O Presente
Marechal

Com 75% da população imunizada, cenário da Covid-19 se estabiliza em Marechal Rondon

calendar_month 6 de novembro de 2021
8 min de leitura

A saúde rondonense já passou por momentos delicados devido à Covid-19. Com dados epidemiológicos que oscilam diariamente, hoje Marechal Cândido Rondon respira bons ares, com números baixos e estáveis, comparado aos de tempos atrás. “Vejo um cenário positivo. Marechal Rondon está com pouco mais de 20 casos ativos e essa média se mantem há um tempo. É uma realidade bem diferente da que presenciamos alguns meses atrás, quando os números de casos ativos não baixavam de 200”, enaltece a secretária de Saúde, Marciane Specht.

Ao O Presente, ela atribui o avanço da vacinação como principal motivo para a melhora dos números. De acordo com Marciane, 75% da população apta a vacinação tem o esquema vacinal completo. “O índice de pessoas vacinadas nos leva à diminuição dos casos, à não evolução dos casos positivos para um estado grave e, consequentemente, com possibilidade de evoluir para óbito por conta da doença”, frisa. Confira a entrevista completa.

 

O Presente (OP): Como você avalia o atual cenário da Covid-19 em Marechal Rondon? Pode-se dizer que os números indicam “o começo do fim” da pandemia?

Marciane Specht (MS): Vejo um cenário positivo. Marechal Rondon está com pouco mais de 20 casos ativos e essa média se mantem há um tempo. É uma realidade bem diferente da que presenciamos alguns meses atrás, quando os números de casos ativos não baixavam de 200. A pandemia ainda durará alguns meses, pois ainda temos países subdesenvolvidos que, pela dificuldade de aquisição de imunizantes, estão com índices baixíssimos de vacinação, fato bem diferente do que acontece em nosso município, Estado e país, onde a porcentagem da população imunizada é grande.

 

OP: Com os casos de Covid-19 em uma margem decrescente, temos a reabertura gradual de atividades com público em Marechal Rondon. O que esperar daqui para frente?

MS: Acreditamos que o cenário continue sendo positivo, mas isso só por conta do avanço da vacinação. Caso contrário, a tragédia poderia ter sido ainda maior.

 

OP: O desmonte do Hospital de Campanha pode ser entendido como um sinal de “segurança” quanto ao não agravamento dos números da Covid-19?

MS: Sim. Felizmente não foi necessário usá-lo. Ficamos “no quase” por algumas vezes. A abertura do Hospital de Campanha dependia da ocupação total dos leitos da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), que eram 20 para esta finalidade. Atualmente, isso está longe de acontecer. Com a imunização das pessoas, os sintomas dos infectados com o coronavírus são cada vez mais leves.

 

OP: Outubro de 2021 foi o segundo mês com menos mortes por Covid-19 (seis óbitos) em Marechal Rondon, perdendo apenas para janeiro (dois). A que se deve essa redução?

MS: A diminuição nos números de casos e mortes é um reflexo da efetividade e segurança da vacinação contra a Covid-19. Quanto mais avançarmos na vacinação, menos pessoas contrairão o coronavírus e adoecerão, consequentemente diminuirão os riscos de agravamento da doença.

 

OP: O mês de outubro também apresentou os menores índices de casos ativos de coronavírus do ano (79 casos ativos no pico e 37 no dia com menos casos). O que representa esse número menor de pessoas com possibilidade de transmitir a Covid-19?

MS: A transmissão do vírus está baixa, porque as chances de uma pessoa imunizada contrair a doença são menores. Como em Marechal Rondon a adesão da população adulta para vacina está em quase 100%, acaba refletindo na baixa contaminação.

 

OP: O percentual da população rondonense vacinada contra a Covid-19 está dentro do preconizado? O índice é um fator para a amenização dos casos de coronavírus e, especificamente, dos óbitos pela doença?

MS: A população rondonense é estimada em torno de 54 mil pessoas, mas a população apta para a vacinação contra a Covid-19 acima de 18 anos é de 40.101, segundo dados estimados pelo Sistema IPM Saúde, com base em cadastramento de pessoas conforme norteia o Programa Previne Brasil. Com os dados atualizados no dia 29 de outubro, 28.931 pessoas já realizaram a segunda dose e 1.220 realizaram a dose única, perfazendo um total de 30.151 pessoas com o esquema vacinal completo, representando 75,2% da população. É um bom número, mas ainda temos muitas pessoas que deixaram passar o prazo de receber a segunda dose e acreditam que somente a primeira dose é suficiente ou tiveram alguma reação adversa leve e têm medo de realizar o reforço. Vale ressaltar que não tivemos nenhuma reação grave à vacina, que impossibilitasse a pessoa de realizar a segunda dose. Houve somente as reações esperadas que atingem parte da população vacinada, como dor no local da aplicação, cefaleia e dor no corpo. Poucos têm febre e raramente diarreia e vômito. Parte dos 24,81% da população que está apta e não completou o esquema vacinal ainda não está em tempo de reforço com a segunda dose. Os estudos que temos até então em relação à Covid-19 prezam que, para existir resposta de imunização coletiva (conhecida popularmente como imunização de rebanho), é necessário ter entre 70% e 85% da população imunizada, de modo que a transmissão se reduza a números próximos de zero, mesmo naqueles que eventualmente não realizaram o esquema vacinal por qualquer razão. Atualmente, já atingimos esse percentual em Marechal Rondon, comprovando que os epidemiologistas e infectologistas estavam certos nos números calculados, uma vez que tivemos queda significativa na transmissão e os cidadãos vacinados prestam uma imunidade de barreira (não transmitindo) a outros. Portanto, sim: o índice de pessoas vacinadas nos leva à diminuição dos casos, à não evolução dos casos positivos para um estado grave e, consequentemente, com possibilidade de evoluir para óbito por conta da doença.

 

OP: Qual é o perfil do público que não retornou para tomar a segunda dose?

MS: Atualmente, o público entre 60 e 64 anos é o que menos tem procurado os pontos de vacinação para a segunda dose em Marechal Rondon. Ainda assim, todas as faixas etárias devem se atentar aos dias de vacinação e de reforço da segunda dose para completar o esquema vacinal conforme preconizado.

 

OP: A terceira dose está tendo bastante procura?

MS: Sim. A procura está grande, porém, ainda não há vacina para todos que estão no prazo indicado receber a dose reforço, pois, de momento, estamos recebendo um quantitativo pequeno de dose.

 

OP: Quanto ao público adolescente, a procura pela vacinação está dentro do esperado?

MS: Para a população dos 12 aos 17 anos existe uma estimativa de 4.278 pessoas a serem vacinadas. O valor de 1.387 adolescentes já vacinados, em dados de 29 de outubro, perfaz um total de 32,4% vacinados com a primeira dose. Em proporção às faixas etárias ofertadas, este número representa uma boa procura pela vacinação.

 

OP: Qual é a orientação aos pais que estão na dúvida se vacinam ou não os seus filhos maiores de 12 anos?

MS: Eles podem ficar tranquilos, porque a vacina é, sim, segura e eficaz. Ela passou por inúmeros testes e estudos em milhões de jovens e adolescentes pelo mundo, comprovando ter uma boa resposta imunológica. Recentemente novas idades, inclusive, foram adicionadas às categorias de alta segurança para aplicação da vacina. Em breve a faixa estária entre cinco e 11 anos deve chegar ao Brasil e, se houver autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), como já ocorreu nos Estados Unidos, onde o CDC (órgão equivalente a Anvisa) recomendou a aplicação vacinal, este público deve ser vacinado em Marechal Rondon também. A imunização atualmente é a única forma segura e comprovada para evitar o agravamento da doença na população contaminada, reduzir a transmissão comunitária e, assim, retornar gradualmente para a normalidade das atividades sociais. Sabe-se, ainda, que estudos sobre tratamentos de pacientes contaminados estão em curso, inclusive no Brasil, mas, até o momento, somente a vacina evita a não progressão da doença. Se todos estão com a resposta imune pronta na memória das células, produzida pela vacina, o vírus tem menor chance de se propagar, pois ocorre uma rápida reação do organismo em combatê-lo. Portanto, sim, vacinas salvam vidas.

 

OP: É possível prever uma data de quando todos os rondonenses estarão imunizados (ou a grande maioria)?

MS: Não, ainda não é possível prever quando todos estarão imunizados em razão do recebimento das doses acontecer de maneira gradual.

 

OP: Já se fala em vacina permanente da Covid-19 ou a população terá que se vacinar continuamente?

MS: Não se tem certeza se haverá uma vacina permanente para a Covid-19, a exemplo da vacinação contra a H1N1.

Secretária de Saúde de Marechal Rondon, Marciane Specht: “A pandemia ainda durará alguns meses, pois temos países subdesenvolvidos que, pela dificuldade de aquisição de imunizantes, estão com índices baixíssimos de vacinação, fato bem diferente do que acontece em nosso município, Estado e país, onde a porcentagem da população imunizada é grande” (Fotos: Raquel Ratajczyk/OP)

 

PROGRESSÃO DOS CASOS ATIVOS DE COVID-19 EM MARECHAL RONDON

(Fonte: Imprensa de Marechal Rondon)

 

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