Marechal Mais aumor, por favor!

Cresce 43% em Marechal Rondon resgate de animais em estado de abandono ou maus-tratos

(Foto/arte: Sidnei Lós/O Presente)
  • Voluntária da ONG Arca de Noé, Rosemari Lamberti: “Em épocas de férias e fim de ano, muitos viajam e abandonam seus animais à própria sorte. As pessoas talvez não percebam, mas estão dando péssimos exemplos a seus filhos. Animal não é lixo, não é descartável”. (Foto: O Presente)

  • Declaradamente apaixonada por cães, Morgana Bolsoni Francisco adotou quatro nos últimos seis anos, todos da rua. Na foto, a moradora com a Maria. (Foto: Arquivo Pessoal)

  • (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • Cachorro com tumor. (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • Prenha e abandonada. (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • Acredite! É um cachorro. (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • Infestada de carrapatos. (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

  • (Fotos: Divulgação/Arca de Noé)

Cachorros acorrentados em pátios imundos, cadelas e gatas prenhas jogadas nas ruas à própria sorte, filhotes desnutridos, adultos infestados de pragas. Essa é uma realidade cada vez mais recorrente em Marechal Cândido Rondon, município que se tornou exemplo no combate ao abandono e maus-tratos de animais no Oeste do Paraná, mas que neste ano está sofrendo uma epidemia. Os dados mostram que cada vez mais cães têm sido abandonados pelos seus tutores ou responsáveis, mas o pior: por trás desses números aparece o lado desleal e insensível das pessoas, uma realidade cheia de desamor, desrespeito e irresponsabilidade pelos animais.

“Arca de Noé atendendo muitas denúncias, casos de abandono cada dia aumentando. Muito descaso e falta de respeito pela vida. Animais jogados ao abandono, sem abrigo, amarrados em corrente curta sem poder se ajudar, sem água, comida ou higiene. Final de ano chegando e a história se repetindo”, desabafou pelo Facebook a tesoureira da ONG Arca de Noé, Rosemari Lamberti, ao publicar uma série de fotos de animais abandonados e maltratados. “Falta de amor”, completou.

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De janeiro até 27 de novembro deste ano, a ONG Arca de Noé e seus poucos voluntários já fez 293 resgates de animais em estado de abandono ou maus-tratos. Isso representa 43% a mais do que o registrado em todo o ano passado, quando 205 resgates foram feitos pela entidade. As fotos que ilustram essa reportagem são reais e tiradas em alguns dos resgates feitos neste ano.

Rosemari explica que as pessoas gostam dos animais filhotes, mas não têm noção de que esses animais precisam de cuidados e amor por dez, 15 anos ou mais. “Enquanto filhotes, os cães e gatos são adoráveis aos olhos de muitas pessoas, principalmente das crianças, que convencem seus pais a comprar ou adotar um animal. No entanto, ‘esquecem’ que são seres vivos, que vão crescer. Até um ano de idade, os animais são como bebês, como crianças. Eles dão trabalho, geram despesas, precisam de cuidados a todo momento, muita atenção e amor”, enaltece a voluntária.

Na medida em que o tempo passa, aquilo que o dono do animal achava que era amor e carinho se esgota. Entra em cena o mais infiel dos amigos, o mais perverso companheiro. Uma vida de cão se instala. Correntes para todos os lados, nada de banhos, locais sem higiene, pouca comida e água, zero carinho, carrapatos e pulgas aos punhados. Resta se coçar, latir, se coçar de novo, tentar dormir, mas ter que se coçar.

Ainda, sim, é o abandono o lado mais insensível daquilo que aos olhos do bichano aparentava ser uma parceria. Quando ficam mais velhos ou ficam doentes, quando mais precisam, destaca Rosemari, cachorros e cadelas são levados para longe de suas casas, em estradas rurais, bairros distantes e até para outras cidades, onde são despejados e ignorados. “Os idosos e doentes são os mais abandonados. É triste”, lastima a tesoureira da Arca de Noé. Diante de tais atitudes, seus donos expressam o mínimo de compaixão pela vida, nada de piedade pelo sofrimento, nada de medo pela morte. Sem arrependimentos, voltam para suas casas e continuam suas vidas como se nada demais acabaram de fazer.

As situações em que esses animais infortunados são encontrados são das piores possíveis, conta Rosemari. Cães e gatos, sem distinção, em situações degradantes, como a que ocorreu na manhã de quinta-feira (28). Três gatos recém-nascidos foram resgatados dentro de uma lixeira. “Eles estavam sufocando dentro de uma sacola plástica. As pessoas descartam como se o animal fosse lixo. É muita maldade, muita crueldade”, revolta-se.

Voluntária da ONG Arca de Noé, Rosemari Lamberti: “Em épocas de férias e fim de ano, muitos viajam e abandonam seus animais à própria sorte. As pessoas talvez não percebam, mas estão dando péssimos exemplos a seus filhos. Animal não é lixo, não é descartável”. (Foto: O Presente)

 

TEMPORADA DO ABANDONO

Para piorar os números, a temporada do abandono está só começando. A voluntária da ONG comenta que na época de férias de fim de ano o abandono dos bichinhos aumenta muito. Ela diz que as pessoas pensam em si, mas esquecem da responsabilidade que precisam ter com os animais. Os abandonos acontecem o ano todo, mas nessa época aumentam. Infelizmente todo ano a história se repete. Parece que o descaso e a falta de amor e responsabilidade do ser humano com os animais só aumenta. As férias ainda nem começaram e neste ano a Arca de Noé já recolheu 293 animais. Vamos passar de 300, infelizmente, contra pouco mais de 200 no ano passado. Estamos batendo um triste recorde”, lamenta.

Ruim para os bichos, péssimo para a educação dos mais novos, sustenta a voluntária. “Em épocas de férias e fim de ano, muitos viajam e abandonam seus animais à própria sorte. As pessoas talvez não percebam, mas estão dando péssimos exemplos a seus filhos. Animal não é lixo, não é descartável. Então, antes de viajar e curtir sua merecida folga, pense nos focinhos e arrume umas boas férias para eles também”, orienta.

De acordo com a rondonense, a infraestrutura, os recursos financeiros e de pessoal da ONG são escassos para tantos casos que acontecem a cada fim de ano. No entanto, a entidade recebe denúncias e as encaminha para os órgãos fiscalizadores. “A Arca de Noé, demais colaboradores e protetores independentes não têm condições físicas e financeiras para assumir esses animais. Somos todos voluntários, e cada um precisa ter responsabilidade. Estamos de olho. Abandono de animais é crime previsto por lei”, lembra. “Para alguns, férias de verão, para muitos animais, tempo de sofrimento”, enfatiza.

 

ONG AJUDA A CASTRAR OS ANIMAIS

A tesoureira da Arca de Noé, Rosemari Lamberti, afirma que o problema pode ser minimizado com um pouco de responsabilidade dos tutores em castrar os animais, evitando novas ninhadas e o inchaço das ruas. Mas muitos nem isso fazem. O custo da castração em uma clínica veterinária é uma das desculpas (vale lembrar que um animal vem com o pacote completo: vacinas, castração, dieta de boa qualidade etc.). Para ajudar com a castração, a ONG subsidia 50% dos custos em clínica parceira no município. “A gente pode melhorar essa situação evitando novas crias. Para isso, a ONG cobre metade dos custos de castração. É só procurar a gente”, salienta. Para cães, o valor já subsidiado fica em torno de R$ 200. “É caro, mas ninguém falou que seria barato. Por isso, pense muito bem antes de comprar ou adotar um animal”, frisa.

“Muitos não se dão conta e deixam criar. Ao invés de um animal, terão seis, sete, oito”, pontua Rosemari, destacando ainda a importância de castrar gatas. “Tem que castrar principalmente as gatas, que entram no cio a cada três meses e geram de cinco a seis filhotes a cada cria”, informa.

Desde sua criação, a ONG já fez mais de 5,7 mil castrações em animais. Quem quiser ajudar a Arca de Noé com doações em dinheiro ou ração pode acessar o site arcadenoemcr.org.br ou ainda encontrar a ONG no Facebook e Instagram.

 

AUmor animAU

Mas Marechal Cândido Rondon também tem bons exemplos de amor pelos animais. A moradora Morgana Bolsoni Francisco é um deles. Declaradamente apaixonada pelos cães, adotou quatro nos últimos seis anos, todos da rua. “Primeiro veio o Negão. Ele tem uma pata e o rabo quebrados. Depois veio o Caramelo e a Maria. Fiquei um ano dando comida até que me rendi e adotei. Por último, faz uns seis ou sete meses, resgatamos a Pipa, que estava correndo em frente de casa, no meio de uma tempestade, toda assustada. São nossos quatro companheiros, nossos amores”, diz.

Morgana dá a receita: “Se você quiser um cachorro, você tem que entender que ele vai viver muito tempo contigo, vai fazer parte da família, e você vai ter que dar muita atenção e amor durante todo esse tempo. Além de comida e saúde, precisam de carinho. É uma via de mão dupla. Eles nos dão. Temos que retribuir”, sugere a mãe (como prefere ser chamada) do quarteto.

Declaradamente apaixonada por cães, Morgana Bolsoni Francisco adotou quatro nos últimos seis anos, todos da rua. Na foto, a moradora com a Maria. (Foto: Arquivo Pessoal)

 

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