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Marechal

De apreciador a cervejeiro, rondonense produz 150 litros de cerveja por mês

calendar_month 11 de junho de 2021
6 min de leitura

De uma cerveja “intomável” para as mais complexas harmonizações, é com alegria que o rondonense Junior Auler Wideck contempla a sua produção de cerveja artesanal e, sobretudo, a evolução que teve desde as primeiras tentativas.

Há cerca de sete anos, Wideck ouviu entre familiares que a produção caseira poderia gerar ótimas cervejas e, como grande apreciador da bebida, resolveu adentrar nesse mundo de possibilidades. “Nesta época, participei de um curso em Foz do Iguaçu com o cervejeiro Guenther Sehn, referência para os cervejeiros caseiros do Rio Grande do Sul. Tirei dali muitas informações sobre processo”, relembra ao O Presente, pontuando que, já na semana seguinte ao curso, começou sua produção: “Com duas panelas e um balde como fermentador, recordo até hoje que nesta primeira tentativa a levedura ficou muito aparente. Tentei beber, mas não foi possível e tive que jogar fora”.

De lá para cá, muita coisa mudou. O rondonense comenta que os equipamentos evoluíram e a produção se expandiu, propiciando sabores à família e aos amigos. “A minha maior produção foi em dezembro de 2019, quando fiz 150 litros. No decorrer de 2020 e agora em 2021 a produção foi pequena, devido à situação que passamos. Já produzi vários estilos de cerveja, entre eles a Pilsen, Apa, Ipa e Scoth Ale”, detalha, mencionando que os equipamentos permitem que ele produza até 200 litros mensais, o que ainda não foi alcançado.

Rondonense Junior Auler Wideck é administrador de empresas do ramo de transportes e, nas horas vagas, cervejeiro de primeira: amigos e famílias aproveitam as cervejas artesanais feitas por ele (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

ESTILOS DE CERVEJA

Os estilos de cerveja produzidos, expõe Wideck, variam conforme as épocas do ano. “Para o verão, as brasagens são focadas para a Pilsen e Apa, mais refrescantes. Para as outras épocas alterno entre Apa, Ipa e cervejas mais fortes, como Stout e Scoth Ale. A Pilsen é uma cerveja dentro da família lager (fermentação em baixa temperatura, de sete a 15 graus), clara e de pouco amargor, com teor alcoólico de 4% a 5%. Apa, Ipa e Scoth Ale são da família da Ale que, diferente das lagers, utiliza uma levedura entre 15 e 24 graus. A Apa tem estilo americano e sua coloração oscila de dourado a âmbar claro, seu amargor médio a médio-alto trazem notas cítricas, florais, resinosas e frutas tropicais. A Ipa tem estilo inglês e traz uma grande carga de lúpulo, tanto ao aroma quanto ao amargor, e a coloração vai de âmbar-dourado ao cobre-claro, os lúpulos ingleses trazem notas florais, picante-apimentadas e cítricas”, detalha.

Wideck destaca que a produção artesanal e caseira proporciona um horizonte de opções para a produção de cervejas, com nuances diferenciadas. “A cada garrafa que abro descubro mudanças no paladar. São cervejas complexas que, com o passar do tempo, trazem notas vinícolas, um exercício sensorial fantástico”, enaltece.

 

REINHEITSGEBOT

Seguindo a Reinheitsgebot, mais conhecida como a lei da pureza da cerveja alemã, o rondonense produz sua bebida a partir de cereais maltados (cevada, trigo), lúpulo, levedura e água. “A receita da cerveja é como uma receita de bolo. Segue certos ingredientes e processos. Mas, ainda assim, uma mesma receita feita por cervejeiros caseiros diferentes terá sua diferença”, pontua.

A primeira parte do processo é a moagem do malte, explica o rondonense. “Depois ele é colocado na água quente e mantido aquecido de acordo com a temperatura pré-determinada. Nesse processo as enzimas são ativadas e transformam o amido em açúcar, que posteriormente alimenta as leveduras, durando em torno de 60 minutos. No final, fazemos a lavagem dos grãos e os filtramos. Na etapa seguinte, a fervura, é quando esterilizamos o mostro proveniente da mistura e adicionamos os lúpulos, que proporcionarão o amargor e o aroma característico à cerveja. Terminada a fervura, resfriamos o líquido para a fermentação, quando o mostro é colocado no fermentador e adicionado a levedura, responsável por transformar o mostro em cerveja”, menciona, comentando que o cervejeiro produz o mostro e a levedura, por sua vez, é quem produz a cerveja.

Na fermentação, mantem-se uma temperatura específica por pelo menos sete dias, salienta Wideck. “Daí, passamos para a maturação e clarificação. A maturação é específica para alguns estilos de cerveja. A clarificação é a diminuição da temperatura, perto de zero graus, para que os sedimentos se condensem ao fundo do fermentador. Com esses processos concluídos, o envase pode ser feito em garrafas ou em barris. Na fabricação artesanal costumamos carbonatar na garrafa, ou seja, realizar o processo de fermentação direto no barril, por ser mais rápido, e só então engarrafar ou beber direto do barril”, expõe, acrescentando que a limpeza e sanitização são essenciais para uma boa cerveja.

O rondonense reconhece que, no início das produções, tentava acelerar o processo, mas percebeu que era inviável. “A queda da qualidade é perceptível. A experiência me mostrou que é preciso ter paciência e hoje produzo minha cerveja com no mínimo 28 dias, entre a brasagem até o consumo”, relata.

 

COMPENSA OU NÃO?

Comparando o produto de larga escala com o artesanal, o rondonense é direto: “é um erro pensar que se economiza ao fazer sua própria cerveja”. Segundo ele, o mundo cervejeiro é encantador e o cervejeiro passa a explorar esse universo, investindo em equipamentos, processos e harmonias.

Avaliando os custos do produto, Wideck considera que apenas em alguns casos a concorrência é possível com a cerveja industrial. “A cerveja american light pilsen, a mais comercializada do Brasil (como Skol, Brahma, Itaipava, Devassa e outras), leva cereais não maltados, o que torna difícil fazer uma cerveja caseira mais barata. Já a american premium lager é mais elaborada (como Heineken, Eisenbahn ou de cervejarias menores) e geralmente puro malte. Nesse caso, o cenário fica favorável ao produto caseiro, com preços comparáveis. As cervejas com maiores cargas de lúpulo, como as Apas e Ipas, têm a produção mais baratas que as industriais”, compara.

 

MUNDO CERVEJEIRO

Para aqueles que se sentirem entusiasmados a produzir sua própria cerveja, o rondonense ressalta que a parte mais trabalhosa é o dia da brasagem: “a sequência do processo é tranquila”, garante.

Degustar a própria cerveja, uma criação sua, é maravilhoso, avalia o rondonense, que já desbravou cervejarias espalhadas pelo mundo a fim de conhecer cada vez mais a bebida que adora.

O investimento inicial em um kit de 20 litros por brasagem está na faixa de R$ 800. Conforme o cervejeiro, os insumos são de fácil aquisição, encontrados em Toledo e Cascavel, por exemplo. “Com estes equipamentos é possível experimentar essa produção, se dedicar ao mundo cervejeiro”, aponta.

Wideck diz que é importante, antes de tudo, fazer um curso para iniciantes ou procurar dicas no Youtube. “Podemos verificar através das avaliações do Concurso de Cerveja Artesanal da Oktoberfest, em Marechal Rondon, que a qualidade da grande maioria das cervejas era ótima, comprovando que a nossa região tem potencial em termos de cervejarias, além daquelas que já possuímos”, considera.

Em 2017, Wideck foi premiado com o 1º lugar geral do Concurso de Cerveja Artesanal em Marechal Rondon, apresentando uma cerveja Scotch Ale com Baunila, com teor alcoólico de 9%, equilibrada entre o dulçor do malte e a baunilha adicionada.

Paixão por cerveja e o atraente processo de fabricação leva cervejeiros a investirem em produções, mesmo que não comerciais (Fotos: Sandro Mesquita/OP)

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