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Marechal

Com combustível caro, rondonenses buscam alternativas para economizar

calendar_month 9 de novembro de 2021
12 min de leitura

Ultimamente, o assunto está presente em todo o lugar: em casa, nas rodas de amigos, no trabalho e até mesmo na fila do supermercado. Já virou até piada para muita gente, mas a graça termina quando chega a hora de ir ao posto de gasolina.

Desde o início do ano já foram ao menos 13 reajustes anunciados pela Petrobras no preço do diesel, com dez altas e três reduções, enquanto que a gasolina subiu 11 vezes e teve quatro reduções.

A alta da gasolina no acumulado do ano chega a 73,4%. Já o diesel acumula alta de 65,3% no mesmo período.
Somente em outubro a Petrobras aumentou duas vezes a gasolina e o gás de cozinha nas refinarias. O primeiro aumento, de 7,2%, aconteceu no dia 09, enquanto a última elevação nos preços passou a vigorar no dia 26 do mês passado e foi de 7,04 para gasolina e de 9,15% para o diesel.

Atualmente, o preço médio da gasolina nos postos de Marechal Rondon é de R$ 6,70. O etanol é encontrado nas bombas em média por R$ 5,69. Já a média de preço do diesel é R$ 5,29.

A rapidez com que os aumentos ocorrem afeta de forma contundente o orçamento de muitas famílias que dependem de veículo para trabalhar ou simplesmente para seguir a rotina do dia a dia.

 

Aperto no orçamento

O coordenador de danças folclóricas Darci Vitor Kamphorst utiliza seu veículo todos os dias para se deslocar aos locais de aula. Ele conta que há cerca de um ano gastava aproximadamente R$ 350 por mês. “Hoje gasto em torno de R$ 500 para fazer o mesmo trajeto”, comenta.

Segundo Kamphorst, além do preço da gasolina que impacta no orçamento, vários outros produtos também aumentaram de preço, como, por exemplo, a carne. “A carne hoje está cara e aquele churrasco de todo o fim de semana não tem mais”, pontua.

Por conta de tantos aumentos, o rondonense afirma que é preciso fazer malabarismo para ajustar o orçamento. “Tem que se adaptar diminuindo outros gastos e apertar o cinto, senão o dinheiro não dura até o fim do mês”, expõe.


Darci Vitor Kamphorst, coordenador de danças folclóricas: “O Brasil deveria investir em refinarias para que a nossa gasolina fosse mais barata, afinal, somos produtores” (Foto: Divulgação)

 

Alternativas

Para driblar os constantes aumentos do combustível, muitas pessoas estão trocando o carro por modelos mais econômicos ou até mesmo optando por uma motocicleta, em razão da economia em termos de consumo e do baixo custo de manutenção, bem menor que um veículo de quatro rodas.

As motocicletas se tornaram as queridinhas de muitos rondonenses. Basta andar pelo centro da cidade para perceber o grande número, principalmente de motonetas movidas a gasolina com até 125 cilindradas.
A resultado de tantas vantagens é percebido nas revendas, que tiveram aumento na procura por esse tipo de meio de transporte nos últimos meses, devido especialmente ao alto preço da gasolina.

Conforme o diretor da Kaefer Motos de Marechal Rondon, Rolf Kaefer, muitas pessoas que possuem carro adquirem uma moto com a intenção de economizar. “As pessoas estão deixando o veículo em casa e utilizando a motocicleta como um meio de transporte alternativo”, comenta.

De acordo com Kaefer, algumas empresas também estão optando pelas duas rodas para diminuir as despesas. “Elas estão optando por não ter tantos veículos de quatro rodas e utilizando a moto nos trajetos urbanos para fazer entrega, o que reduz bastante o custo dessas empresas”, menciona.

Ele conta que há casos de famílias que possuíam dois veículos e a alternativa encontrada para economizar foi vender um dos carros e comprar uma motocicleta. “A motocicleta proporciona um custo baixo com combustível, uma manutenção barata em comparação a um carro, sem falar na agilidade, facilidade para estacionar e guardar em casa”, enumera.


Rolf Kaefer, diretor da Kaefer Motos: “Muitas pessoas estão percebendo que a conta para ter um carro está ficando muito alta, não somente por causa do combustível, mas em razão da manutenção, que também está mais cara” (Foto: Divulgação) 

 

Economia maior

Apesar das motocicletas proporcionarem um alívio no bolso de muita gente, existem ainda quem aposte nas motonetas elétricas para ajudar no orçamento familiar.

Esta foi a opção escolhida pelo rondonense Douglas Eduardo Gomes, que há duas semanas trocou sua motocicleta de 160 cilindradas por uma scooter movida a energia elétrica. “A elétrica já era uma opção há muito tempo, mais fui amadurecendo a ideia, estudando mais sobre elas e conversando com quem já tinha para saber sobre os prós e contras e se estavam contentes”, relata.

Com a antiga motocicleta, Gomes fazia em média 30 quilômetros com um litro de gasolina, já a autonomia da motoneta é de 80 quilômetros com uma carga de quatro horas. “O aumento do combustível foi determinante na decisão, pois como usava a moto para ir ao trabalho e para passeios de fim de semana, não vi vantagem em manter um veículo assim em casa”, explica.

O empresário, que é dono da Império Casinhas de Criança, investiu cerca de R$ 12 mil para comprar a scooter e a utiliza para buscar matéria-prima junto a fornecedores. “A scooter elétrica me dá conforto, praticidade, economia e me leva para qualquer lugar da cidade da mesma forma que a motocicleta”, enaltece.

A economia se torna ainda maior para Gomes devido ao sistema de energia solar existente em sua residência. “Procuro sempre fazer as recargas durante o dia, quando estou usando o carro, então meu custo é zero”, relata.
Mesmo para quem não possui energia solar em casa para recarregar a bateria, segundo o empresário, as scooters elétricas são uma boa alternativa para economizar. “Acho que não vão se arrepender, mesmo com um gasto a mais na conta de luz”, sugere.

O rondonense pontua que a atenção e os cuidados no trânsito devem ser os mesmos de quem utiliza motocicletas a gasolina. “Segurança é sempre importante, pois as elétricas são velozes como outras motos a gasolina. O uso de capacete e o respeito às leis de trânsito são fundamentais para que não vire bagunça e o governo acabe taxando essas scooters e tirando essa liberdade de ir e vir com custo baixo”, observa.


Douglas Eduardo Gomes e a esposa Angélica: “Quando andei pela primeira vez com a scooter não tive dúvida, estava pagando impostos e combustíveis à toa” (Foto: Divulgação)

 

Maior procura

A elevação do preço dos combustíveis tem tornado cada vez mais comum a troca de veículos movidos a gasolina por motonetas ou bicicletas elétricas.

Segundo o proprietário da Franciosi Multimarcas, Samuel Franciosi, recentemente outros três clientes seguiram o exemplo de Gomes e trocaram a tradicional motocicleta por uma scooter movida a bateria. “As vendas estão aumentando gradativamente por conta do preço dos combustíveis e até mesmo porque hoje as pessoas têm mais conhecimento a respeito dos veículos elétricos”, opina.

Franciosi é importador de motonetas e bicicletas elétricas de diversas marcas e modelos. “Além de atender para o consumidor final, a empresa distribui para lojistas em toda a região Sul do país”, menciona.


Samuel Franciosi, sócio-proprietário da Franciosi Multimarcas: “Acredito que as vendas das elétricas devem aumentar porque muitas pessoas estão percebendo as inúmeras vantagens que elas trazem” (Foto: Divulgação)

 

Principais vantagens

Além da economia com combustível, as principais vantagens das motos elétricas, conforme o empresário, são o baixo custo de manutenção e a praticidade em áreas urbanas. “A pessoa não precisa ficar parando em fila de trânsito e consegue manter uma velocidade baixa, porém constante”, comenta.

Ele acredita que a procura pelos modelos elétricos deve se manter, especialmente em virtude da necessidade de readequação dos orçamentos em muitas famílias. “Quem tem vai indicando para outras pessoas e isso deve manter as vendas elevadas”, prevê.

 

Lucro na bomba

De acordo com o gerente comercial da Gmaxx Rede de Postos, Djaeimes Darrem Glaser, houve uma queda significativa no período pós-pandemia, e desde então, o movimento nos postos não se recuperou. Sobretudo, segundo ele, devido aos altos custos dos combustíveis. “A tendência é diminuir mais o consumo, pois o consumidor tende a diminuir seus deslocamentos”, sugere.

Conforme Glaser, o ticket médio, ou seja, a média de abastecimentos em 2019 na unidade da rede em Marechal Rondon foi de R$ 57,72 para 15,21 litros de combustível, enquanto que neste ano a média é de R$ 78 para 13,52 litros. “Em valores, houve um aumento de 26%, entretanto, em quantidade houve uma queda de 11%”, explica.

Na prática isso significa que o consumidor está colocando menos gasolina no tanque e pagando mais pelo produto.
O gerente conta que houve também redução de cinco pontos percentuais na margem de lucro da rede. “Aí você pega o aumento dos custos operacionais, que não foi pouco, a queda de consumo e a queda da margem bruta e repensa sobre seu negócio”, enfatiza.

Glaser diz que houve uma forte queda no consumo de etanol em virtude do alto preço de revenda. “O etanol deve equivaler a 70% do preço da gasolina e hoje não conseguimos oferecer esse produto a essa equivalência”, explica.

Segundo ele, o problema começou em 2020, quando no auge da pandemia as commodities caíram drasticamente e as usinas passaram a produzir mais açúcar que etanol. Desde então, elas mantiveram esse ritmo, pois o mercado sustentou essa mudança. “Mesmo com a safra da cana, os preços pouco caíram, até porque a geada afetou muito a produção e a mesma não foi o esperado. Assim, vale aquele velho ditado da lei da oferta e procura: se a oferta é baixa e a procura é alta os preços tendem a subir”, aponta.


Ticket médio, ou seja, a média de abastecimentos em 2019 em Marechal Rondon foi de R$ 57,72 para 15,21 litros de combustível, enquanto que neste ano a média é de R$ 78 para 13,52 litros (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Desvalorização do real

O diretor administrativo da rede de postos Grupo Azul, Jean Marcel Zimermann, devido às unidades estarem localizadas em rodovias, houve aumento no movimento de clientes este ano em comparação a 2020 por conta da diminuição das restrições da pandemia. “O nível de venda está se aproximando ao de 2019 e maior que 2020, porém, percebemos uma diminuição de pedidos para completar o tanque”, relata.

De acordo com Zimermann, os postos sofrem bastante com o aumento de preços dos combustíveis. “A venda poderia ser maior e acaba ficando mais restrita e o fluxo de pessoas na loja de conveniência acaba diminuindo. Além da maior necessidade de capital de giro, que aumentou muito”, declara.

A crise causada pela pandemia, enaltece o diretor, provocou a elevação de todas as commodities que são precificadas em dólar. “Não faz sentido ser diferente no comércio globalizado atual”, opina.

Todavia, para ele, o que mais impacta no preço dos combustíveis é a desvalorização do real em relação ao dólar e o aumento da fatia de ICMS cobrada no valor final. “O qual mantém sua alíquota, mas sofre um aumento constante de sua base”, observa.


Jean Marcel Zimermann, diretor administrativo da rede de postos Grupo Azul: “A margem de todos os postos diminuiu bastante e os custos subiram” (Foto: Divulgação)

 

Expectativas

Na opinião de Glaser, não existe perspectiva de redução dos preços dos combustíveis a curto prazo, a não ser que hajam ações por parte do Poder Público.

Uma delas, de acordo com ele, seria a alteração por parte do Governo do Estado na alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “E passar a aplicar sobre o custo Petrobras e não o preço de venda final ao consumidor, pois isso reduziria o preço da gasolina em R$ 1”, explica.

Outra saída para a redução dos combustíveis no Brasil seria o aumento da produção de petróleo no mercado internacional.

Para isso, conforme o gerente comercial, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e os países aliados liderados pela Rússia, responsáveis por ditar o preço do barril de petróleo em grande parte do mundo, precisariam rever a produção. “Neste momento ela está com sua produção em baixa e isso eleva o preço das commodities”, ressalta.

Zimermann também não acredita na redução dos preços dos combustíveis a curto prazo, principalmente em razão do valor da moeda norte-americana. “O governo precisa dar uma clara sinalização que vai parar de gastar mais do que arrecada e o Congresso precisa aprovar a reforma administrativa. Isso daria perspectiva de valorização do real e consequentemente reduziria os preços dos combustíveis”, avalia.


Djaeimes Glaser, gerente comercial da Gmaxx Rede de Postos: “O movimento nos postos não se recuperou e a tendência é diminuir mais o consumo, pois o consumidor tende a reduzir seus deslocamentos” (Foto: Divulgação)

 

Vários fatores implicam no aumento

Vários fatores implicam no aumento do preço dos combustíveis, mas, os principais deles são o valor do petróleo no mercado internacional e a desvalorização do real frente ao dólar.

A cotação do petróleo e o dólar vêm sofrendo maior influência sobre os preços de combustíveis no Brasil por conta da mudança ocorrida em 2016, quando a Petrobras passou a praticar o Preço de Paridade Internacional (PPI), que se baseia nas flutuações do mercado internacional.

Mesmo com tantos aumentos, os preços praticados pela estatal no Brasil ainda se encontram defasados em relação ao mercado externo. A diferença chega a 20% na gasolina. Na prática isso significa que vem mais aumento pela frente.

 

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