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Marechal

Cadeião de volta ao centro do debate

 

Joni Lang/OP

Atual estrutura comporta 24 pessoas, contudo era ocupada por 120 presos no momento da fuga

 

Depois de um tempo sem rebeliões e com tentativas de fugas frustradas pelos servidores da Delegacia de Polícia Civil e engajamento com a Polícia Militar e Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), 39 presos que respondem pelas mais diversas espécies de crimes ganharam a liberdade após fuga em massa registrada a partir das 02h30 da última segunda-feira (31).

O plano foi originado na ala chamada casão, cujos presos cavaram um buraco na parede e acessaram a ala feminina, local de onde abriram um segundo buraco na parede e se retiraram pelo pátio de uma empresa ao lado da cadeia.

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Ocorre que o assunto que estava adormecido volta a assombrar os rondonenses pelas grandes proporções. Conforme informações extraoficiais, esta seria a maior fuga de presos já registrada na cadeia pública de Marechal Cândido Rondon. O local já foi tema de amplos debates envolvendo sociedade organizada, setores policiais com atuação em conjunto e autoridades políticas. Reuniões foram realizadas anos atrás para discutir a viabilidade de se construir um presídio em regime semiaberto, o que não foi bem-vindo por inúmeras lideranças e acatado pela comunidade.

A grande questão que volta à tona é que a fuga em massa de 39 presos reforça a necessidade de uma nova estrutura para a cadeia pública. Isto porque a atual estrutura já recebeu inúmeras reformas e foi projetada para abrigar 24 pessoas, sendo 18 vagas para homens, quatro para mulheres e outras duas vagas para menores infratores que são apreendidos. De maneira oficial não haveria possibilidade para que uma nova estrutura venha a ser edificada, fazendo com que o cadeião permaneça instalado na Avenida Rio Grande do Sul, praticamente no centro da cidade. A estrutura vem sendo utilizada há cerca de 40 anos.

Aproximadamente 120 presos ocupavam as celas da cadeia pública até a madrugada de segunda-

feira, cujos números comprovam que o cadeião está superlotado em 500%. Até a tarde de ontem (03), a informação era que 16 presos haviam sido recapturados devido às diligências desenvolvidas em conjunto pela Polícia Civil, PM e BPFron, ou então optaram por se entregar. Foram emitidos alertas a toda região para que a polícia seja comunicada assim que forem vistas pessoas em atitude suspeita. Apesar de haver 23 foragidos, ainda assim o cadeião conta com 97 presos, estando acima da sua capacidade.

Além do medo causado pela fuga de presos, o que gera aflição na comunidade rondonense, a população também volta a se preocupar com a possibilidade do aumento no número de assaltos e ações de violência, cujos índices apontavam para um declínio nos últimos meses.

 

Trabalho em conjunto

O delegado de Polícia Civil de Marechal Rondon, Diego Fernandes Valim, ressalta que a atuação de

forma engajada das forças policiais foi fundamental para que se conseguisse recapturar 16 dos 39 fugitivos. Estamos trabalhando para recapturar o maior número possível de foragidos para trazer a segurança de volta à população, que por sua vez fica aflita com esses criminosos soltos nas ruas, admite.

Valim salienta que a força-tarefa reuniu efetivo de Marechal Rondon, sendo que houve policiais de cidades vizinhas que foram comunicados porque, em tese, alguns dos presos também podem ter se evadido para municípios próximos. Todos estão avisados e atentos a possíveis foragidos nessas cidades, diz.

Conforme o delegado, as diligências continuam, tanto que pela manhã de ontem uma das equipes se dirigiu a um endereço onde poderia ter um suspeito, mas não obteve êxito em encontrá-

lo. Pedimos à população para quando encontrar um indivíduo suspeito que pode ser um dos foragidos, para que acione a Polícia Civil pelo telefone (45) 3284-8450 no horário comercial e o 3254-1400 no plantão, ou 190 da PM, para que os policiais verifiquem a veracidade das informações, salienta.

 

Local inadequado

Valim acrescenta que o ideal é de que os presos não estivessem em um setor de carceragem da Polícia Civil. O preso era para estar custodiado pelo Departamento Penitenciário (Depen). A estrutura do Depen seria muito melhor do que um prédio construído para ser uma delegacia de polícia e abrigar cerca de 120 presos, enfatiza. Os presos foragidos em grande parte respondem por tráfico de drogas. As polícias Civil e Militar, assim como o BPFron, estão se desdobrando para recapturar estes elementos. A princípio não devem ter ido muito longe, uma vez que se tratam de presos com poucas condições, finaliza.

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