O Presente
Marechal

Casos de crueldade animal aumentam 45% em Marechal Rondon

calendar_month 30 de outubro de 2020
6 min de leitura

A imagem de um cachorrinho amarrado e amordaçado ganhou as redes sociais nesta semana, causando, ao mesmo tempo, comoção e indignação em muitos rondonenses. O cão foi encontrado neste estado perambulando pelas ruas do Loteamento Augusto, em Marechal Cândido Rondon, na quarta-feira (28).

De acordo com a tesoureira do Grupo de Amparo e Proteção Animal (Gapa) – ONG Arca de Noé, Rosemari Lamberti, trata-se de uma cachorrinha chamada Madonna, que foi adotada na ONG por uma família. “Ela fugiu da casa da família e foi encontrada nestas condições. Ela era super bem cuidada pela família e passou por esse sofrimento. Hoje já está medicada e de volta ao seu lar”, contou ao O Presente.

Contrastando com as ações solidariedade de muitas pessoas em decorrência da pandemia de Covid-19, que deixou muitas famílias vulneráveis economicamente, a crueldade animal tem crescido em Marechal Rondon. “Desde a pandemia, aumentaram em torno de 45% as situações de abando e de maus-tratos. O descaso de algumas pessoas está muito grande. A prioridade é outra e os animais acabam sendo descartados”, destaca Rosemari.

Segundo ela, em cinco dias foram registrados quatro casos semelhantes ao da cachorrinha Madonna. “No sábado (24) de tardezinha um carro foi flagrado por câmeras jogando um cachorro para fora do veículo. No mesmo dia, no Bairro São Francisco, uma fêmea foi recolhida quase degolada com o fio de energia que a mantinha presa; agora, está sob cuidados da ONG. Outro caso não teve final feliz: um cão doente foi abandonado em uma roça, recolhido e encaminhado para atendimento, mas infelizmente não sobreviveu”, lamenta.

Outra situação apontada pela tesoureira da ONG é o descarte de animais de idade. “Recolhemos um pinscher idoso atropelado e uma cachorra com tumor que foi abandonada por um casal. Hoje, eles estão se recuperando”, relata.

Tesoureira da ONG Arca de Noé, Rosemari Lamberti: “Desde a pandemia, o descaso de algumas pessoas está muito grande. A prioridade é outra e os animais acabam sendo descartados” (Foto: Arquivo/OP)

 

ABRIGO

Atualmente, a ONG Arca de Noé está com cerca de 200 animais abrigados. “Há aproximadamente 30 animais em lares temporários, que abrigam animais idosos ou que precisem de algum cuidado específico”, menciona a tesoureira.

Segundo ela, o aporte da ONG vai além do abrigo e também fornece procedimentos aos pets que precisam de apoio. “Realizamos de 150 a 180 cirurgias de castração para cães e gatos, machos e fêmeas, tanto na clínica da ONG quanto em clínica conveniada”, comenta.

 

PROLIFERAÇÃO

Rosemari ressalta que grande parte dos trabalhos é realizada de forma gratuita. “Fazemos castrações sem custo nenhum, justamente para incentivar que as pessoas carentes procurem a ONG, porque são nesses bairros onde há mais proliferação e abandono. Temos pontos específicos na cidade que são problemáticos, alguns bairros onde há famílias numerosas morando em pequenos espaços e com muitos animais, e muitas vezes não se preocupam com os pets”, observa.

 

DOENÇAS PARASITÁRIAS

Outro ponto que merece atenção nesses dias de calor intenso, alerta ela, é a incidência de doenças parasitárias. “Temos um surto de carrapatos, pulgas e parasitas na cidade. Está bem complicado. Estamos fazendo uma campanha nesse sentido, porque isso adoece o animal, leva ao sofrimento e até a morte; também é uma forma de crueldade”, salienta.

A tesoureira da ONG diz que que, com a chegada do verão, problemas desse tipo são intensificados. “As pessoas se preocupam com a dengue, mas esse é outro problema. É importante que cada um cuide do seu quintal, observe, higienize e faça um controle. É preciso ter capricho com os seus animais”, frisa.

 

RESPONSABILIDADE

Além dos casos de abandono e maus-tratos, a Arca de Noé é acionada em casos de animais nas ruas, que atacam e mordem pessoas. “Esse é um hábito muito ruim que as pessoas em Marechal Rondon cultivam. Deixam os pets darem uma voltinha, eles saem e acabam sendo deixados para fora. Ou então, o dono sai para trabalhar, volta à noite e o cão escapa, passa o dia todo na rua. Então, é falta de responsabilidade pelos animais”, aponta.

 

LEIS MAIS RÍGIDAS

No fim de setembro, o Brasil se destacou no cenário internacional ao reforçar a legislação referente aos casos de maus-tratos a animais. Na lei, casos de crueldade, ferimento e abuso a animais passam a ter pena de dois a cinco anos de reclusão, mais multa e proibição de guarda.

Diante do crescente número de crueldades presenciadas em Marechal Rondon, Rosemari tem esperança de melhorias neste cenário diante das novas medidas legais. “Esperamos que com essa lei mais rigorosa as coisas comecem a acontecer, porque a parte da fiscalização tem sido bastante falha. A ONG tem trabalhado bastante sozinha e ela não tem poder para multar ou punir”, enfatiza.

Em algumas abordagens a Polícia Militar (PM) e o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) são acionados para auxiliar, expõe a tesoureira da Arca de Noé. “As forças de segurança vão conosco para que a gente possa enfrentar as situações que aparecem. Recebemos em média de cinco a dez denúncias diárias”, mensura.

 

PAPEL DA COMUNIDADE

Rosemari afirma que mesmo com as leis mais rígidas, é preciso do acompanhamento da população. “O cumprimento das leis depende muito dos governantes e cabe à comunidade cobrá-los”, evidencia.

Ao se deparar com situações de maus-tratos, a rondonense orienta que os munícipes não tenham medo e denunciem. “Se for preciso, que façam até BO (boletim de ocorrência)”, salienta, acrescentando que foi o que aconteceu no caso da cachorra Madonna, quando encontrada amordaçada: “A pessoa que fez isso precisa ser punida. É importante que a justiça seja feita”.

Em casos de abandono, o munícipe pode anotar ou fotografar a placa do carro. “A Arca de Noé também pode ser acionada. Além disso, vale ressaltar para que as pessoas não comprem animais, mas que adotem”, aconselha Rosemari.

A comunidade pode contribuir com a ONG através de doações: Sicoob, agência 4385, conta 693-9. Para saber mais sobre os trabalhos da Arca de Noé basta acessar o grupo da ONG no Facebook (https://www.facebook.com/groups/1015910078449835).

 

Flagrante da cachorra amordaçada perambulando pelas ruas do Loteamento Augusto causou indignação nas redes sociais. Hoje, Madonna está de volta ao lar (Foto: Divulgação)

Pinscher idoso abandonado foi recolhido pela ONG após ser atropelado (Foto: Divulgação)

Na foto, cachorra encontrada quase degolada com fio de energia que a mantinha presa. Atendida pela ONG Arca de Noé, hoje ela se recupera (Foto: Divulgação)

Algumas famílias abandonam seus pets idosos, justo quando eles mais precisam de cuidado. Nas fotos, pinscher encontrado com tumor e, posteriormente, após realização da cirurgia (Foto: Divulgação)

Nem sempre a ONG chega em tempo de salvar o animal negligenciado, como este, encontrado doente em uma roça, sem chance de sobrevivência (Foto: Divulgação)

 

O Presente

Clique aqui e participe do nosso grupo no WhatsApp

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.