Marechal Saúde rondonense

Atendimentos de emergência sobem 48% após abertura da UPA

Fotos: Leme Comunicação

 

Na última quinta-feira (29), fecharam os primeiros 30 dias de funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Edgar Netzel e de uma significativa mudança na dinâmica do atendimento à população rondonense por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com levantamento da Secretaria de Saúde, apenas no atendimento a urgências e emergências, o aumento no atendimento da demanda espontânea de pacientes chegou à casa dos 48% quando comparado ao mês de novembro de 2017, período em que o atendimento a estes casos acontecia na antiga Unidade de Saúde 24 Horas. “Houve dias em que o pico de atendimento chegou a 400 pessoas e este aumento no fluxo deu-se pela estrutura que foi colocada à disposição da população e a reorganização do serviço de urgência, que agora acontece em uma unidade totalmente diferente do que era antes”, avalia a secretária de Saúde, Marciane Specht.

Neste primeiro mês, a equipe da UPA realizou 5.807 atendimentos, sendo 3.658 deles urgências e emergências. No mesmo período de 2017, o número era de 5.199 atendimentos, sendo 2.466 urgências e emergências. “Esta busca espontânea está mais exposta nos números da UPA pelo tipo de unidade, que é totalmente descaracterizado da unidade antiga, que antes era uma unidade mista que atendida tanto as urgências e as emergências quanto os atendimentos de um posto de saúde”, enfatiza a chefe da pasta.

A média de atendimento diário da nova estrutura também é maior do que a do antigo 24 Horas: antes eram atendidas cerca de 82 pessoas ao dia e agora são aproximadamente 121. “Tivemos inúmeros apontamentos positivos do atendimento da equipe médica, de enfermagem e de atendimento como um todo e também da estrutura colocada à disposição, por isso entendemos que a população de Marechal Rondon só ganhou com esta mudança na dinâmica do atendimento que se resume em melhor qualidade no atendimento”, enfatiza a secretária.

Marciane declara que o resultado foi possível por conta das decisões tomadas pela administração já no ano passado, quando foi iniciado um processo de planejamento e estruturação para a abertura da UPA dentro dos processos legais. “Sabemos que ainda temos muito a fazer, porque a saúde não é estanque, ela é dinâmica. Há poucos dias tivemos como exemplo o Programa Mais Médicos, por meio do qual existia uma organização e atendimento e, por questões do Ministério da Saúde, houve a mudança em relação ao atendimento”, exemplifica.

A secretária de Saúde salienta que dentro do diagnóstico feito pela pasta das estruturas municipais, com bases sólidas e conscientes, gradativamente o município continuará implementando estruturas e processos que ainda são demandas do município. “Recebemos pouquíssimas críticas sobre essa nova página da história da saúde rondonense, que foi um grande divisor de águas e, para isso, não posso deixar de agradecer a toda a equipe da Secretaria de Saúde, da antiga Unidade de Saúde 24 Horas, todos os colaboradores: médicos, enfermeiros, técnicos, atendentes, equipe da farmácia, limpeza, todos que vestiram a camisa e sempre se comprometeram a prestar o melhor atendimento à população”, agradece Marciane.

 

Centro Integrado

No antigo 24 Horas, hoje a “paisagem” é bastante diferente. A começar pela Rua Sete de Setembro, que agora é menos abarrotada por carros estacionados em frente à unidade, bem como no menor fluxo de pessoas no local.

A estrutura que atende a população residente no centro da cidade e nos bairros que não contam com UBS, de acordo com Marciane, deve passar por uma reforma.  Ela explica que já há uma portaria designada e uma equipe fazendo um estudo preliminar de projetos, junto à Secretaria de Coordenação e Planejamento. “Após a conclusão deste processo, em 2019, vamos buscar parcerias para a execução desta obra, tendo em vista que um prédio como aquele demanda muitos recursos”, comenta.

Neste tempo, porém, o atendimento não para. No Centro Integrado de Saúde já estão atuando duas equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF), que, além de atender a população, realiza a orientação daqueles que devem buscar sua UBS de origem ou a Unidade de Pronto Atendimento. “Há quem ainda busque o local mesmo estando em uma região atendida por alguma UBS e nós prevíamos que isso aconteceria porque a população buscava atendimento no local há muitos anos”, menciona. “Para estes pacientes está sendo feito o atendimento enquanto uma Unidade Básica, mas também a orientação para que gradativamente as pessoas tenham como referência a unidade do seu bairro”, expõe.

A transição do atendimento de urgência e emergência, de acordo com Marciane, não teve significativas intercorrências devido à ampla divulgação sobre as novidades que aconteceriam no início de novembro. “Na primeira semana, deixamos carro e ambulância à disposição no Centro Integrado para que caso algum caso urgente chegasse até lá, recebesse o atendimento necessário e fosse levado à UPA, mas de forma geral foi uma transição muito tranquila para a população que, em sua maioria, tem a UPA como referência hoje”, avalia.

Assim como as demais ESF, o Centro Integrado fará o trabalho de agendamento de consultas, que engloba a agenda de cuidados com hipertensos, diabéticos, gestantes, além das visitas domiciliares. Para toda a população do município, entretanto, ainda estão centralizados no local os atendimentos da epidemiologia, vacinação e odontologia, bem como o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD). “Nos deparamos muito com pacientes com queixas de mais de uma semana de determinada situação e é importante que a população tenha a concepção, agora que temos muito bem divididos os atendimentos de urgência e emergência, na UPA, e ambulatório, nas Unidades de Saúde, do que caracteriza uma urgência e do que não caracteriza. Já vemos situações na UPA que o caso poderia ser tratado em consultório, na UBS e não na urgência, o que resulta em um grande número de pessoas em busca de atendimento na UPA”, esclarece. “Por outro lado, sabemos da preocupação da população acerca do tempo para a consulta por meio do agendamento nas unidades, que hoje, dependendo da UBS, varia de 20 a 40 dias. Essa hoje é uma das principais queixas que foi agravada com a saída dos Mais Médicos, em vista do rompimento da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) com o Brasil. Cinco profissionais deixaram o município e, como consequência, a busca de pacientes preocupados com seu atendimento na UPA aumentou e, nas unidades, houve a redução da jornada para que todas pudessem ter o atendimento”, ressalta a secretária.

Ela aponta que para que todas as unidades voltem a ter uma rotina de posto de saúde, bem como o Centro Integrado, há necessidade da recolocação de todos os profissionais do programa Mais Médicos. “Entretanto, com todas essas mudanças na dinâmica do atendimento, as críticas frente aos elogios às equipes e estrutura foram muito menores, e o que confirma que estamos trabalhando no caminho certo”, destaca a chefe da pasta.

Média de atendimento diário na UPA é maior do que a do antigo 24 Horas: antes eram atendidas cerca de 82 pessoas ao dia e agora são aproximadamente 121

 

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