O número de casos de dengue em Marechal Cândido Rondon diminuiu drasticamente na última semana. Na primeira semana de março, o município registrou 150 novos casos. Na primeira semana de maio, que finalizou na última sexta-feira (08), os registros marcavam 26 casos da doença. Isso significa que em dois meses houve uma diminuição de 82% no número de casos.
Entre os dias 08 e 15 de abril os casos de dengue obtiveram uma queda significativa, fechando a semana com 98 casos. Isso já representou uma queda de 34% nos casos. Já na semana do dia 16 ao dia 22 de abril a queda foi mais acentuada, indo de 98 para 27 casos, uma redução de 72%.
Dos dias 23 a 30 de abril houve um aumento no total de casos, que subiram para 38. Na semana seguinte, que encerrou na última sexta-feira, a queda foi de 31%, saltando de 38 para 26 casos.
INFLUÊNCIA DO FUMACÊ
O resultado positivo e expressivo se deu, segundo o diretor do Setor de Endemias do município, Sérgio Radke, após o início da aplicação do fumacê na cidade. “Uma semana depois do início da aplicação do fumacê já começamos a sentir a diminuição dos casos de dengue. Nós iniciamos esse trabalho no fim de março. Passamos o fumacê em cinco ciclos, o que significa que cada região recebeu o fumacê cinco vezes, com um intervalo mínimo de três dias. A diminuição dos casos foi muito significativa, sentimos isso rapidamente”, afirma.
Ele informa que a aplicação do fumacê com as bombas nas caminhonetes já foi encerrada. “O que nós deveríamos fazer agora é a aplicação pontual, tentando isolar o local onde houver algum caso de dengue, porém estamos sem inseticida. O inseticida usado no fumacê nós recebemos da 20ª Regional de Saúde, que recebe via Secretaria de Saúde do Estado, que, por sua vez, recebe do governo federal. Ou seja, demora até chegar aos municípios”, relata.

Diretor do Setor de Endemias, Sérgio Radke: “Esse é um momento em que muitas pessoas olham o número de casos caindo e relaxam, mas a vigilância precisa continuar. Meu temor é que tenhamos um repique da doença em maio” (Foto: O Presente)
LIMPEZA DE LOTES E FALTA DE CHUVA
Conforme Radke, o resultado também é fruto do trabalho que a população realizou nos terrenos de suas residências, monitorando possíveis focos da doença. “Outro fator que auxiliou na queda dos casos foi a falta de chuvas”, aponta.
FRIO COMO ALIADO
O clima ameno de outono, bem como as temperaturas frias do inverno, que começa no mês que vem, de acordo com o chefe do Setor de Endemias, geram a expectativa de diminuição de focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Segundo ele, isso se dá porque as larvas, e até os mosquitos não morrem com o frio, mas o mosquito tem uma vida mais difícil. “Obviamente quando temos geada, ela mata os mosquitos e as larvas. As larvas ficam em estado mais lento do seu ciclo. Em um clima normal, o ciclo da larva é de sete dias, de ovo até mosquito, e com o frio ela leva mais de um mês, se a água estiver muito fria, então isso vai eliminando drasticamente a população de mosquitos. A própria atividade do mosquito é menor”, explica.
Ele comenta que a equipe de endemias está realizando um trabalho de eliminação mecânica dos focos de mosquito, que é a varredura nas casas e lotes e as notificações. “Quando existe um caso, mesmo que suspeito, nós deveríamos realizar uma aplicação de fumacê com as bombas costais, mas sem veneno nesse momento não temos condições de fazer. Tecnicamente, todos os objetivos dentro do padrão nós atingimos, todos os índices nós estamos atingindo, mas só isso não basta. Precisamos ter o complemento do inseticida. Meu temor é que tenhamos um repique da doença. O frio irá ajudar a controlar a proliferação de mosquitos, mas a população precisa colaborar também”, salienta.
EXPECTATIVAS PARA OS PRÓXIMOS MESES
Radke enfatiza que as atividades de prevenção devem continuar, indiferente da estação do ano. “Temos cerca de 25 mil imóveis no município. Nosso ano de trabalho é dividido em seis ciclos de dois meses cada. Isso significa que nesses dois meses nós devemos passar em todos os imóveis do município, dar uma geral, para depois de dois meses começar tudo novamente. Nós temos pactuado no nosso Plano Anual de Saúde que em quatro desses seis ciclos nós visitemos mais de 80% dos imóveis. Esse objetivo nós estamos consistentemente atingindo faz tempo”, evidencia.
Segundo ele, o Setor de Endemias teme que com o veranico esperado para este mês haja um repique de transmissão e os números voltem a subir novamente. “A prefeitura e a Secretaria de Saúde têm se esforçado para conseguir o inseticida para que não tenhamos um novo aumento de casos”, frisa. “Se não tivermos o inseticida, lá por setembro, quando começa a esquentar, teremos problemas com a dengue novamente. A dengue sempre vai existir, o que precisamos é lutar para que os casos estabilizem”, ressalta.
EQUIPE TRABALHANDO
Atualmente o Setor de Endemias conta com 38 agentes. “Estamos dentro do que o Ministério da Saúde exige, pelo número de residências que temos em Marechal Rondon”, expõe, acrescentando: “Esse é um momento em que muitas pessoas olham o número de casos caindo e relaxam. Mas isso é porque o trabalho foi bem feito, todavia a vigilância precisa continuar. A epidemia avançou tanto que todo mundo teve alguém na família com dengue. Hoje as pessoas viram que a dengue não acontece só com o vizinho, acontece com todo mundo”, enaltece.
O Presente