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Marechal Atividades missionárias

Casa das Irmãs da Divina Providência celebra 50 anos em Marechal Rondon

Com atividades missionárias, pastorais, trabalho em paróquias, hospitais, casas de idosos e trabalho social, Irmãs da Divina Providência levam palavras de esperança, de ânimo e fraternidade para o povo (Foto: Mirely Weirich)

 

“Deus é Pai e providencia o que é melhor para seus filhos. Por isso, ser Irmã da Divina Providência significa ser presença do amor e da ternura de Deus pelo nosso ser e agir”.

Esta é a missão que as irmãs Dionice, Laurinda e Ingrid cumprem na comunidade de Marechal Cândido Rondon. Juntas, elas formam a Casa das Irmãs da Divina Providência no município, fundada em 28 de fevereiro de 1969, por intermédio de dom Armando Círio, então bispo da Diocese de Toledo.

“Nossa madre geral, irmã Dorotéia, estava em Santa Helena e, na época, dom Armando conversou com ela e pediu para que irmãs trabalhassem aqui. Naquele tempo Marechal Rondon estava crescendo, florescendo, foi uma época muito bonita”, conta a irmã Dionice Corrêa de Lyra, de 85 anos, e que há 54 anos dedica sua vida à missão das Irmãs da Divina Providência.

A Congregação das Irmãs da Divina Providência foi fundada pelo padre Eduardo Michelis, em 03 de novembro de 1842, em Münster, na Alemanha. Com quatro cuidadoras e 20 crianças, a congregação surgiu como resposta de fé a uma necessidade da época: o cuidado de um orfanato para crianças pobres e abandonadas.

Junto ao primeiro objetivo, ao longo do tempo se desenvolveram outras atividades nos campos missionário, pedagógico, pastoral, caritativo, administração e manutenção de escolas, jardins de infância, escola de costura e cozinha, trabalho em paróquias, hospitais, casas de idosos e trabalho social.

A congregação cresceu e ultrapassou os limites da Alemanha, estendendo-se para outras partes do mundo. Hoje, além da Alemanha, as Irmãs da Divina Providência estão presentes em países como Holanda, Indonésia, Moçambique, Bolívia e no Brasil, reunindo mais de mil irmãs. “Nossa missão consiste em uma vida de seguimento de Jesus Cristo, o que manifesta-se no serviço apostólico, na comunidade fraterna e na oração”, complementa a irmã Laurinda Ana Raimann, de 65 anos, e que completa nesta semana 43 anos de vida religiosa.

PRESENÇA

A época em que a congregação chegou a Marechal Rondon, a casa das irmãs estava localizada na esquina das ruas Mem de Sá e São Paulo, em frente à Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus. “Ali se iniciou uma pequena missão entre o povo. As duas primeiras irmãs eram alemãs e no início o trabalho era voltado para o ensino religioso junto às crianças do Colégio Cristo Rei, que teve como primeira diretora a irmã Gerthide, além do atendimento às pessoas em casa”, relembra a irmã Dionice.

As pessoas buscavam a casa das Irmãs da Divina Providência para conversar, serem instruídas como em uma catequese, até mesmo para pessoas de outras religiões que desejavam passar para a Igreja Católica, antigamente chamados de convertidos. “A irmã Florianes, mais idosa, sentava na varanda da casa atendendo o povo, dialogando, instruindo. Foi um trabalho que começou simples, mas que teve grande resultado”, menciona.

Padre Eduardo Michelis tinha como premissa que as irmãs devem ser simples, alegres e confiantes e, para Dionice, as primeiras que trabalharam em Marechal Rondon foram detentoras de grande simplicidade, humildade e reciprocidade para com o povo que as acolheram. “Isso é muito marcante em nossa vida porque hoje vemos o carinho que as pessoas têm pelas Irmãs da Divina Providência em toda a comunidade rondonense”, considera.

Irmã Laurinda lembra que, no passado, várias irmãs trabalharam junto à Pastoral da Criança, seguindo o princípio do padre Eduardo. Entretanto, com o passar dos anos, as necessidades em cada cidade foram mudando. “Hoje o trabalho na Pastoral é mais esporádico. Seguimos com a nossa missão de estar presentes na comunidade fazendo visitas aos enfermos e mais necessitados e agora, especialmente, na formação da comunidade do Bairro Boa Vista, na Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que tem vistas futura para a estruturação de uma paróquia e um santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”, compartilha.

Além da participação na comunidade, seja em exéquias ou momentos festivos, as irmãs levam até o povo a palavra de Deus, por meio de orações, da reza do terço e da eucaristia levada até a casa de famílias mais carentes, enfermos e nos hospitais da cidade. “Padre Eduardo dizia que, assim como a palavra de Deus, sem a eucaristia não podemos viver”, salienta a irmã Dionice.

 

Irmã Dionice Corrêa de Lyra, irmã Laurinda Ana Raimann e irmã Ingrid Ivonner Tuchani Amutari formam a Casa das Irmãs da Divina Providência em Marechal Rondon (Foto: Mirely Weirich)

CRUZANDO FRONTEIRAS

A irmã Ingrid Ivonner Tuchani Amutari, de 26 anos, está há cerca de quatro meses em Marechal Rondon. Natural da cidade de Riberalta, na Bolívia, ela está há cinco anos no Brasil, desde que iniciou sua jornada como Irmã da Divina Providência. “Pela história das irmãs que já passaram por aqui, vejo que hoje a missão das Imãs da Divina Providência em Marechal Rondon é de estar presente, não de fazer. De ser presença no meio do povo”, expõe. “Nossa missão é de ser a presença do Deus no meio do povo, de alegria, de simplicidade e com muita esperança. Quando vamos em uma visita ou estamos acompanhando os grupos na matriz ou nas pequenas comunidades, levamos uma palavra de esperança, de ânimo, conversando com as pessoas, partilhando e acolhendo”, complementa.

Irmã Ingrid lembra que aos oito anos de idade foi quando escutou seu chamado pela primeira vez, manifestando a vontade de ser monja – as irmãs contemplativas. “Na época eu não conhecia sobre as irmãs ativas, que estão no convento, mas fazem missões fora, com o povo”, conta.

Por não ter o contato próximo com as Irmãs da Divina Providência, conforme foi crescendo, irmã Ingrid deixou de lado sua vontade, todavia, quando mais jovem, já na faculdade e com outro projeto para sua vida, de constituir uma família, começou novamente a despertar para a vida religiosa. “Eu era bastante engajada nas pastorais, liturgia e catequese, mas dentro de mim algo ainda não estava preenchido. Um dia ouvi os avisos paroquiais falando sobre um encontro vocacional e algo me impulsionou a ir. Lá duas Irmãs da Divina Providência começaram a falar o que era ser uma irmã e dentro de mim novamente despertou esse chamado”, recorda.

Depois de morar três meses com as irmãs em Rondônia, Ingrid decidiu que era essa sua missão: com carisma e espiritualidade, ser testemunho da esperança cristã aos mais necessitados, testemunhando o amor de Deus providente onde estivesse. “Isso me tocou muito porque eu queria servir as pessoas mais necessitadas fora do meu país. É claro que deixar a minha terra, minha família, para entrar em um país com uma língua nova que eu não sabia falar foi um grande desafio, mas eu queria ser o testemunho do amor de Deus e segui minha missão”, compartilha.

Com cinco anos de vida religiosa, irmã Ingrid está nos votos temporários e preparando-se para os votos perpétuos. Os votos são o coroamento de toda uma caminhada, onde o jovem vai dizer por sua própria conta, por sua responsabilidade, que deseja seguir o Cristo. Os votos temporários são exatamente esta antecipação de um desejo definitivo. Os votos perpétuos já representam uma decisão acertada consigo mesmo para assumir o grande gesto de Cristo. “Se me perguntassem se eu gostaria de voltar e fazer diferente, eu digo que não. Faria tudo igual e com toda a alegria”, celebra.

 

HISTÓRIA

Apesar da interrogação dos pais de irmã Dionice, ela seguiu o chamado para ter sua vida na religião. Mesmo tendo nascido em Porto Alegre (RS), foi em Blumenau (SC) que ela cresceu, tendo contato com as Irmãs da Divina Providência. “Estudei e fui professora lá, mas eu sempre tive um desejo de ser melhor. Eu gostei muito das irmãs porque as tinha como princípio ser sinal de esperança. Divina Providência é providenciar, ser uma pessoa que providencia algo não só material, mas na escuta, na acolhida e com seu carinho”, relata.

Já irmã Laurinda nasceu em uma família católica e cresceu junto dos pais trabalhando no campo. Ela conta que em sua casa a família sempre possuía um livro dos Jesuítas, escrito em alemão, que apresentava textos e fotos falando sobre a presença das Irmãs da Divina Providência. “Aquilo me despertou uma curiosidade e eu queria saber o que significava isso, a Divina Providência. Mas foi apenas anos depois, quando fomos morar em Missal, que conheci mais sobre as irmãs, pois elas estavam naquela cidade. Eu fui para a casa da Divina Providência e voltei a estudar e depois de um ano me convidaram para morar no Juvenato, em Curitiba”, comenta a irmã, que, enquanto profissional, foi enfermeira, mas hoje, depois de aposentada, afirma estar em uma missão diferente. “Sou muito feliz. Tento me superar todos os dias, aprendendo coisas novas, sendo presente na comunidade”, complementa.

 

Para recordar: irmã Maria Gerthide foi a primeira diretora do Colégio Cristo Rei e irmã Adelaide atuou como professora do jardim de infância da mesma escola (Foto: Divulgação)

PEREGRINAS

Sem endereço fixo, o trabalho das irmãs é itinerante. De acordo com as necessidades das cidades e municípios, as Coordenações Provinciais direcionam as irmãs para diferentes lugares no Brasil. “Independentemente do lugar onde estamos servindo, temos como prioridade também a vida em comunidade. Vivemos em comunidade fraterna, de oração e partilha de vida. Temos o Dia da Comunidade nas quartas-feiras, para revermos nossa vida, como nos sentimos com a nossa missão e para recreação, porque Deus também nos quer alegres e felizes”, salienta irmã Dionice.

Ela está há seis anos em Marechal Rondon, irmã Laurinda há quase três anos e irmã Ingrid há quatro meses. Todavia, elas lembram que muitas outras Irmãs da Divina Providência passaram por aqui, entre elas a Irmã Leonira (in memorian), a que permaneceu por mais tempo no município: 17 anos. “Todas as irmãs tiveram um papel muito importante, seja na comunidade, junto à escola ou na paróquia, como é o caso da irmã Leonira, que coordenava a catequese, era catequista e tinha um trabalho bastante ativo na Paróquia Sagrado Coração de Jesus”, enaltece.

As irmãs completam que sem o povo não haveria história das Irmãs da Divina Providência em Marechal Rondon. “É por causa do povo que estamos aqui. A comunidade fez e faz a nossa história, por isso só temos a agradecer a nossa paróquia, a comunidade e a todas as irmãs que conosco construíram essa história”, ressaltam.

SEMANA VOCACIONAL

Para celebrar os 50 anos da Casa das Irmãs da Divina Providência em Marechal Rondon, foi iniciada segunda-feira (10) a Semana Vocacional, que segue até sábado (15).

Além das rondonenses, irmãs que já passaram pelo município retornarão para, durante a semana, visitas às comunidades Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, São Lucas, São Francisco e na Matriz Sagrado Coração de Jesus. “As irmãs virão para, junto de nós, visitar as casas de pessoas idosas, enfermas e mais necessitadas, levando a palavra de Deus e motivando para que as pessoas celebrem com mais alegria”, diz irmã Ingrid.

No sábado, na Matriz Sagrado Coração de Jesus, acontecerá uma missa solene pelos 50 anos da Casa das Irmãs da Divina Providência, às 19 horas. Já no domingo, um almoço beneficente, organizado pelo Movimento do Cursilho, encerrará a programação festiva. “Este almoço é por adesão, pois as contribuições serão direcionadas para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae)”, finaliza irmã Dionice.

 

O Presente

 

Muitas Irmãs da Divina Providência já passaram pelo município, entre elas a irmã Leonira (in memorian), a que permaneceu por mais tempo no município: 17 anos (Foto: Arquivo/OP)

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