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Marechal Alberto Cerni

De empresário a político, Aba relembra histórias e fala da sua trajetória em Marechal Rondon

Figura bastante conhecida em Marechal Rondon, Alberto Cerni chegou ao município aos 20 anos de idade e criou raízes em Vila Curvado, onde mora e tem um bar há mais de 60 anos. De empresário a política, sua trajetória é marcada por dificuldades, desafios e conquistas (Foto: Sandro Mesquita/OP)

A bordo de seu Fusca 1986, do qual se orgulha em dizer que é o único dono, Alberto Cerni, mais conhecido por Aba, chegou em seu bar na última sexta-feira (15), em vila Curvado, interior rondonense, onde era aguardado pela reportagem de O Presente para contar um pouco da sua trajetória ao longo de seus 81 anos de vida.

Ao desembarcar do veículo, que, segundo ele, não vende de jeito algum, estendeu a mão para entregar três ou quatro espigas de milho à sua esposa, junto com o pedido: um refogado acompanhado de cebola.

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Nascido em Palhoça, Santa Catarina, no dia 25 de agosto de 1938, Aba, como gosta de ser chamado, é uma figura bastante conhecida em Marechal Cândido Rondon.

Aos 20 anos de idade, ainda solteiro, chegou no município com a família para trabalhar na roça, e com muitas dificuldades, situação enfrentada pela maioria dos primeiros colonizadores da região, criou raízes em vila Curvado, onde mora e tem um bar há mais de 60 anos.

“Sempre gostei muito daqui, é onde vivo bem até hoje”, conta Aba.

Entre o trabalho duro na lavoura e os momentos de lazer, conheceu sua primeira esposa, com quem viveu por mais de 20 anos, até seu falecimento. Tempos depois conheceu sua segunda companheira, Lorací Tonini, com quem vive há 19 anos.

Além de trabalhar na agricultura, Aba percebeu que alguns moradores do interior tinham dificuldade para se deslocar até a cidade, pois não existiam ônibus para fazer o transporte. Foi então que viu uma oportunidade de negócio, e teve a ideia de comprar uma Kombi para transportar passageiros, atividade que desempenhou por 30 anos. Entre os clientes, pessoas que pretendiam fazer compras na cidade e alunos de escolas do município. “Eu enchia a Kombi de gente, muitas vezes eles tinham que sentar em cima dos sacos de milho e trigo que levavam para fazer a moagem no Moinho Henke”, relembra Aba.

Alberto Cerni, o Aba, ao lado de suas duas paixões: o Fusca 1986 e a esposa Lorací (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

BAILES

As mesas e cadeiras ainda estão no salão, porém, vazias há quase dez anos. A agitação das matinês deu lugar à poeira que hoje cobre a pista, outrora cenário de muita dança e diversão. “As pessoas vinham pra se divertir, era difícil dar confusão, bem diferente de hoje em dia”, comenta Aba.

E são esses momentos felizes que permanecem na memória do aposentado, e assim, ele relembra a época em que foi dono de um salão onde aconteciam bailes quase todos os fins de semana. “A maior alegria que tinha em Rondon eram os salões de baile. Não tinha nem lugar pra entrar de tanta gente que vinha”, relembra Aba.

Ele diz que poucos anos antes do fatídico incêndio na Boate Kiss em Santa Maria, em 2013, que matou 242 pessoas, as matinês já estavam em baixa, e a tragédia no Rio Grande do Sul foi determinante para o fechamento total do estabelecimento.

Após o desastre, muitas mudanças na legislação obrigaram os proprietários de locais onde acontecem grande concentração de pessoas a se adequarem às novas medidas de segurança, o que tornou a manutenção do salão inviável.

“Fiz algumas mudanças, mas haviam outras coisas pra mexer, daí falei chega, vou viver minha vida sem aquela bagunça de barulho de baile”, declarou Aba.

Além das mudanças nas normas de prevenção, fator decisivo para o fechamento do local, Aba menciona que desde então a juventude não se interessa mais por esse tipo de evento. A abertura de lanchonetes e danceterias também ajudou a acelerar a decadência das matinês. “Hoje em dia o pessoal não é mais como nós, de antigamente. Mudou muito”, salienta Aba.

Quase dez anos após o fechamento do salão de baile, as mesas e cadeiras usadas nos eventos continuam no local (Foto: Sandro Mesquita/OP)

Caixa do salão de baile Alberto Cerni: hoje o local virou uma espécie de depósito (Foto: Sandro Mesquita/OP)

Alberto Cerni sobre o salão de baile do qual foi proprietário: “As pessoas vinham pra se divertir, era difícil dar confusão, bem diferente de hoje em dia” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

VEREADOR

O prestígio obtido entre boa parte da população e o envolvimento em questões relevantes à sociedade, principalmente da comunidade de Curvado, levou Aba à vida pública.

Em 1993 ele se elegeu vereador pelo Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas. Na eleição seguinte tentou a reeleição (na época pelo PDT) mas ficou como suplente e assumiu a cadeira no Legislativo rondonense após a morte do então vereador Darci Valiati, onde permaneceu até o fim do mandato em 2000.

Segundo ele, mesmo após sua saída do cenário político, foi um dos principais personagens que se mobilizou para a construção da terceira pista da Rodovia José Neves Formighieri (PR-467) e o asfaltamento da estrada que liga Curvado ao distrito de Novo Horizonte.

 

POLÍTICA

Mesmo com uma curta trajetória na política, Aba garante que aprendeu muito sobre a vida pública e os caminhos para chegar ao poder.

Em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro, ele avalia que o presidente está se saindo melhor do que imaginava, mas falta apoio de parte dos políticos. “Ele tá querendo ajudar e ajudou um pouco já, mas os deputados e governadores estão contra ele”, considera Aba.

Ao mesmo tempo que apoia o governo federal, Aba acredita que ainda existe muita obscuridade na política nacional. “Pra nós aqui tá tudo bem, mas todo mundo sabe que por aí afora tem muita roubalheira”, enaltece Aba.

Sobre a administração rondonense, ele afirma que o atual prefeito, Marcio Rauber, está fazendo uma boa gestão, e tece elogios. “Acho que Marechal tem um prefeito que está fazendo bastante pelo município e se continuar assim vai se reeleger. Eu apoio ele”, ressalta Aba.

O prejuízo de parte do comércio com as medidas de prevenção adotadas por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) ainda preocupam o aposentado. “Acho besteira fechar tudo do jeito que foi. Coitada dessa gente que tem que pagar aluguel e empregados. Eu ainda estou indo bem, mas não é todo mundo que vai aguentar essa crise”, destaca Aba.

Bar do Alberto Cerni (Aba), localizado às margens da PR-467, em Curvado, no interior de Marechal Rondon (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

O Presente

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