Marechal

Cada rondonense gera 490 gramas de lixo ao dia

Uma das grandes preocupações dos municípios diz respeito à coleta de lixo orgânico, que, quando bem realizada, deixa as cidades com aspecto limpo e organizado. Mais do que isso, deve ser tratada como uma questão de saúde pública, uma vez que o acúmulo de dejetos causa odor e pode ocasionar doenças.

Em Marechal Cândido Rondon, no aterro sanitário localizado em uma área na Linha Neuhaus, interior do município, inaugurado no início de 2012, são despejados diariamente cerca de 28,8 toneladas de lixo. Considerando 26 dias de coleta, são 750 toneladas ao mês. Ou ainda, tendo em vista que o município conta com 51 mil habitantes, calcula-se 490 gramas de lixo orgânico gerado diariamente por rondonense.

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Com tantos detritos, é natural a inquietação no sentido de controlar o volume lançado no aterro por dia para que o local tenha maior aproveitamento e as células sejam melhor utilizadas, expandindo a durabilidade das mesmas.

O engenheiro ambiental da Secretaria de Agricultura e Política Ambiental de Marechal Rondon e responsável técnico pelo aterro sanitário, Marcos José Chaves, menciona que a empresa Inova Ambiental está contratada desde agosto do ano passado para efetuar a coleta do lixo orgânico, assim como a operação do aterro. “O interesse é fazer com que as células durem o maior tempo possível, pois isso significa um gasto a menos para o município no futuro”, diz.

 

Separação

Embora exista o apelo, Chaves ressalta que o rondonense ainda não separa o lixo orgânico da maneira correta e acondiciona o material inadequadamente. “Alguns detalhes muitas vezes ficam por conta de passar água para retirar o excesso de material de bandeja, entre outros, o que é importante porque trabalhadores vão manipular esse material. Outro caso é que alguns itens ditos recicláveis ainda têm pouca comercialização, tornando a reciclagem inviável. Nesse caso vira rejeito e acaba sendo destinado ao aterro sanitário”, expõe.

O engenheiro ambiental enaltece que o rondonense deve se preocupar em selecionar o reciclável do orgânico. “Há quantidade de lixo reciclável a ser retirada pela falta de separação adequada dos cidadãos. Por outro lado, nós consideramos positiva a atuação dessa empresa, pois a compactação dos resíduos está acontecendo de maneira mais adequada pelos equipamentos novos e pela operação diária que oferece mais vida útil para as células que têm duração média de um ano e meio até dois anos, dependendo exatamente do tipo de material que vai para lá e como é operado”, menciona.

O aterro sanitário tem vida útil estimada em 20 anos, portanto teria mais 14 anos e meio, cujo projeto original é comportar 14 células na área, sendo que desde meados de fevereiro vem sendo utilizada a quarta célula. “Tudo vai depender da compactação, se a gente vai conseguir sobrepor as células e aproveitar ao máximo aquele terreno. Findando o espaço tem duas opções. Uma é buscar área próxima para ampliar, o que é um pouco mais simples, pois já existe o impacto e fica mais fácil obter uma licença, incluindo a concordância dos vizinhos. A outra opção é buscar uma nova área, o que sai mais caro e se torna mais difícil. Cada metro cúbico deve ser bem utilizado para pensar daqui muitos anos porque este é um investimento caro. Há municípios na região com aterros encerrados e sem previsão de ter outros e que terceirizaram o serviço ou estão fazendo consórcios para diminuir os custos. Instalar não é tão caro, mas a operação, sim, exige investimentos bem altos”, assegura o servidor da Secretaria de Agricultura e Política Ambiental.

 

Lixo compactado

Ele comenta que as células têm tamanhos variados e a tendência é de que elas comecem a ficar menores daqui para frente. “Para termos essas 14 ou mais é necessário que o resíduo esteja bem separado, o que depende de várias coisas. Uma delas é quanto menos material reciclável melhor a compactação do resíduo, pois o reciclável é volumoso. O isopor só ocupa espaço, além de plásticos que são misturados ao lixo comum e dificultam o processo”, explica.

Segundo Chaves, o lixo orgânico bem compactado possibilita a sobreposição de células ao invés de colocar ao lado, fazendo uma espécie de pirâmide e otimizando o espaço do aterro. “A ideia é de que com uma operação mais eficiente nós passemos a aplicar a sobreposição de células para diminuir o custo. Esta célula tem 4,2 mil metros quadrados de lona impermeabilizada para evitar contaminação. A altura é de cinco metros no talude principal, então a estimativa pela nossa geração e a compactação ideal é fazer durar dois anos, com expectativa de receber 18 mil toneladas, mas também é preciso considerar o aumento da população”, salienta, emendando que “no mês de agosto foi instalada uma balança, uma das melhorias que precisava, além da disponibilização dos postos de monitoramento e da guarita. A finalidade da balança é saber exatamente o quantitativo de lixo orgânico e está bem próximo do que vinha sendo previsto por nós”.

Sobre a recolha, o engenheiro ambiental informa que a mesma é realizada de segunda a sábado no período diurno e de segunda a sexta-feira durante a noite. “Na área central existe coleta de segunda a sexta-feira, nos bairros é dividido por setores e em cada um deles se passa três vezes por semana, nas segundas, quartas e sextas-feiras ou então nas terças, quintas e sábados. A recolha no período noturno se torna eficiente na área central por conta da questão de trânsito e temperatura. Hoje nós temos poucos problemas de reclamação quanto à coleta do lixo orgânico. Nos distritos a coleta ocorre uma vez por semana, sendo que nos distritos maiores o pedido é de que se aumente para duas vezes por semana, o que vem sendo estudado”, detalha.

 

Lei dos resíduos sólidos

No município de Marechal Rondon vigora a Lei dos Resíduos Sólidos, aprovada em 2015, contudo algumas questões ainda não estão regulamentadas. “É uma lei bastante extensa, tratando tudo sobre resíduos e incluindo multas e penalizações para quem a desobedece. Algumas fiscalizações nós já fazemos, como a aplicação de multa às pessoas que jogam lixo em locais inadequados. Nós pedimos que a comunidade se informe sobre onde pode levar os materiais. Tem o Ecoponto que funciona de segunda a sábado no município, então pequenas quantidades de galho, eletrônicos e recicláveis são recebidos nesse local. Não há motivo para jogar lixo em qualquer lugar, o que é crime ambiental e a pessoa pode ser penalizada”, alerta.

Chaves faz menção ao pequeno e ao grande gerador de lixo. “O pequeno é aquele que gera até 200 litros de lixo por dia, caso dos domicílios, pequenos comércios e lixo enquadrado como domiciliar, ou seja, nada de lixo perigoso. Mas temos situações de empresas que geram outro tipo de resíduos, que não devem ir para o aterro e que a própria empresa tem esse ônus de dar a destinação correta. Também há os grandes geradores, que, apesar de não ser um lixo perigoso, não pode ser recolhido pela coleta normal por ser volumoso. Nesse caso a nossa lei deveria ter uma cobrança diferenciada caso os geradores levem esses resíduos até o aterro sanitário”, analisa. “Estamos verificando junto ao jurídico uma lei que crie essa cobrança diferenciada para auxiliar as empresas que desejam destinar e não precisem contratar empresas de fora, mas que também seja justo com quem paga a taxa. Se a gente recebe o material do grande gerador acaba diluindo esse custo para todo mundo pagar e isso não é justo porque o grande gerador precisa ter responsabilidades sobre os custos dos seus resíduos”, acrescenta.

 

Reciclados

Os itens recicláveis são recolhidos pelos agentes ambientais da Cooperagir, somando entre 100 e 120 toneladas ao mês. “Ainda é longe do ideal, mas consideramos positivo na análise com outros locais com uma porcentagem mais baixa do que a nossa. Pretendemos aumentar o incentivo para as pessoas separarem o seu material reciclável, portanto queremos até novembro distribuir sacolas retornáveis para colocar o material dentro delas, o que incentiva as pessoas a uma melhor separação e qualidade do material”, relata o engenheiro ambiental.

“Nós trabalhamos para ter menos itens não reciclados e uma das formas encontradas foi o contrato por produtividade com a Cooperagir. O pagamento por tonelada viabilizou a recolha, cujo exemplo positivo é o do vidro, que aumentou 80%. O quilo do vidro está em R$ 0,04 e com o aporte do município de mais R$ 0,16 acaba virando em R$ 0,20 aos agentes ambientais, que fazem um carregamento mensal para a empresa. Entre julho e agosto foram comercializadas 108 toneladas de recicláveis, das quais 34 eram de vidro. Ainda assim há uma quantidade de rejeitos que os compradores não adquirem, pois infelizmente não existe estímulo para a indústria da reciclagem. Seriam necessários incentivos governamentais como isenção de impostos para melhorar o reaproveitamento e os consumidores se conscientizarem a comprar produtos com menos embalagens, além de dar preferência às embalagens recicláveis”, pontua.

 

Armazenamento inadequado

O encarregado da Inova Ambiental, empresa que atua na recolha do lixo orgânico, Milton Melo Pereira, reforça que o armazenamento permanece inadequado. “O hábito do pessoal é gerar lixo e colocar na rua, quando o certo é colocar nas cestas apenas nos dias de coleta. Isso é um vício porque durante algum tempo não houve regularidade, então as pessoas tinham dificuldade em saber o dia da recolha”, menciona.

“O agravante mesmo é o da separação, pois está muito precário. O pessoal mistura muito produto reciclável em meio ao lixo orgânico, impedindo a reutilização desses itens e prejudicando a compactação no aterro. Há casos onde lixo orgânico e reciclável estão em embalagens separadas, porém são colocadas lado a lado, então na hora da recolha, principalmente à noite, os coletores sentem dificuldade em identificar. O ideal é as pessoas separarem em embalagens e disponibilizar em locais diferentes, tornando fácil a identificação. Como ainda não há uma sacola específica para cada detrito, a identificação é feita pelo peso ou cheiro”, descreve Pereira, lembrando que a empresa roda com dois caminhões e mantém um terceiro como reserva para eventualidades.

Outra questão destacada pelo encarregado da Inova refere-se aos suportes para o acondicionamento, considerados errados, sem falar que muitas pessoas colocam o lixo em caixotes fechados. “No caso das caixas grandes os coletores não conseguem acessar o fundo, sendo necessário virá-las e despejar para depois recolher. Além disso tem o problema do material a granel que fica depositado no fundo desses vasilhames, ocasionando mau cheiro. A responsabilidade pela manutenção dos caixotes é do proprietário ou morador do imóvel. Isso vale para todas as lixeiras, incluindo a limpeza. O correto é depositar o lixo orgânico em uma cesta vazada, facilitando a visualização do material, o que torna mais fácil a manutenção. A nossa sugestão para quem tem bastante volume de lixo é comprar contêiner, pois há modelo específico que o caminhão bascula”, enfatiza.

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