Gaúcho, por definição, é denominação de um povo que habita os pampas brasileiros, argentinos ou uruguaios. Mais popularmente, também são chamados de gaúchos aqueles ou aquelas nascidos no Rio Grande do Sul.
No entanto, muito além do lugar de nascimento, o Estado mais ao Sul do Brasil é a Querência Amada de muitos brasileiros país afora, tão forte é a cultura desse povo. A exemplo, as comemorações do Dia do Gaúcho, celebrado nesta terça-feira (20), são realizadas em todo o território e não são poucas as manifestações do tradicionalismo rio-grandense-do-sul vistas por aí.
Em Marechal Cândido Rondon, a família Priesnitz é uma das que vai comemorar o Dia do Gaúcho. O casal Cátia e Alexandre Augusto e seu filho Enzo, de apenas 2 anos, são paranaenses nascidos no município rondonense e verdadeiros entusiastas da cultura gauchesca.
“Cultivamos a tradição gaúcha por sermos descentes de gaúchos. Ou seja, herdamos de nossos pais o apreço pela cultura, que é retratada através de hábitos e costumes com os quais fomos criados, embora nascidos em Marechal Rondon”, conta o casal.
Cultura gauchesca
A cultura gauchesca está presente no dia a dia de Cátia e Alexandre Augusto, desde o hábito de tomar um bom chimarrão. Ou, como diz o gaúcho, aquele bom mate. “Cultivamos o hábito do tradicional churrasco aos domingos, acompanhado de uma boa música gaúcha, assim como apreciamos um bom sagu, uma ambrosia e um carreteiro”, expõem os pais de Enzo.
Bombacha, chapéu, lenço, pala e vestido de prenda, entre outros itens do traje gaúcho, têm um espaço de prestígio no guarda-roupa da família Priesnitz. “Fazem parte de nossa vestimenta, principalmente quando vamos ao CTG, mas também fazemos uso em fins de semana”, contam, expondo que gostariam de sair por aí pilchados, principalmente no Dia do Gaúcho, porém não o fazem por não ser algo tão costumeiro na região.
Batizado com pilcha gaúcha
Para manter viva a chama da cultura rio-grandense-do-sul, eles também frequentam o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Tertúlia do Paraná, de Marechal Rondon. “Somos acompanhados, inclusive, por nosso filho, de 2 anos, que já demonstra apreço pela tradição. Influenciamos amigos e parentes a participarem conosco do CTG e temos um grupo que tem o mesmo apreço que o nosso por essas tradições, o que nos deixa muito felizes”, enaltecem.
Ao O Presente, Cátia diz que seu marido participou desde criança das invernadas artísticas do CTG Tertúlia do Paraná e o casal deseja repassar esse costume ao filho, que foi prestigiado com a cultura gauchesca desde o batismo.
“A cerimônia foi especialmente preparada dentro da tradição, sendo que até o pastor estava trajado. Optamos em batizá-lo com as vestimentas gaúchas em homenagem às nossas origens e porque temos certeza de que queremos educá-lo dentro da tradição e dos bons costumes”, salientam os pais.

Valores de vida
Em especial, o casal Priesnitz evidencia o respeito, a postura, a liberdade e o elo familiar como valores cultivados na tradição gauchesca. “Ao frequentarmos o CTG, vislumbramos um ambiente familiar de respeito e com boa educação”, reforçam, ressaltando o orgulho que têm pela cultura gaúcha.
Questionados sobre a importância de manter as tradições, os rondonenses são certeiros: “quem não tem passado, não tem presente e tampouco futuro”. Eles ressaltam que as tradições vêm sendo, de modo geral, menos cultivadas e exemplificam com o caso da língua alemã em Marechal Rondon, que pouco se vê, enquanto antigamente “se falava alemão em todo o comércio”.
“A manutenção das culturas e das origens nos mantém ligados à família e aos reflexos dela, perpetuando os bons costumes, a união e o respeito para que assim sejamos exemplo para a geração futura”, enfatizam.

Paranaense versus gaúcho
Por vezes, o paranaense é “acusado” de não ter cultura própria e, ao invés disso, cultivar as tradições advindas do Rio Grande do Sul. Os Priesnitz não concordam com essa colocação.
“O Paraná é miscigenado, é um espelho do nosso Brasil que abarca várias etnias. Na nossa região é forte a colonização gaúcha e acreditamos que se deva a isso o forte cultivo da tradição gaúcha”, consideram.
Os rondonenses têm familiares nas querências de Horizontina, Camaquã, Porto Alegre, Sertão Santana e Uruguaiana e sempre que possível visitam o Rio Grande do Sul.
Dia do Gaúcho
Para comemorar o Dia do Gaúcho, a família Priesnitz tem uma programação especial nesta terça-feira. “Um bom chimarrão, um churrasco e, claro, trajes típicos. Encerraremos a Semana Farroupilha no dia 24 (sábado) com um culto gaúcho”, comentam.
A Semana Farroupilha acontece de 13 a 20 de setembro, culminando no Dia do Gaúcho, mas as comemorações seguem mesmo após a data. No CTG Tertúlia do Paraná, a noite será marcada por um jantar com pratos típicos, acompanhado por uma tertúlia com música tradicional e apresentação de danças da invernada artística mirim.
O Presente