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Marechal

Cruzamento entre a Rua Espírito Santo e a Avenida Maripá será fechado

calendar_month 20 de junho de 2019
12 min de leitura

 

Mudanças por um trânsito melhor e mais seguro. Com foco nesse objetivo, o Conselho Executivo de Trânsito (Coetran) de Marechal Cândido Rondon anunciou novas alterações na engenharia de tráfego do trânsito rondonense. As modificações foram discutidas e aprovadas na última quarta-feira (12) por integrantes do conselho e membros da comunidade durante reunião que abordou como principais pautas alguns assuntos que há tempo estavam sendo questionados pela população, como é o caso do fechamento do cruzamento entre a Rua Espírito Santo e a Avenida Maripá.

Conforme o secretário de Mobilidade Urbana, Welyngton Alves da Rosa, a pauta extensa trabalhou assuntos polêmicos relacionados ao trânsito e por fim várias ações foram deliberadas. “Fizemos um histórico do que já havia sido discutido (em reuniões anteriores) e colocado em prática, principalmente o fechamento de algumas ruas, como os cruzamentos das ruas Dom João VI e Tiradentes com a Avenida Rio Grande do Sul, buscando que haja mais segurança no deslocamento de veículos pela avenida e fazendo com que os veículos utilizem as rotatórias na avenida e que não haja mais cruzamentos nela”, destaca.

Entre outros pontos, Rosa enaltece a sensível diminuição de acidentes na Avenida Rio Grande do Sul tendo em vista as mudanças já adotadas, a exemplo do fechamento dos retornos. “Inclusive houve um alerta para o Coetran, por parte do Corpo de Bombeiros, sobre a migração de alguns acidentes para a Avenida Maripá. Os números que a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros estão passando fazem com que observemos com mais atenção esses detalhes e tomemos algumas providências nos locais onde estão acontecendo esses acidentes”, salienta.

Uma das principais medidas aprovadas pelo Coetran, e que em breve deve sair do papel, será a colocação de mais duas rotatórias na Avenida Rio Grande do Sul, entre as rotatórias da Bandeira e da Avenida Írio Welp. Os redondos serão implantados nas ruas XV de Novembro e 31 de Março. “Após a construção dessas rotatórias faremos o fechamento de mais ruas, fazendo com que todo esse espaço da Avenida Rio Grande do Sul não tenha mais cruzamentos”, informa o secretário. “Vale salientar que fazer conversão à esquerda para quem transita pela (Avenida) Rio Grande do Sul já está proibido há muito tempo e isso já diminuiu sensivelmente a incidência de acidentes nesses locais”, completa, lembrando que a instalação da rotatória necessita de obras no local, como estreitamento do canteiro central, retirada de árvores e postes de iluminação e sinalização do quadrante.

Com a implantação de rotatórias nas ruas XV de Novembro e 31 de Março paralelas à Avenida Maripá, todas as ruas que não possuem os “redondos” no trecho compreendido entre a Rua Colombo e a Avenida Írio Jacob Welp serão fechadas.

A Avenida Maripá também receberá duas novas rotatórias, no cruzamento da Rua Sergipe, atendendo a demanda de um educandário que ali existe e facilitando que a rua seja usada como uma via de trânsito de cruzamento, e também na Rua Porto Alegre. “Essa é a única rua da região da Avenida Maripá que dá acesso à Írio Welp, UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e faculdades para quem transita à esquerda no sentido Copagril. Vemos isso com bons olhos, porque vai ser um inibidor de velocidade. Os veículos realmente precisam ter uma redução drástica de velocidade. Atualmente há excesso e ali os veículos também vão poder fazer a circulação, adentrar à UPA, a Írio Welp ou para as faculdades com muito mais segurança”, expõe Rosa.

FECHADO EM DEFINITIVO

Com o intuito de evitar mais ocorrências, o cruzamento entre a Rua Espírito Santo e a Avenida Maripá está fechado desde o dia 1º de maio, após um acidente de trânsito danificar o funcionamento do semáforo no local. A medida rendeu reclamações e discussões em torno da viabilidade do fechamento. “O cruzamento era um ponto de acidentes quando tinha o semáforo. Por ele ser antigo, sem temporizador, já superado, gerava reclamações dos usuários quando ficava no modo ‘alerta’. Eles diziam que não tinham plena convicção de quem tinha a preferencial e isso fez com que houvesse acidentes no local. Tanto que quando houve o acidente de trânsito com a danificação completa do semáforo, nós fomos no local verificar em horários diferentes e observamos diversos ‘quase’ acidentes, em que pessoas cruzavam a Maripá e os motoristas às vezes não davam prioridade para quem estava fazendo o cruzamento”, aponta o secretário.

Após debates e avaliações dos resultados de pesquisas, foi escolhido manter o fechamento do cruzamento, desta vez mais ostensivo, com a colocação de cachepot e flores. O trânsito, segundo Rosa, será direcionado para a Rua Sergipe com a Avenida Maripá. “Com o fechamento houve críticas, mas não houve acidentes. Se preservou a vida de uma pessoa já valeu a pena”, frisa.

Rosa ainda salienta que a decisão do fechamento não causará dificuldades de tráfego, tendo em vista que em ambos os lados do semáforo há retornos já estabelecidos. Além disso, em virtude do fechamento, serão construídas duas travessias elevadas na altura das faixas de pedestres, facilitando a travessia dos pedestres, diminuindo a velocidade dos veículos e melhorando a entrada de veículos à direita. “Toda vez que um veículo for diminuir para passar a travessia elevada vai facilitar para que os veículos que estejam adentrando à direita tenham um trânsito quase que livre para isso”, comenta, emendando: “Deliberamos agora e espero que até o final do ano as questões de novas rotatórias e fechamentos de ruas estejam definidas, porque é um trabalho longo e que precisa ser feito com muita sinalização e cautela. Mas esperamos colocar em prática todas as ações do Coetran que visam prevenir acidentes de trânsito e preservar vidas humanas”.

Em se tratando do cruzamento entre a Rua Espírito Santo e a Avenida Maripá, a previsão é que as alterações sejam finalizadas até o aniversário de 59 anos do município. “Sabemos que são assuntos polêmicos e que muitas pessoas têm o hábito de passar por ali, mas o importante é que desde o fechamento do cruzamento não foi registrado nenhum acidente. Essas atitudes de colocar travessias elevadas e sinalizar o local visam diminuir acidentes de trânsito e preservar vidas humanas. Os números são favoráveis às atitudes que estão sendo tomadas no trânsito. Do ano passado para esse diminuiu 47% o número de acidentes. Hoje somos um dos municípios com o menor índice de mortes no trânsito”, destaca.

Alguns empresários que participaram da reunião se manifestaram contrários ao fechamento alegando que o movimento na Rua Espírito Santo teria diminuído com o fechamento do semáforo. “Nós escutamos e respeitamos todas as opiniões. Alguns membros do conselho, a minoria, optaram por fazer uma rotatória no local. Após o fechamento, o mais votado foi uma rotatória, mas como nós temos uma situação na Pernambuco e na Sergipe, que são ruas que trazem o movimento da Írio Welp em direção à área central, e como já há a previsão de fazer uma rotatória na Sergipe, não teria como fazer rotatórias nesses três pontos. Não teria logística. Então a maioria do conselho optou pelo fechamento definitivo do cruzamento e a construção na rotatória na Rua Sergipe para desafogar o fluxo de veículos”, informa.

O secretário reconhece as críticas à medida, mas diz que muitas pessoas que criticaram o fechamento passam por ali hoje e nem lembram que tinha um cruzamento. “Era hábito e mexer com hábito de motorista é difícil, tira do conforto do dia a dia somente por às vezes ter que dirigir 100, 200 ou 300 metros a mais para fazer uma conversão. Se for pela segurança da coletividade é preciso mudar. O meu individual deixa de existir e eu tenho que respeitar a coletividade”, enaltece.

MAIOR SINALIZAÇÃO

O Coetran também discutiu a preocupação referente à sinalização das ruas 12 de Outubro e Cabral. No entanto, conforme Rosa, principalmente em relação à Rua Cabral, ainda não se pode fazer nenhuma mudança significativa porque o Contorno Sul não está funcionando. “Com a construção do Contorno Sul, que irá tirar a circulação de veículos pesados da Rua Cabral, da Avenida Rio Grande do Sul e da Rua Minas Gerais, poderemos fazer um sistema de conversão muito melhor do que tem hoje e as pessoas poderão circular com mais segurança e tranquilidade”, salienta.

BINÁRIOS

O secretário de Mobilidade Urbana revela que também há a possibilidade da criação de dois binários – transformar ruas paralelas em mão única – uma para cada sentido – utilizando as ruas Pernambuco e Sergipe. “O assunto não foi deliberado pelo Coetran, mas já está na pauta das nossas futuras reuniões. A medida iria desafogar o trânsito nessa região. A Rua Pernambuco seria em direção à Avenida Írio Welp e a Sergipe em direção à Avenida Maripá, fazendo com que houvesse um fluxo de veículos permanente nessa área com mais segurança”, explica.

Além disso, Rosa reforça que todas as atitudes adotadas pelo Coetran são baseadas em estudo de dados e estatísticas oferecidos pela Polícia Militar e Corpo de Bombeiros na tentativa de diminuir os acidentes.

 

Secretário de Mobilidade Urbana, Welyngton Alves da Rosa: “Deliberamos agora e espero que até o final do ano as questões de novas rotatórias e fechamentos de ruas estejam definidas, porque é um trabalho longo e que precisa ser feito com muita sinalização e cautela” (Foto: O Presente)

 

MAIS SEGURO

Na avaliação de Rosa, as mudanças realizadas no trânsito rondonense estão sendo positivas. “Marechal Rondon é um município que oferece ruas e avenidas largas, por isso que as rotatórias existem. Um lugar amplo, com grande incidência de bicicletas, motocicletas, carros e que precisa ter uma harmonia no trânsito. Estamos construindo uma cidade mais segura”, reforça.

Atualmente, 43 mil veículos estão registrados na 35ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Marechal Rondon. O número é quase 90% maior que o registrado na última década. “Mas não mudou nada na área central. Marechal Rondon cresceu na periferia da cidade. Por isso precisamos criar mecanismos permanentes de sinalização e também que a comunidade se acostume com o trânsito, saiba dirigir sabendo o que é o transito rondonense e que tenha plena convicção da segurança que está sendo colocada para ela mesma”, comenta.

Além disso, o secretário rebate o fato de a população, principalmente através das redes sociais, dizer que o trânsito de Rondon muda todos os dias, fazendo referências às alterações já implantadas. “Até agora não construímos uma rotatória em Rondon. O que nós fizemos foi melhorar as estruturas das rotatórias que já existiam. Muitos acham que foram construídas novas porque não respeitavam as rotatórias, passavam por cima delas. Caminhões e ônibus nunca contornavam uma rotatória. Hoje não. É preciso diminuir a velocidade, respeitar as preferenciais, porque senão vão danificar os veículos”, analisa.

MUNICIPALIZAÇÃO

Todas as alterações implantadas caminham para a obrigatoriedade da municipalização do trânsito rondonense. Contudo, o processo requer alguns requisitos e uma infraestrutura mínima por parte do município, que atenda às necessidades de fiscalização, engenharia e educação no trânsito. “A municipalização não é uma opção, é uma determinação legal do governo federal, através do Código de Trânsito Brasileiro do Conselho Nacional de Trânsito, que estabeleceu o prazo de até 2020 para os municípios se municipalizarem. Isso não vai acontecer. Muitos municípios não vão conseguir atingir essa meta e isso será postergado”, diz Rosa.

De acordo com o secretário, para municipalizar o trânsito é preciso basicamente passar por quatro etapas. “A primeira é estruturar dentro do órgão de trânsito municipal a engenharia de tráfego, ou seja, toda a parte estrutural do trânsito, como fechamentos de retornos, construções de rotatórias, lombadas/travessias elevadas. A engenharia de tráfego melhora o trânsito da cidade e o prepara para a municipalização”, expõe.

É preciso ter também o controle de dados estatísticos pelo órgão de trânsito do município. “Nós não temos isso hoje. Quem controla a frota e os acidentes é a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Temos uma parceria muito boa com eles e precisamos melhorar essa parte na prefeitura, já que nossa estrutura de trabalho não permite isso hoje”, relata.

A partir do momento em que se tem engenharia de tráfego e o controle de dados estatísticos entra a questão da educação de trânsito na rede pública municipal de ensino. “Nós implantamos há dois anos e meio o projeto Cidadania no Trânsito, no qual uma funcionária da secretaria, com a participação da PM através do Batalhão de Patrulha Escolar (BPEC), vai às escolas e ministra aulas de educação no trânsito. Nós já atingimos mais de oito mil crianças nesses dois anos e meio, produzimos material didático e vamos até as escolas para levar conhecimento para essas crianças e buscando formar uma nova geração de motoristas”, enfatiza.

A quarta etapa é a fiscalização com agentes de trânsito. “Com a criação da fiscalização de trânsito obrigatoriamente é implantada a Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari), órgão independente da secretaria e com pessoas da comunidade. A partir do momento em que a prefeitura multar um veículo, essa multa é passível de questionamento, e quem avalia essa aplicação é a Jari”, ressalta.

Na visão de Rosa, a municipalização do trânsito é uma estrutura muito grande para se conseguir colocar em prática. “Estamos trabalhando para isso. A engenharia de tráfego já está sendo feita há algum tempo diante dessas mudanças no trânsito, estamos tentando ter esse controle de dados e estatísticas, a parte de educação de trânsito já iniciou nas escolas, mas a parte de fiscalização é a mais emblemática. Policiais militares têm dificuldades nessas situações, imagine funcionários de prefeitura”, destaca, acrescentando: “O trânsito de Marechal Rondon está fluindo para a municipalização, mas se você me perguntar quando isso vai acontecer, digo que não existe uma data programada. Nossos trabalhos estão sendo feitos para que o nosso trânsito seja municipalizado assim como é o de Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu. É um trabalho longo. Pegamos um trânsito ‘zerado’ e estamos lutando para isso”.

 

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