Mais uma vez, o recolhimento (ou a falta dele) de materiais recicláveis em Marechal Cândido Rondon tem sido motivo de reclamações por parte de moradores. Todavia, a presidente da Associação de Catadores Amigos da Natureza (Acan), Josiane Cleve Oliveira, garante que os trabalhos seguem dentro da normalidade no município, mesmo com as medidas restritivas para conter o avanço do novo coronavírus. “Nas 20 localidades sob nossa responsabilidade, a Acan está conseguindo realizar a coleta em todos os pontos, seguindo o cronograma previsto e sem atrasos. Nós conseguimos manter os trabalhos durante todo esse período de quarentena e que ainda segue acontecendo”, enaltece.
A rota da Acan abrange o Higienópolis I e II, Augusto I e II, Barcelona, Pôr do Sol, Primavera I e II, Ipê, Conjunto São Mateus, Cipreste, Paraíso, São Francisco, Nova América, São Marcos, Recanto Feliz, parte do Botafogo, Ana Neusa, Margarida e São Roque.

Presidente da Acan, Josiane Oliveira: “Nas 20 localidades que ficam sob nossa responsabilidade estamos conseguindo realizar a coleta em todos os pontos, seguindo o cronograma previsto e sem atrasos, mesmo com colaboradores a menos” (Foto: O Presente)
ALGUNS ATRASOS
Já a coordenadora da Cooperativa de Agentes Ambientais (Cooperagir), Caroline Bunzen, informa que houve atrasos em seus setores, mas que a situação já está sendo normalizada. “Nesta segunda-feira (20) realizamos a coleta no último setor pendente, a Vila Gaúcha. Depois disso, estará regularizado”, salienta.

Coordenadora da Cooperagir, Caroline Bunzen: “Em condições normais tínhamos 45 pessoas trabalhando diariamente, mas por serem da faixa etária de risco ou possuírem doenças como diabetes e colesterol, 14 foram afastadas” (Foto: Divulgação)
FORÇA DE TRABALHO
Um dos fatores agravantes para as falhas no recolhimento, segundo Caroline, é o constante risco que os trabalhadores estão expostos, fazendo com que seja necessário o afastamento de alguns. “Em condições normais nós tínhamos 45 pessoas trabalhando diariamente, mas por serem da faixa etária de risco ou possuírem doenças como diabetes e colesterol, 14 foram afastadas. Hoje 22 trabalhadores fazem a coleta e nove estão na rua fazendo a recolha com três caminhões”, detalha a coordenadora, referindo-se ao quadro de colaboradores da Cooperagir.
Já na Acan, conforme Josiane, os catadores são em sua maioria mais jovens e não pertencem ao grupo de risco. “Com a pandemia, três dos nossos colaboradores foram afastados. Realizamos nossos serviços com 22 pessoas nesse momento”, informa.
Caroline destaca que o déficit não é facilmente suprido. “Continuamos com esse déficit, porque se eu pegar pessoas para trabalhar agora não consigo mandar embora depois que elas se integralizem e se tornem donas do negócio. Quando as pessoas afastadas retornarem aos seus trabalhos eu não terei o que fazer com as contratações de ‘emergência’”, explica, acrescentando:
“Caso as mantivesse, todos sairiam prejudicados, pois mesmo que a produção aumente minimamente o rateio seria comprometido”.
ESFORÇO DOBRADO
A fim de garantir a sobrevivência dos trabalhadores afastados, as entidades mantêm a remuneração dos mesmos. “O valor que eles recebem é inferior ao convencional, mas garante as necessidades básicas”, comenta a coordenadora da Cooperagir.
Segundo ela, o contrato com a municipalidade foi mantido e a renda mínima aos afastados será efetuada. “Será feita a remuneração de acordo com a produção média anterior, sem considerar esses meses em baixa. Não sabemos o valor ao certo, mas serão assistidos, depende da produção. Por fim, isso significa que os catadores que estão trabalhando fazem um esforço por duas pessoas”, enaltece.
QUEDA NA REMUNERAÇÃO
Em relação às compras dos materiais triados, ambas as entidades tiveram seus ganhos diminuídos. Caroline diz que na Cooperagir houve queda de 20% a 30% na remuneração total recebida. “O comprador suspendeu suas atividades por uma semana e, após isso, nós estamos com dificuldade na venda. O problema vem de cima, contudo, posto que ele não consegue vender seus materiais também. Não podemos resolver esse impasse e seguimos nessa. A recolha e a triagem acontece e, separado, o material fica à espera do comprador. Além disso, o preço baixou muito”, pontua a presidente da Acan e exemplifica: “Vendíamos o quilo do papelão por R$ 0,55 e hoje está por R$ 0,40; o ferro antes comercializado por R$ 0,25 o quilo agora sai por R$ 0,10. A tendência é só piorar”.

Dirigentes das associações responsáveis pelo recolhimento do lixox reciclável em Marechal Rondon acreditam que situação seja regularizada ainda nesta semana (Foto: O Presente)
SAÚDE E SEGURANÇA
Visando a segurança e a saúde dos trabalhadores, tanto a Acan como a Cooperagir implementaram desde o início da pandemia um sistema de quarentena para os resíduos coletados, garantindo que eles fiquem no sol por, pelo menos, 72 horas antes da triagem.
A coordenadora da Cooperagir reforça um pedido de atenção aos munícipes. “Mais do que nunca é preciso que as pessoas intensifiquem a separação dos materiais. Temos recebido muito lixo de banheiro, máscaras, luvas e até mesmo seringa. A população precisa entender que estes materiais são altamente contaminantes”, evidencia.
Além disso, as dirigentes das entidades pedem para que a população compreenda o risco envolvido neste serviço essencial e auxilie os trabalhadores com a doação de máscaras e materiais de higiene, haja vista que ao adquirir estes itens o rateio entre os catadores diminui ainda mais.
ECOPONTO
Caroline orienta as pessoas que sentirem necessidade de antecipar a coleta do material reciclável ou até mesmo que tiveram algum eventual problema com a recolha para que destinem seus resíduos recicláveis devidamente separados no Ecoponto.
O Ecoponto é localizado no Parque de Exposições e funciona de segunda a sexta-feira das 08 às 18h45 e nos sábados das 08 às 18 horas.
O Presente