Pref. MCR Novembro Azul.
Marechal

Bocas de lobo serão ampliadas para coletar mais água pluvial

Cento e sessenta e um milímetros de chuva foram registrados em Marechal Cândido Rondon desde o dia 1º de janeiro, dos quais 70 deles no último sábado (06). Além disso, o acumulado no mês de dezembro foi de 330 milímetros.

Todo este volume de precipitações pluviométricas vem ocasionando uma série de estragos e transtornos a moradores da sede e do interior do município, com o entupimento de bueiros na cidade e deterioração no asfalto, assim como a destruição parcial de estradas na zona rural.

Casa do Eletricista folha LORENZETTI

Na sede municipal a enxurrada invadiu estabelecimentos comerciais, gerou inúmeros pontos de alagamento nas ruas e avenidas e invadiu residências. As águas também causaram alagamento no Arroio Fundo, mais especificamente nas proximidades do Clube Guarani, onde a ponte ficou interditada.

Procurado pelo Jornal O Presente, o secretário municipal de Viação e Serviços Públicos, Jefferson Dahmer, informa que danos foram causados em todo o interior do município, deixando as estradas rurais em más condições de tráfego.

Estragos também foram observados nos bairros Alvorada, Rainha, Vila Gaúcha, Centro, Espigão e no Jardim Líder.

“As equipes estão trabalhando desde sábado na limpeza de ruas e galerias de águas pluviais, além de ter ajudado a PRE (Polícia Rodoviária Estadual) a desobstruir o trânsito devido ao deslizamento. O trabalho seguiu no domingo (dia 07) com limpeza na sede, onde serão ampliadas as bocas de lobo para coletar mais água pluvial, e em alguns pontos a tubulação será trocada por uma maior com o objetivo de dar mais vazão”, assegura o chefe da pasta.

Conforme ele, nesta etapa está sendo realizado um serviço paliativo para oferecer condições de trafegabilidade.

“Não tem prazo para os serviços de limpeza e conserto serem concluídos tanto na sede como no interior. Nós estamos a todo vapor. Estamos limpando bueiros e fazendo novos para evitar que a água atravesse as estradas e cause novamente esses transtornos”, reforça Dahmer.

 

Dos males o menor

O empresário Cláudio Orlando Wayhs, proprietário do Restaurante Peixe Frito, um dos estabelecimentos atingidos pela enxurrada de sábado, conta que o mais complicado por ocasião do alagamento foi o constrangimento dos clientes.

“Felizmente não perdemos mercadorias. A água subiu cerca de 20 centímetros e inundou a parte externa do restaurante, então a maioria das pessoas veio para dentro onde estava um pouco molhado. Depois de 40 minutos de chuva forte a água foi diminuindo atéfi car tudo seco”, menciona, lembrando que entre outubro e novembro houve dois pequenos alagamentos, entretanto não havia nenhum cliente.

Com empresa estabelecida há 22 anos na Avenida Rio Grande do Sul, Wayhs menciona que nem sempre foi assim. Ele acredita que quando a cidade foi planejada não havia a previsão de tanto crescimento nas imediações e, por consequência, talvez não foi pensada em uma infraestrutura condizente para enfrentar problemas de escoamento como o ocorrido no sábado.

“Penso que a prefeitura deve procurar solucionar esse e outros casos porque o pessoal fica chateado com o acúmulo de água da chuva”, comenta.

 

Preocupação constante

A empresária Elita Vogl, sócia-proprietária da Cristal Vidros, empresa constituída há 20 anos na Avenida Ri Grande do Sul, salienta que toda vez que chove com média intensidade a água desce pelas ruas transversais e desemboca na avenida, acarretando no alagamento.

“No fim de semana entrou água na loja, mas ficou mais na entrada porque o dono do prédio construiu uma espécie de barreira impedindo que a água da chuva entre por completo na empresa. Foram construídas muretas e foram instaladas portas de vidro diferentes. No fim de semana entrou água, molhou, porém não chegou a dar prejuízo. Toda vez que tem chuva média a forte a gente precisa se deslocar para ver se não está inundado”, lamenta.

A empresária destaca que sua equipe e outras pessoas já pediram melhorias neste sentido, contudo acabaram desistindo de insistir. “Acho que o povo prejudicado deve se reunir, pois se for olhar daqui para baixo não tem uma quadra sem calçada detonada pela força da água que desce”, ressalta.

Elita lembra que cerca de 15 anos atrás uma enxurrada invadiu a loja com muita força, fazendo com que a equipe da empresa levantasse vidros, molduras e outros materiais que estavam estragando em meio à água. Naquela ocasião, ela caiu e rompeu o músculo do joelho direito. O impacto da queda tornou necessário um procedimento cirúrgico, sendo que a empresária permaneceu 72 dias em uma cadeira de rodas. “Até hoje eu carrego as consequências desse tombo com problemas no joelho. Entrei com processo, ganhei a causa, mas a gente não quer isso. O que a gente deseja é que o problema dessa enxurrada seja resolvido”, frisa.

 

Medidas anteriores teriam sido paliativas

Considerando que tal problema se arrasta há anos e até o momento nada de efetivo foi desenvolvido, o diretor do Departamento de Engenharia da Secretaria de Coordenação e Planejamento, engenheiro civil Alisson Ostjen, comenta que no decorrer dos anos não foi realizado um estudo técnico adequado para a formação das galerias de águas pluviais.

“Entendemos que conforme havia necessidade de escoar a água da chuva se abria um bueiro, o que estoura com o tempo. A gente está buscando solucionar esses casos mais graves, sendo o ponto primordial da Avenida Rio Grande do Sul, numa extensão muito grande que está comprometida, inclusive o projeto está em elaboração. A ideia é criar um novo emissário e manter os dois ativos”, salienta, acrescentando que o ponto de destino das águas da chuva é o Arroio Fundo.

“O maior caso do fim de semana foi no Peixe Frito, local onde há dois emissários num intervalo de 100 metros. O emissário está ali por ser um dos pontos mais baixos, cuja água segue sentido ao Arroio Fundo. Além do mais, nós identificamos que essa água deveria ter entrado nas galerias antes do Peixe Frito, mas haviam galerias e bocas de lobo entupidas, lixo, eventualmente algum ponto sem boca de lobo, ou seja, diversos fatores favoreceram o acúmulo de água no caminho, mas foi ali que causou o grande volume”, explica.

De acordo com o engenheiro, o prefeito deu carta branca para solucionar este caso, de maneira que a equipe trabalha visando encontrar a melhor saída. “O projeto técnico será concluído no decorrer desse primeiro semestre, espero que no primeiro trimestre ainda, já a execução depende de um prazo que não pode ser afirmado”, comenta.

Segundo ele, há o entendimento de que as calçadas com paver seriam mais permeáveis, com materiais de boa qualidade e que ajudam a água da chuva a baixar em menor tempo. “O que a gente notou foi que não houve dimensionamento, ou seja, as medidas foram feitas de forma paliativa e aos poucos a calçada vem estourando”, conclui.

 

Nova rede para resolver problema na avenida

O prefeito de Marechal Cândido Rondon, Marcio Rauber, ressalta que em anos anteriores não foram registrados volumes de chuva conforme observado em dezembro de 2017. “Muitos danos foram causados por conta desse excesso no volume de precipitação. De forma preventiva, em outubro adquirimos um caminhão de hidrojateamento, ao valor de R$ 400 mil, numa parceria entre Saae e Secretaria de Viação e Serviços Públicos, para trabalhar mais especificamente no desentupimento de galerias de águas pluviais e no desentupimento da rede de esgoto. O equipamento vem sendo utilizado desde que foi adquirido”, enfatiza.

Rauber destaca que no caso do último sábado (06) os alagamentos aconteceram por excesso de chuva.

“Nós fomos em vários pontos, utilizamos o equipamento e ele mostrou que as galerias não estavam entupidas, ou seja, o tamanho das galerias não suportou a quantidade de água produzida pelas chuvas nesses últimos tempos”, afirma.

O mandatário adianta que o governo municipal estuda com a equipe de Engenharia a instalação de mais uma rede coletora de águas pluviais com diâmetro de um metro, na extensão da Avenida Rio Grande do Sul que vai da Choperia Haus Bier até o Parque Ecológico.

“Nós devemos ‘rasgar’ a avenida nessa extensão para melhorar a coleta dessa água, por saber que o trecho da Avenida Rio Grande do Sul que compreende a Rotatória da Bandeira para baixo acaba virando um rio pelo intenso volume de água que corre”, expõe.

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