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Marechal

Artistas rondonenses veem nas lives um caminho para manter as atividades e o sustento

calendar_month 13 de maio de 2020
7 min de leitura

Parte da rotina e fonte de entretenimento de muitas pessoas, os bares, casas de shows e eventos com música ao vivo foram os primeiros estabelecimentos afetados pela pandemia do novo coronavírus, visto que antes mesmo das publicações de decretos restritivos o público já receava aglomerações. Quem sobrevivia da música, de repente viu seu sustento prejudicado.
Para muitos artistas, as populares lives tornaram-se uma alternativa de renda.

Conforme o cantor Dalton Lopes, ele e seu companheiro de dupla, Lucas, estão sem realizar apresentações desde 14 de março. “Estávamos com agenda programada para abril e maio e foi tudo cancelado. Só no mês de maio perdemos cerca de R$ 15 mil por não poder realizar os shows presenciais, e isso deve aumentar”, lamenta o rondonense, que tem 20 anos de trajetória musical, sendo três deles em parceria com Lucas.

Dalton conta que para reverter o momento negativo gerado pela pausa “forçada”, a dupla tem feito lives patrocinadas. “Tentamos fazer lives patrocinadas semanais ou a cada 15 dias para conseguir renda. Esse é o nosso ganha pão agora, mesmo que menor. Ao menos conseguimos garantir um pouco de recursos”, expõe.

A principal dificuldade, segundo Dalton, é financeira. “Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a voltar. Não há previsão de retorno”, frisa.

Dupla Dalton e Lucas está fazendo lives patrocinadas semanais ou a cada 15 dias para conseguir renda: “Esse é o nosso ganha pão agora” (Foto: Divulgação)

 

“NÃO TEM COMO RECUPERAR”

Alcir Versulino da Silva, o Ball da dupla Ball e Wagner, destaca que são 11 anos de trabalho conjunto e esta é a primeira vez que se veem nesta situação. “Antes da pandemia estávamos a todo vapor, ótima aceitação no mercado e fazendo em média 20 shows por mês. Não há como recuperar o que perdemos, mas seguimos levando música e alegria para o povo por meio das lives, como essa que faremos com Dalton e Lucas”, salienta.

Dupla Ball e Wagner fazia uma média de 20 shows por mês: “Não há como recuperar o que perdemos, mas seguimos levando música e alegria para o povo por meio das lives” (Foto: Divulgação)

 

FOCO NO FUTURO

Músico profissional há 29 anos e bastante conhecido em Marechal Rondon e região, Bill Vox diz que, acostumado com uma rotina movimentada de apresentações, repentinamente se viu sem a possibilidade de trabalhar. “Muitas festas, apresentações em barzinhos, eventos, casamentos e abertura de shows foram cancelados. Eu procuro não computar o quanto perdi, não há recuperação para o que já se foi. É preciso pensar daqui para a frente”, enaltece.

Com um repertório de A a Z, Bill Vox comenta que já fez seis lives, mas que ainda não partiu em busca de patrocinadores. “As lives são muito bacana para todos. Há opções para todos os estilos musicais. Em minhas transmissões, o intuito é justamente levar entretenimento para a casa das pessoas. Elas me mantêm ativo para quando voltarmos às atividades”, pontua.

Conhecido em Marechal Rondon e região, Bill Vox acredita que o público nesse momento passa a ver o artista com um olhar diferente: “Mais uma vez somos nós levando alegria para a casa das pessoas” (Foto: Divulgação)

 

VALORIZAÇÃO

Para o cantor, a experiência do atual momento pode trazer um olhar diferente das pessoas para a classe cultural. “O público muitas vezes não percebe a doação que os músicos fazem de si mesmos. Nas nossas apresentações, enquanto todos se divertem nós estamos trabalhando e, antes disso, passamos horas nos preparando, montando repertório e pensando em cada detalhe para oferecer o entretenimento de melhor qualidade. Agora, entremeio à pandemia, mais uma vez somos nós levando alegria para a casa das pessoas”, enaltece.

 

ÁLBUM EM PRODUÇÃO

Vocalista da Storehouse Rocky Jam, Gustavo Alex Konieczniak diz que os integrantes da banda rondonense não dependem financeiramente da música, ainda assim, sentem falta das apresentações que costumavam fazer pela região. “Nossa banda acaba de completar dez anos de existência. Não dependemos financeiramente da música, mas possuímos uma agenda. Mensalmente, até antes da pandemia, fazíamos cerca de quatro shows, não só em Marechal, mas em toda a região”, relata.

Gustavo menciona que, mesmo com as apresentações em stand bye, os integrantes da banda seguem com suas atividades musicais. “Este não é um tempo perdido para nós. Estamos aproveitando o momento para nos dedicar ao álbum da banda, algo que estamos trabalhando há bastante tempo. Fizemos single atrás de single e disponibilizamos aos poucos. Faltam apenas duas músicas que já estão parcialmente produzidas”, detalha.

A banda também entrou na onda das lives. A última atingiu 26 mil visualizações. “Mesmo que não lucremos com a banda, nós não investimos dinheiro próprio nela. Assim, toda renda obtida por meio dela é aplicada em melhorias. Na nossa transmissão ao vivo, conseguimos patrocinadores para bancar a equipe de filmagem e o que arrecadamos além foi para fechar o álbum”, expõe o vocalista, emendando: “Estamos felizes com esse projeto. O álbum terá dez faixas e deve ser lançado oficialmente até junho deste ano”.

Storehouse Rocky Jam está há dez anos no mercado e aproveita o momento para concluir seu primeiro álbum (Foto: Divulgação)

 

MODOS DE CONSUMO

A respeito do futuro musical da Storehouse, Gustavo declara que, a partir da live realizada, a banda pôde ter uma prévia do que resguarda o amanhã. “A nossa expectativa é alcançar mais pessoas. Como as nossas músicas são em inglês, queremos que, além do Brasil, elas sejam reconhecidas lá fora. Em nossa transmissão tivemos muitas visualizações de fora de Marechal Rondon. Posso dizer que foi extremamente satisfatório e produtivo e que pretendemos fazer mais vezes e com algo mais”, revela.

Ele destaca que, atualmente, mudou-se o modo de consumir música e com a atual crise vivenciada, isso deve se intensificar. “As pessoas consomem mídias, poucas param para ouvir um disco, um mp3 ou um CD. Elas querem produtos, apresentações e o meio virtual está oportunizando isso”, avalia.

 

ALCANCE MAIOR

No meio musical há 12 anos e vocalista da banda Full Rocker, no mercado há dois anos, Elaine Bueno afirma que, apesar de os membros da banda não dependerem financeiramente da música para viver, a paralisação foi um “baque”. “Tínhamos uma rotina de aproximadamente duas apresentações semanais e com os primeiros sinais da pandemia tudo foi 100% cancelado. O desfalque no orçamento foi muito grande e não há perspectiva de recuperação. Mesmo quando as atividades voltarem à normalidade, acredito que não será com força total como era antes”, opina.

A agenda futura de shows, segundo Elaine, é uma das dificuldades encontradas pela Full Rocker. “Estamos tentando remanejar datas, mas muitos dias já estão ocupados no segundo semestre e há um choque entre eventos”, salienta.

A Full Rocker já realizou duas lives e, nas palavras da vocalista, a intenção foi matar a saudade do público e garantir o calor humano, ainda que por meio alternativo. “Tivemos um alcance maior do que temos em barzinhos e isso é maravilhoso para a banda. Na segunda experiência tivemos um patrocinador e conseguimos fazer uma live mais profissional. Nós não lucramos muito com visualizações, mas passamos um chapéu virtual, o que já vale alguma coisa”, expõe.

Banda Full Rocker fazia em torno de duas apresentações semanais: “Na live que fizemos tivemos alcance maior do que temos em barzinhos e isso é maravilhoso para a banda” (Foto: Divulgação)

 

PATRIMÔNIO MUNICIPAL

Além de vocalista na Full Rocker, Elaine também é cantora da Orquestra de Sopro de Marechal Rondon e lamenta os últimos acontecimentos envolvendo o grupo, que faz parte da cultura rondonense há mais de 40 anos. “A orquestra recebia uma ajuda de custo da prefeitura e os contratos foram suspensos. Os ensaios estavam acontecendo mesmo com o distanciamento social, contudo, ainda assim, foi suspendido o benefício. Isso não atinge só a mim, mas muitas pessoas que tiveram o recurso cortado em um momento de necessidade”, lamenta.

Apesar disso, a cantora acrescenta que está se vendo uma união entre artistas como nunca se viu outrora. “Está sendo um divisor de águas. A questão da unidade entre os artistas está surgindo e corremos atrás de direitos que até então não haviam sido pensados, ainda mais em nossa cidade, onde o setor cultural é muito esquecido”, finaliza.

 

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