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Marechal Crianças e adolescentes

Conflitos familiares lideram atendimentos do Conselho Tutelar de Marechal Rondon

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Consumo de bebidas alcoólicas e substâncias químicas por menores em festas, casos de violência, evasão escolar e envolvimento com tráfico de drogas estão entre as principais ocorrências atendidas pelos conselheiros tutelares de Marechal Rondon (Foto: O Presente)

Jaimer Tasso, Vandernice Fabiane Tischer (Nice), Edemilson Sidnei Inhoatto (Mano), Ana Paula Müller e Adriana Paula Heep Chichock foram empossados no dia 10 de janeiro como conselheiros tutelares de Marechal Cândido Rondon para a gestão 2020/2023. Por meio de votação interna do colegiado, Tasso foi escolhido como coordenador e Mano como vice-coordenador.

Em entrevista ao O Presente, Tasso comentou sobre a expectativa dos trabalhos para a gestão, que, conforme afirma, promete ser trabalhosa. “Reconhecemos o trabalho dos conselheiros antigos, que fizeram a sua parte. Contudo, ainda há muita coisa a ser feita e cabe a nós contribuir para o bom andamento dos serviços e atendimentos, zelando os direitos das crianças e dos adolescentes e prestando aconselhamento aos pais e responsáveis. Fomos eleitos para isso”, enaltece Tasso, acrescentando que a população precisa conhecer os trabalhos realizados pelo Conselho Tutelar (CT). “Precisamos estar unidos em prol de um bem comum”, ressalta.

Edemilson Sidnei Inhoatto (Mano), Adriana Paula Heep Chichock, Vandernice Fabiane Tischer (Nice), Jaimer Tasso e Ana Paula Müller: conselheiros tutelares que atuarão até 2023 em Marechal Rondon (Foto: O Presente)

 

DIA A DIA

A fim de aproximar munícipes e fazê-los conhecer o cotidiano do CT rondonense, Tasso detalha o funcionamento dos atendimentos, informando que os conselheiros estão à disposição durante o dia na sede do Conselho, situado à Rua Espírito Santo, número 889, e à noite eles trabalham em forma de plantões. “Não importa a hora que a ocorrência acontecer, o Conselho Tutelar estará atuante para verificar e tomar as medidas cabíveis na situação”, enfatiza. “Nós averiguamos todas as ocorrências recebidas, doa a quem doer, custe a quem custar”, emenda o coordenador.

Os atendimentos, de acordo com ele, são feitos pessoalmente, por telefone 45 3284-2273, 99935-2136 ou pelos disque 100 e 181, em caráter de segredo de Justiça. “Ainda não temos muitos dados em relação aos atendimentos, visto que estamos iniciando a nossa gestão. Contudo, percebe-se que a demanda é bastante grande”, expõe.

Segundo Tasso, o primeiro passo após a realização de um atendimento feito pelos conselheiros é acionar pais ou responsáveis da criança ou adolescente em questão.

“Eles são notificados e advertidos sobre a situação. Após isso, o acompanhamento segue e quando há necessidade o caso é encaminhado para a Promotoria, Vara da Infância e da Juventude ou à Rede de Proteção”, explica Nice Tischer, que atua há quatro anos como conselheira e foi a única reeleita do colegiado anterior.

Ela garante que o princípio das ações é acolher sem julgamentos. “É um serviço gratificante por saber que estamos ajudando pessoas. Trata-se de um trabalho conjunto de todos os conselheiros, Rede de Proteção e demais entidades, todos zelando pelos direitos da criança e do adolescente, segundo as atribuições presentes no artigo 136 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, pontua.

Coordenador do Conselho Tutelar, Jaimer Tasso: “Nós agimos na mediação de conflitos, tentando primeiramente resolver na conversa para somente depois partir para outros métodos. Atualmente, a maioria desses casos é solucionado desse modo” (Foto: O Presente)

 

PARCEIROS

São parceiros do Conselho Tutelar rondonense as secretarias municipais de Assistência Social, Esporte e Lazer, Saúde, Educação, Mobilidade Urbana e o Conselho Municipal dos Direitos das Crianças (CMDA). Os casos especiais são encaminhados para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Atendimento à Família (CAF) e Centro de Referência de Assistência Social (Cras), bem como, quando necessário, ao Núcleo Maria da Penha (Numape) e ao Núcleo de Estudos e Defesa de Direitos da Infância e da Juventude (Neddij), na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Além disso, órgãos de segurança pública também auxiliam e são auxiliados pelo CT: Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Ministério Público e a Vara da Infância e Juventude.

 

PRINCIPAIS OCORRÊNCIAS

Dentre as principais ocorrências atendidas, conforme Tasso, estão os conflitos familiares. “São situações de pais divorciados que ainda não conseguiram resolver questões como a guarda dos filhos. É preciso de bom senso de ambas as partes para que o menor não seja prejudicado. Nós agimos na mediação de conflitos, tentando primeiramente resolver na conversa para somente depois partir para outros métodos. Atualmente, a maioria desses casos é solucionado desse modo”, salienta o coordenador.

Nice diz que também são atendidos muitos casos de violência, evasão escolar, problemas ou auxílio com documentação e vacinas, adolescentes gestantes e jovens envolvidos na rota de tráfico de entorpecentes ou que desenvolveram vícios. “Atendemos crianças, pré-adolescentes e adolescente, até mesmo em idades superiores, tanto meninos como meninas”, menciona o coordenador do CT.

Nice acrescenta que são recebidas muitas denúncias de festas em que menores fazem uso de bebidas alcoólicas e substâncias químicas. “Somos chamados para resolver essas situações. Hoje existe uma cultura prejudicial para a família: os adolescentes costumam sair de casa sem dizer para onde estão indo. Nesse sentido, acabam acolhidos por familiares ou amigos sem sequer avisar os pais. Frente a isso, os responsáveis nos contatam para encontrar o menor. É complicado e triste o desespero vivido nesses momentos. É preciso atenção: se os pais não abraçarem seus filhos, o mundo os abraçará”, alerta a conselheira.

Vandernice Fabiane Tischer (Nice), única conselheira tutelar reeleita: “Hoje existe uma cultura prejudicial para a família: os adolescentes costumam sair de casa sem dizer para onde estão indo” (Foto: O Presente)

 

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