupo no WhatsApp

Grupo Costa Oeste 2021
TOPO