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Marechal

Com números clonados, golpes voltam a ser aplicados via WhatsApp em Marechal Rondon

calendar_month 31 de dezembro de 2019
6 min de leitura

Moradores de Marechal Cândido Rondon e região têm convivido no decorrer deste ano com a clonagem de números de celulares, o que permite aos criminosos a aplicação de golpes via WhatsApp.

Um dos primeiros casos foi registrado em meados do mês de abril, quando o número de uma pessoa bastante conhecida na cidade foi clonado e a partir disso um indivíduo mal-intencionado encaminhou mensagens aos contatos da vítima solicitando o depósito de quantias em dinheiro na forma de suposto empréstimo com devolução posterior.

Outras situações ocorreram no mês de setembro por meio de perfil fake no WhatsApp que iniciava conversa com as vítimas e trocava nudes via WhatsApp e depois uma outra pessoa aparecia exigindo dinheiro para evitar a divulgação do teor das conversas e das imagens. Tais casos resultaram no registro de boletins de ocorrência junto à Delegacia da Polícia Civil, cujo acusado passou a ser investigado por tentativa de estelionato.

 

Engenheiro civil Pedro Haag: “No meu caso tive de aguardar 12 horas para acessar o WhatsApp novamente, sendo que nesse intervalo quem clonou o meu número entrou em contato com diversos contatos solicitando dinheiro, mas ninguém ‘caiu’” (Foto: Joni Lang/OP)

 

ENVIO DE CÓDIGO

O engenheiro civil rondonense Pedro Haag anunciou tempos atrás um item no site de compra e venda OLX, sendo que em seguida foi solicitado via mensagem SMS a confirmação do código recebido para a partir daí validar o anúncio. “Repassei o código, mas na hora o WhatsApp parou de funcionar, foi quando percebi ter caído em um golpe e então comecei a alertar as pessoas conhecidas”, conta.

“Não tive prejuízo, somente transtornos. No meu caso tive de aguardar 12 horas para acessar o WhatsApp novamente, sendo que nesse intervalo quem clonou o meu número entrou em contato com diversos contatos solicitando dinheiro, mas ninguém ‘caiu’”, relata o empresário.

Entre outras vítimas, um rondonense que atua na área de varejo conta que caiu no golpe, há poucos dias, a partir da clonagem do número de um amigo seu, que trabalha como vendedor. “O clone do número do meu amigo entrou em contato comigo dizendo que estava com problema no celular e pediu se poderia enviar um SMS com um código para eu passar para ele. Fiquei desconfiado, pensei em fazer algumas perguntas para testar se realmente era ele, mas achei que poderia ficar ofendido pela desconfiança. Acreditei que não daria em nada, então cai na bobeira de passar o código”, diz.

“Depois meu celular tocou com um número estranho, reiniciei o telefone e percebi que não conseguia mais acessar o WhatsApp. Após um tempo tentando entender a situação meus contatos começaram a entrar em contato comigo explicando que o meu clone solicitava SMS para eles, além de depósitos em dinheiro usando meu WhatsApp. Um contato recebeu mensagem de pedido de R$ 1,3 mil emprestado. Na mesma hora publiquei anúncio de alerta no Facebook e enviei e-mail solicitando bloqueio do meu WhatsApp. Por fim liguei aos meus contatos e sugeri para me retirarem dos grupos e cuidarem para não cair em um golpe e nem passar SMS”, expõe.

O rondonense comenta que tentou registrar boletim de ocorrência (BO), porém sem sucesso por não ter conseguido contato telefônico com a Delegacia da Polícia Civil, responsável por investigar os crimes cibernéticos, a exemplo dessas ocorrências. “Procurei realizar BO via internet, mas não encontrei a área de crimes cibernéticos. Em resumo, como eu não tinha ativado a verificação em duas etapas o aplicativo WhatsApp bloqueou minha conta, de modo que fiquei sem WhatsApp durante uma semana, incluindo o Natal. A minha sugestão é que as pessoas ativem a verificação em duas etapas no item configurações e não enviem SMS com código”, orienta.

 

Empresário do ramo de tecnologia, Ralf Drechsler: “Reforço a sugestão de ativar a verificação em duas etapas ao clicar em configurações e no item conta no WhatsApp, bem como sair das sessões do WhatsApp Web via aparelho celular em caso de desconfiança” (Foto: Joni Lang/OP)

 

FERRAMENTA IMPORTANTE

Empresário do ramo de tecnologia, Ralf Drechsler destaca que a verificação em duas etapas é uma ferramenta bastante importante que algumas empresas utilizam, a exemplo do Google e da Apple. “Você cadastra um código de sua escolha e na eventualidade de precisar cadastrar um novo dispositivo o recurso pede a senha criada. Se o número for clonado e não tiver a opção de dupla verificação ativada o WhatsApp será utilizado pelo clone. Agora, se você colocou uma senha de proteção extra, além de clonar o número é preciso ter esta segunda senha para jogar o WhatsApp clonado no outro aparelho, gerando dificuldade para o criminoso. Outra dica é excluir remotamente as conexões, inclusive bloquear, portanto essas ferramentas ampliam a segurança do dono do aparelho e impedem que a conta seja clonada”, orienta.

Drechsler salienta que os golpes via SMS que clonam as contas de WhatsApp são comuns na região. “Sei de várias pessoas que se tornaram vítimas, contudo é possível prevenir. Além disso, este tipo de golpe não acontece por meio de uma invasão, ou seja, sem o consentimento das pessoas. O golpe ocorreu porque a pessoa autorizou de alguma forma, foi enganada por meio de um link, mas não existe possibilidade do aparelho ser clonado sem que a vítima tenha fornecido algum tipo de informação”, pontua.

“Provavelmente não foi a OLX que enviou o SMS, porque o Mercado Livre (ambos sites de venda na internet) também foi citado em golpes similares a estes. Quando a pessoa libera o código, geralmente vinculado a uma operadora ou aplicativo WhatsApp, ela faz a autorização. Recomendamos que antes de confirmar qualquer coisa o cidadão verifique as fontes da informação. Se fizer cadastro, a OLX vai enviar e-mail juntamente de um SMS ou vai telefonar e no aplicativo ou site haverá informação de que o seu anúncio está sendo validado, então é bom acompanhar na plataforma do aplicativo se existe solicitação referente a isso. OLX e Mercado Livre não pedem código para validar informação, no máximo validação de conta e comunicam previamente o que vão enviar. Algumas pessoas caem no golpe porque parecem ser os sites que enviaram, por isso deve ser prestado atenção e verificada a origem da plataforma”, ressalta.

Outra sugestão é o usuário clicar na parte superior da conversa no WhatsApp para conferir quem é o contato, uma vez que ali aparecem número e imagem. “Se a pessoa tiver dúvidas, melhor ignorar a mensagem e acessar um canal oficial, portal da empresa ou telefonar. Reforço a sugestão de ativar a verificação em duas etapas ao clicar em configurações e no item conta no WhatsApp, bem como sair das sessões do WhatsApp Web via aparelho celular em caso de desconfiança”, finaliza Drechsler.

 

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(Foto: Joni Lang/OP)

 

 
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