“Quem canta seus males espanta”, já diz o ditado popular. E quando esse canto é em coro, então, a mudança no estado de espírito é maior ainda. Engana-se quem pensa que o canto coral é simplesmente o ato de juntar pessoas para cantar. Não é exatamente assim. Nos encontros são desenvolvidas técnicas, repertórios e estilos – e tudo isso acontecendo naturalmente. Afinal, a dinâmica de participar desta atividade desenvolve no indivíduo a capacidade de socialização, laços de amizade, consideração, respeito e, claro, aprimoramento à própria audição.
Em Marechal Cândido Rondon, o Coro Feminino Girassol é bastante engajado. De acordo com a criadora e organizadora, Claudia Zanchet, o grupo nasceu de um sonho comum entre mulheres: cantar em coro. Inicialmente, ela conta que os ensaios eram realizados nas dependências do Colégio Evangélico Martin Luther, onde as participantes eram incentivadas e instruídas pela maestrina Rosângela Clivati. “No nosso primeiro encontro, no dia 14 de setembro de 2019, mais de 20 mulheres se reuniram para um projeto que ainda estava para se estruturar, mas que já continha sonhos grandes”, comenta ao O Presente.
Após dois meses de formação do coro, elas foram convidadas para participar de um evento alusivo às festividades de fim de ano no município. Na ocasião, elas cantaram a música tema do grupo: Girassol, da Kell Smith. A canção define o objetivo principal, que é cantar as coisas belas de ser mulher. “Cada um precisa exercer o seu papel em favorecimento da coletividade, resultando na harmonia perfeita. Só aquele que percebe o que está acontecendo a sua volta com atenção é capaz de saber o tom, o tempo e o timbre certo da música”, enaltece Cláudia.
Desafios
O embalo da primeira apresentação foi contagiante. As mulheres estavam bastante ativas e fervilhando com inúmeros projetos em mente, até que em fevereiro de 2020 foram surpreendidas pelas incertezas da pandemia. No entanto, isso não foi um impedimento para a suspensão das atividades. Elas ergueram a cabeça e embarcaram na onda do virtual. “Fizemos ensaios on-line com a professora Rosângela e técnica vocal com o professor André Herysson, de São Paulo, especialista em fisiologia da voz cantada. Além disso, participamos de gravação de um vídeo da nossa música”, expõe Cláudia.
Em meio à febre das lives, o grupo foi convidado para participar de uma apresentação virtual do Espaço Musical Rosângela Clivati, em Toledo, ainda em 2020. Já no dia 03 de outubro elas também soltaram as vozes na live solidária “Doe brinquedos e faça uma criança feliz”, no Teatro Municipal de Toledo.
Em 2021, o coral completou dois anos de formação e encerrou o ano participando de momentos do Outubro Rosa na subseção rondonense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e também do Novembro Azul a convite do Núcleo e Conselho da Mulher Empresária de Marechal Rondon, ligada à Associação Comercial (Acimacar). “Seguimos para nos conectarmos à afável energia e à beleza do cantar que o coro nos proporciona. Continuamos com o vigor da luz solar captada pelas pétalas amarelas do girassol e convictas que vale a pena, pois aqui sempre ‘areja um vento bom’”, celebra Cláudia.

Significativo e belo
Quem participa do coro feminino afirma que a prática melhora o ouvido musical e a técnica vocal, além de enriquecer a cultura geral. Guisleine Roesler Sabka faz parte do grupo desde o início. Ela se vê fazendo parte de algo significativo e belo. “Sempre gostei de coral, pois meus pais faziam parte do coral da igreja. Aos 13 anos comecei a participar e permaneci até os 18 anos. Depois de tanto tempo longe, o coro resgatou minha intimidade com a música”, comenta a administradora de empresas.
Além de aprender técnicas relacionadas à arte do canto coral, ela diz que desenvolve a sua sociabilidade, o que facilita em suas relações dentro e fora dessa atividade. “Exercemos a nossa coordenação, consciência corporal e aguçamos o nosso auditivo. No coral cada uma de nós se esforça para dar força às outras no intuito de sermos uma só voz”, enaltece.
Guisleine frisa que todas as apresentações do grupo foram marcantes. “Desde a primeira apresentação até os eventos on-line, todos os momentos foram gratificantes diante da fase que ainda estamos passando. Nunca vou esquecer”, declara.

Acalma a alma
Aposentada, Elisabeth Roncaglia faz parte do Coral Feminino Girassol desde 2019. Ela conta que a sua vida toda sempre foi ligada à música. “Estudei piano por muitos anos e atualmente faço aulas de flauta transversal. Quando fiquei sabendo do coral fui logo buscar informações para ver se poderia participar. Comecei, adorei e não larguei mais”, menciona.
O amor é tanto que Elizabeth canta dentro e fora dos ensaios. “Volta e meia me pego cantando em casa, no carro e até mesmo na rua. Tenho medo de pensarem que estou louca, mas cantar é uma delícia. Alivia a alma. É uma atividade gratificante”, evidencia, acrescentando que a prática do coro melhora o estresse, mata saudades e afasta a tristeza. “A pandemia atrapalhou um pouco os ensaios, mas voltamos a nos reunir usando máscaras, o que também dificultava, mas conseguimos tirar isso de letra”, ressalta.
Elizabeth enfatiza ainda que não existe idade para cantar. “É uma atividade para todos e que não exige nenhum grande investimento, como, por exemplo, aquisição de um instrumento. O nosso instrumento maior já nascemos com ele: a nossa voz. E esta pode ser educada com exercícios vocais ao longo da nossa vida”, acentua.

Como participar
Para o coral, um mais um é sempre mais que dois. Por isso, Cláudia convida as mulheres rondonenses para integrarem o grupo. “Não há necessidade de saber cantar, pois a professora nos ensina a técnica vocal, ritmo, coordenação, musicalização e leitura de partituras”, incentiva.
Atualmente, o Coro Feminino Girassol se reúne no auditório do Tribunal do Júri do campus rondonense da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), nos primeiros e terceiros sábados do mês, das 08h45 às 10h30. O valor de investimento é R$ 120 mensal. “As demais despesas, como uniforme e transporte, também são por nossa conta”, destaca Cláudia.
O Presente