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Marechal

Conhecida como “cidade das lombadas”, Marechal Rondon tem 57 “quebra-molas” somente nas duas principais avenidas do município

calendar_month 21 de dezembro de 2021
6 min de leitura

Quem circula pela Avenida Maripá, em Marechal Cândido Rondon, se depara com 22 lombadas ao longo dos 4,2 quilômetros de extensão da via. Já ao longo dos 5,4 quilômetros da Avenida Rio Grande do Sul são 35. As ondulações transversais, mais conhecidas como lombadas ou “quebra-molas”, têm razão e objetivo para marcarem presença no trânsito. É o que afirma o secretário de Mobilidade Urbana, coronel Welyngton Alves da Rosa. Segundo ele, as lombadas são um instrumento para redução de velocidade e a implantação delas passa por critérios técnicos. “Os critérios para implementação desses obstáculos no trânsito estão previstos na resolução 0600 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito)”, destaca ao O Presente.

 

Desejo coletivo

A análise prévia para implantação de uma lombada depende, primeiramente, de um pedido de instalação, que deve expressar o desejo coletivo e não individual. “Todos os moradores da rua devem se manifestar favoráveis ou contrários à instalação do obstáculo. O pedido chega à Secretaria de Mobilidade Urbana e nós verificamos a viabilidade técnica”, explica Welyngton.

Uma vez considerada apta, a solicitação é encaminhada à Secretaria de Viação e Obras, que encaixa a instalação do equipamento na agenda de serviços da pasta. “Cerca de 30 dias antes, o local é sinalizado com placas e indicações sobre a lombada ou travessia elevada que a comunidade terá ali em breve. Desse modo, o munícipe vai se acostumando e evitam-se acidentes com o instrumento já instalado”, menciona o secretário.

 

Pedidos descartados

Ele ressalta que a pasta tem zerado os pedidos recebidos. “Somos a administração que menos fez lombadas em Marechal Rondon. Quando assumimos, em 2017, havia mais de 90 pedidos de lombadas para serem instaladas e, dentro da viabilidade técnica, a grande maioria foi descartada por não cumprir com os requisitos”, salienta.

Segundo Welyngton, algumas solicitações pediam a instalação de lombadas próximas a bueiros, cruzamentos, em aclive ou declive, o que não confere viabilidade. “Muitos pedidos são individuais e, muitas vezes, os outros moradores da rua onde a lombada é solicitada são contra a instalação. Fizemos essa limpeza de pedidos e instalamos aquelas que realmente eram necessárias”, assegura.

 

Reduzem a velocidade

A Secretaria de Mobilidade Urbana constata que, efetivamente, a velocidade dos veículos diminui sensivelmente em vias com lombadas. “Ela é um obstáculo para esse abuso de velocidade. Porém, verificamos também que, muitas vezes, o motorista migra dessa rua para outra que não tem obstáculos, causando o excesso de velocidade em outras vias”, lamenta.

O chefe da pasta reforça que cabe à municipalidade a sinalização das vias, enquanto a fiscalização fica a cargo da Polícia Militar (PM). “Não podemos implementar outros meios de diminuição da velocidade, como radares eletrônicos e travessias elevadas monitoradas”, expõe.

A segunda maior notificação emitida pela PM em 2020 foi o artigo 162, ou seja, dirigir sem habilitação. Essa grande incidência, considera o secretário, explica algumas reclamações referentes à organização do trânsito no município. “A gente ouve reclamações de motoristas que nem habilitados são. Essa incidência é grande em Marechal Rondon e motoristas inabilitados andam em alta velocidade, desrespeitam preferenciais, ultrapassam em locais proibidos e cometem outras infrações”, enaltece, acrescentando que a comunidade solicita que obstáculos sejam instalados nas vias para se proteger desses comportamentos.

 

Estratégias

Alguns bairros ou ruas têm, repentinamente, uma alta nos pedidos para instalação de lombadas, observa Welyngton. Para evitar muitos quebra-molas em um só lugar, ele destaca que há outras estratégias aplicáveis. “Verificamos a situação e, por vezes, avalia-se que a quebra da preferencial pode resolver, porque assim não há um longo trecho de via para desenvolver altas velocidades. Aliada a uma ostensiva sinalização, a quebra de preferenciais tem surtido muitos efeitos e, desse modo, temos eliminado muitos pedidos de lombadas na cidade”, relata.

Além da eficácia, o secretário diz que esse trabalho é até mais econômico para Marechal Rondon.

Secretário de Mobilidade Urbana, Welyngton Alves da Rosa: “A lombada é um obstáculo para o abuso de velocidade. Porém, verificamos que, muitas vezes, o motorista migra dessa rua para outra que não tem obstáculos, causando o excesso de velocidade em outras vias” (Foto: Bruno de Souza/OP)

 

Rotatórias estão presentes no trânsito rondonense há nove anos

Nas duas das principais vias urbanas de Marechal Rondon são encontradas nove rotatórias, sendo sete na Avenida Rio Grande do Sul e duas na Avenida Maripá. Em um tamanho diferenciado de outras cidades, o secretário garante que elas têm o papel de transformar cruzamentos perigosos em travessias mais seguras. “A rotatória é um instrumento de sinalização de trânsito que transforma a segurança de um cruzamento. Antes, geralmente, duas vias tinham de dar a preferência e com a rotatória são quatro vias dando preferência”, aponta.

Ele frisa que as rotatórias se destacam porque não é preciso ficar parado para fazer o cruzamento e a indicação de “dê a preferência” faz com que o fluxo de veículos seja norteado para todos os lados. “Esse instrumento aumenta a visibilidade do cruzamento, melhora a circulação e é utilizado em Marechal Rondon desde 2012, quando começaram as primeiras instalações”, relembra.

 

Força do hábito

Assim como os obstáculos para redução de velocidade, Welyngton afirma que as rotatórias diminuem sensivelmente o número de acidentes no cruzamento. Apesar do seu benefício, ele menciona que as pessoas demoram para se acostumar com a mudança no trânsito.

“A via preferencial deixa de ser preferencial e o condutor precisa dar a preferência para os quatro lados da rotatória. Pelo hábito da comunidade, infelizmente as pessoas têm certa resistência em parar inicialmente. Com o passar do tempo, as rotatórias implantadas há um ou dois anos têm índice zero de acidentes de trânsito”, enaltece.

Nas duas das principais vias urbanas rondonenses são encontradas nove rotatórias, sendo sete na Avenida Rio Grande do Sul e duas na Avenida Maripá  (Foto: Bruno de Souza/OP)

 

Intervenções

Apesar das grandes obras previstas para o meio urbano de Marechal Rondon, com intervenções nas avenidas Maripá, Rio Grande do Sul e Írio Welp, por enquanto o rondonense não deve esperar muitas lombadas novas.

O secretário de Coordenação e Planejamento, Alisson Ostjen, informa que há apenas uma travessia elevada prevista para o prolongamento da Avenida Írio Welp. “Não se costuma incluir a implantação de lombadas já no projeto”, salienta.

No que diz respeito a novas rotatórias, o trecho a ser remodelado da Avenida Rio Grande do Sul deve ter quatro novas rotatórias.

Secretário de Coordenação e Planejamento, Alisson Ostjen: “Não se costuma incluir a implantação de lombadas já no projeto de obra” (Foto: Bruno de Souza/OP)

 

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