Durante a pandemia o setor de móveis no Brasil cresceu 39,9%. Apesar do bom momento, com a alta demanda o ramo da marcenaria sofre com a escassez de profissionais qualificados. Diante deste cenário, com a intenção de gerar trabalhadores na área e inseri-los no mercado, será ofertado em Marechal Cândido Rondon um curso de auxiliar de marcenaria, entre os dias 23 e 30 de abril.
O curso terá carga horária de 16 horas, nas quais os participantes serão introduzidos aos conceitos básicos da marcenaria, nomenclaturas usuais, noção de ferramentas utilizadas no processo de fabricação de um móvel planejado, laminação em MDF, montagem de gavetas e demonstração e implantação de trilhos e dobradiças.
As aulas serão ministradas pelo especialista e bacharel em Arquitetura e Urbanismo Adilson Baranoski. Para ele, o curso é uma forma de oportunizar a contratação de jovens sem experiência por meio dos empregadores, que muitas vezes não têm tempo hábil ou paciência para ensinar os procedimentos básicos. “A ideia é fazer com que os alunos tenham conhecimentos para o cargo por meio dos processos de aprendizagem, facilitando a inserção destes no mercado futuramente até que se torne um marceneiro”, destaca o especialista, acrescentando a importância de haver cursos que também formem profissionais na área de mecânica, borracharia, pedreiro, encanador ou eletricista.
O curso é aberto para o público em geral e será realizado na Marcenaria Giatto Móveis, na Avenida Rio Grande do Sul, 7580. O investimento é de R$ 70 e as inscrições podem ser realizadas pelo telefone (44) 99738-0777.
Durante as aulas não será utilizada a serra. “É uma ferramenta que exige tempo e observação de rotina de trabalho, além de certa familiaridade, que aos poucos você adquire com as máquinas”, frisa o profissional.

Dificuldades
Baranoski percebe que tanto o marceneiro quanto o auxiliar enfrentam problemas de mão de obra na região. “As dificuldades são inúmeras em conseguir mão de obra tanto no ramo da marcenaria quanto nas demais que exigem concentração e esforço físico. Embora o setor da marcenaria já tenha evoluído imensamente com o uso de máquinas modernas e materiais como o MDF, ainda precisa de muita atenção e concentração por ser um trabalho baseado em medidas exatas”, observa.
Ele atribui a dificuldade também à geração nascida na era digital, sendo que alguns demonstram ter dificuldade em viver fora do ambiente virtual, seguir regras e se comprometer com horários. “Parece que não há motivação para aprender uma profissão manual e puxar uma chapa. As pessoas dessa geração trabalham pouco e cansam rápido, por isso optam por trabalhos em escritório e relacionados à tecnologia”, reflete.
A questão familiar é outro fator enumerado pelo profissional. “Hoje em dia os pais trabalham muito para dar todo o conforto para os filhos e não permitem que esse indivíduo aprenda uma profissão para evitar o ‘sofrimento’, sendo que, muitas vezes, uma boa profissão poderia gerar uma estabilidade no futuro destes jovens”, pontua.
Força de vontade
Sobre o perfil de quem tem interesse em começar no ramo da marcenaria, o especialista diz: basta ser caprichoso. “É preciso ter boa articulação para fazer os acabamentos, ser fisicamente resistente e detalhista, pois o cliente é exigente e o material é caro. Marceneiro é uma profissão que ganha bem, basta ter força de vontade”, ressalta.

Aulas serão ministradas pelo especialista e bacharel em Arquitetura e Urbanismo Adilson Baranoski: “Marceneiro é uma profissão que ganha bem, basta ter força de vontade” (Foto: Divulgação)
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