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Marechal Isolamento social

Como proteger a saúde mental em meio à pandemia de Covid-19? Psicóloga rondonense dá dicas

Psicóloga Silvana Nardello Nasihgil: “Saber quantos são os contaminados, quantos já morreram, quantos ainda podem morrer só cria um pânico interior que não contribui em nada. Serenidade e bom senso é o que está em alta no momento” (Foto: Divulgação)

Acostumadas a uma vida de agito, repleta de interações sociais e contato humano, as pessoas de repente se veem isoladas em suas residências sob risco de contágio viral em grande escala. A ameaça é grande e as incertezas ainda maiores.

O novo coronavírus trouxe uma realidade inédita para os brasileiros: o isolamento social. Ficar em casa, sem encontrar os amigos ou visitar os avós, sem ir ao trabalho e eventos, é uma medida considerada urgente e necessária pela saúde pública para conter o pico da pandemia que atinge o Brasil e o mundo. Nestes dias, especialistas têm alertado que o importante é cumprir as regras e cuidar para que a mudança temporária do comportamento social não abra espaço para pensamentos negativos crescerem, assim como a angústia, o medo e a apreensão, seja pela questão da doença em si como seus complicadores, principalmente o aspecto financeiro.

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Para a psicóloga Silvana Nardello Nasihgil, um dos princípios fundamentais a esse enfrentamento é a tomada de consciência como um apaziguador de emoções. “Precisamos conhecer as razões que nos levam a estar isolados neste momento, a gravidade disso e entender as necessidades de tais medidas. Esse é o foco neste momento, pois o entendimento pode nos tranquilizar”, declarou ao O Presente.

Conforme a profissional, é de suma importância pensar na coletividade. “Alguns consideram erroneamente a Covid-19 como uma gripe comum. Este não é o caso e as recomendações devem ser atendidas, não só por si, mas pelos outros. É hora de acomodar o desespero. Sabemos o que devemos fazer para superar essa crise de saúde”, pontua.

Silvana diz que as pessoas não podem esquecer que se trata de uma condição passageira. “O convívio social está rompido apenas por um período de tempo e em breve superaremos esta adversidade. É possível enfrentar com mais tranquilidade se reconhecermos o caráter transitório desse problema”, enfatiza.

 

BOMBARDEIO DE INFORMAÇÕES

Neste momento, destacam especialistas, o uso excessivo das redes sociais pode ser angustiante. Eles salientam que é preciso ter cuidado e medir o tempo para não fazer uso das mídias de forma obsessiva, com o consumo exagerado de conteúdo informativo, mas também de fake news que propagam o pânico.

Silvana orienta como estratégia para o equilíbrio psicológico desligar-se das notícias focadas na epidemia. “A população já tem as informações fundamentais sobre o coronavírus. Sabemos o que está ao nosso alcance e temos motivações para agir em conformidade ao que nos recomendam. Então, talvez seja o momento de se afastar desse constante bombardeio de notícias que nos cerca”, opina.

Um agravante, conforme a psicóloga, é que muitas das informações que trazem tormento e pânico nem sempre são verídicas. “Não precisamos ficar o tempo todo se contaminando com as notícias relacionadas ao coronavírus e se desesperando. Desliguem-se um pouco. Façam isso em nome da saúde mental”, frisa.

De acordo com a profissional, diante de tantas informações referentes à pandemia há pessoas que estão surtando e outras, ironicamente, ficando vazias pelo excesso de conhecimento. “Saber quantos são os contaminados, quantos já morreram, quantos ainda podem morrer só cria um pânico interior que não contribui em nada. Serenidade e bom senso é o que está em alta no momento”, evidencia.

 

CRISE FINANCEIRA

Um dos principais aspectos que está mexendo com a saúde mental da população é a eminente crise econômica em decorrência dos tantos estabelecimentos comerciais fechados, atividades reduzidas e negociações adiadas. Silvana ressalta que um dos artifícios para lidar com essa situação da melhor maneira possível é pensar no coletivo. “Vai ser difícil para todo mundo: trabalhadores, empregadores e empresas. Muitos negócios vão quebrar, é fato. Contudo, o que vale frisar é que todos estão sofrendo com isso, não é um fato isolado. Precisamos admitir a dificuldade em nível mundial, não apenas localmente. Não é algo restrito a Marechal Cândido Rondon ou região. Todas as pessoas serão afetadas economicamente”, destaca.

Ela acrescenta que ao levar a situação para o lado positivo, a valorização da vida é o que pode salvar a saúde mental nessas circunstâncias. “Colocar a vida em primeiro lugar é fundamental nesse momento. Não adianta se angustiar pelo futuro financeiro. O essencial é prezar pela saúde e depois correr atrás do prejuízo”, sugere.

 

FAMÍLIA

Apesar de todas as complicações, a psicóloga afirma que em âmbito familiar esta é uma circunstância ímpar. “Muitas famílias tinham discordância de horários, sempre trabalhando e nunca conseguindo ficar juntas. Nesse momento, estão todas juntas, e é uma oportunidade ímpar.

Devemos evitar brigas e discussões do passado para não estragar o momento. A hora é de união e o tempo de isolamento em família pode ser usado para fortalecer as relações. Tente olhar para os outros, ouvir e acolher. Costumamos viver no automático e esse momento quebrou com o padrão. Muitas vezes do sofrimento nascem coisas incríveis em termos de amor, afetividade e estreitamento dos laços”, entende.

A rondonense aconselha que as famílias com crianças e adolescentes tenham um cuidado especial. “Precisamos nos atentar à mensagem que passamos para os menores sobre a pandemia. Precisamos passar segurança e conforto para eles, dedicando um momento para ouvi-los, visto que podem haver muitas informações os rondando e eles podem não estar dando conta emocionalmente”, indica.

 

TEMPO

Outro fator, segundo Silvana, muitas vezes usado como desculpa no dia a dia, a falta de tempo, deixou de ser um problema. “Não há estimativa sobre quanto tempo essa situação vai durar, mas o ponto é aproveitar essa oportunidade para ser mais humano, aflorar o que temos de melhor dentro de nós mesmos”, enaltece. “O momento é de construir pontes. Antigamente, o isolamento acontecia literalmente quando necessário, mas hoje temos muitas ferramentas que nos unem mesmo estando afastados. Não podemos apenas descansar e dormir durante esse período quando há a chance de usar esse tempo para um crescimento individual. Temos muitas coisas que conseguimos desenvolver dentro de nossas casas para estimular a mente, o emocional, o intelecto. Use seu tempo para contatar familiares, amigos; realizar pesquisas, descobrir coisas; faça atividades que sempre ficam de lado. Aproveite esse tempo de isolamento a seu favor, cresça como ser humano”, ressalta.

 

O Presente

 

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