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Marechal

Clube Concórdia passa por dificuldades e corre o risco de fechar

calendar_month 15 de novembro de 2019
7 min de leitura

Após 59 anos de existência, o Clube Concórdia, tradicional clube de Marechal Cândido Rondon, passa por dificuldades financeiras e administrativas. Em entrevista ao O Presente, o presidente da comissão provisória de administração do clube, Evandro Wohlemberg, fala sobre os desafios atuais e os planos para o futuro do empreendimento.

Com o desinteresse de gestões passadas em realizar melhorias e modernizações, bem como a falta de um controle mais rígido e detalhado das finanças, clube foi perdendo sócios e ficando com a estrutura desgastada e pouco atrativa. (Foto: O Presente)

 

TEMPOS DE GLÓRIA

Nos tempos de glória, o Clube Concórdia era um dos locais mais procurados e frequentados pela alta sociedade rondonense, por conta de sua estrutura física, localização e de uma forte cultura acerca da utilização de clubes de título, motivado pelo status social que essa prática representava. Com isso, os investimentos estruturais e administrativos eram feitos de uma forma simplificada, tendo em vista o grande número de frequentadores. Segundo Wohlemberg, era comum que um único sócio, com alto poder aquisitivo, custeasse sozinho a reforma e a manutenção dos espaços do clube. “Com o tempo isso foi deixando de acontecer, pois, além da questão cultural, também houve uma mudança financeira por parte das pessoas”, declarou ao O Presente.

A partir dessa mudança cultural, afirma ele, problemas financeiros foram aparecendo e as dificuldades se multiplicando. “A maior arrecadação de verbas do clube hoje provém da locação de espaços para eventos, superando a arrecadação dos sócios”, menciona.

Wohlemberg destaca que o Clube Concórdia é o único localizado na região central de Marechal Rondon, o que, enfatiza, facilita a utilização e locomoção do sócio frequentador por conta de um deslocamento menor. Ele elenca isso como um dos maiores pontos positivos do clube.

Tradicional em Marechal Rondon, Clube Concórdia tem 59 anos de existência. (Foto: O Presente)

 

DIFICULDADES ADMINISTRATIVAS 

De acordo com Wohlemberg, as últimas gestões de administração do clube não se atentaram em fazer melhorias na estrutura física, cuidar das questões econômicas de forma detalhada, bem como manter a ampliar o quadro de sócios. “Um clube não é só pagar um funcionário, água e luz. Precisa ser direcionada uma quantidade de recursos para pagamentos de impostos, reserva de caixa e de manutenção. Tem que ter um valor mensal destinado para isso”, pontua, acrescentando: “Um clube é uma empresa, precisa trabalhar com as locações, com atrativos para manter os sócios frequentando o clube, tem que haver um trabalho de interação com os sócios, porque se não houver esse trabalho, o clube de sócios não funciona. É necessário ter uma administração profissional para que haja manutenção do local”, enaltece.

Com o desinteresse das gestões passadas em realizar melhorias e modernizações, bem como a falta de um controle mais rígido e detalhado das finanças, o Clube Concórdia foi perdendo sócios e ficando com a estrutura desgastada e pouco atrativa.

 

PROPOSTAS E MEDIDAS

Uma das dificuldades apontadas pelo presidente da comissão provisória de administração do clube é o fato da falta de interesse de um sócio tomar a frente das atividades. “É difícil encontrar alguém que trabalhe de graça, é difícil ter a disponibilidade de pegar o clube, trabalhar um mês inteiro sem ser remunerado, ou poucas horas do dia. Muitos deixaram de cuidar melhor do clube devido à falta de tempo”, lamenta.

Conforme Wohlemberg, a proposta da comissão provisória, empossada recentemente, para que o clube não feche é a de realizar um trabalho tanto no aspecto físico, financeiro, quanto social, a fim de aumentar a renda e melhorar a estrutura, mas com o objetivo de passar a administração para uma gestão profissional, de forma remunerada. “Fizemos esse trabalho, tivemos êxito em todas as áreas, mas semana passada tivemos uma assembleia, quando faríamos uma prestação de contas, entregando o cargo, deixando a diretoria à disposição, pois tudo o que pudemos fazer que não precisava do aval da maioria ou de todos os sócios foi feito”, comenta.

Ele reforça que nesse momento o Clube Concórdia precisa resolver pendências que dependem da maioria dos sócios, como o aumento da arrecadação, melhorias e modernização dos clubes e atração de novos sócios. Segundo ele, essas eram as propostas da comissão provisória, porém o desinteresse dos sócios “nos levou a chegar ao ponto de desistir, deixar o cargo à disposição”. “Nessa assembleia as pessoas decidiram que temos até o fim do mês para elas tentarem montar uma diretoria completa e nos dar suporte e apoio para resolver essas questões mais a fundo”, enfatiza.

Outro ponto que pesa no caixa do Clube Concórdia, acrescenta Wohlemberg, são os impostos. O IPTU pago pelo clube em 2019, segundo ele, chegou a R$ 35 mil. “Mesmo com o dobro de sócios e o dobro de renda, o clube ainda teria certa dificuldade para pagar suas contas”, salienta.

O presidente da comissão provisória de administração destaca que se até o fim do mês não for formada uma diretoria, ele não vai mais administrar o clube. “Não há condições psicológicas, nem financeiras. Entre o final de novembro e dezembro pode ser tomada uma atitude drástica. Ou coloca para funcionar as coisas de verdade, os sócios formam uma diretoria e tomam as decisões que precisam ou o Concórdia vai acabar fechando, e não irá fechar pela falta de novos sócios, por falta de estrutura, nem por falta de procura de novos sócios, mas, sim, pela falta de administração”, evidencia.

 

TEMPORADA DE VERÃO

Com as altas temperaturas registradas em Marechal Rondon, as piscinas são um atrativo nos dias quentes, e o Clube Concórdia é muito conhecido na cidade por seu espaço de lazer. A temporada de verão 2019, contudo, ainda não foi aberta, pois, de acordo com Wohlemberg, a água utilizada para encher a piscina – 1,4 milhão de litros – provém do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), e com a pouca quantidade de chuva nos últimos meses e o risco iminente de um racionamento, “não conseguiremos ter água, não só para encher a piscina como também para mantê-la”, informa.

O presidente da comissão provisória de administração do clube menciona que nos meses fora da temporada de verão, a piscina fica cheia de água, com peixes dentro, para que estes mantenham a água e a piscina limpas, sem ter problemas com o mosquito da dengue. “Quando abre a temporada da piscina, ela é lavada, o que acaba gastando uma grande quantidade de água também”, pontua.

 

TÍTULO TEMPORÁRIO

Conforme Wohlemberg, a proposta de título temporário para essa temporada de verão é de R$ 500 por família. “É um valor que possibilita usar a piscina durante toda a temporada de verão. Hoje, a temporada se mantém até que 35% dos sócios estejam utilizando. Baixando esse número, a abertura da piscina se torna inviável por conta dos custos de manutenção”, expõe.

Atualmente, o Clube Concórdia não possui mais títulos à venda e os temporários estarão disponíveis apenas após a confirmação da abertura da piscina para a temporada de verão 2019/2020. “A única forma de adquirir um título hoje é através de repasse de outro sócio que tenha o título e não tenha mais interesse”, finaliza.

 

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