Marechal Atividade física

De portas fechadas, academias rondonenses apostam em aulas on-line

(Foto: Divulgação)

Desde dia 1º de julho, as academias, consideradas atividades não essenciais pelo decreto estadual, encontram-se de portas fechadas em Marechal Cândido Rondon, assim como muitos outros estabelecimentos. Diante deste cenário, que busca conter o avanço do coronavírus, muitos proprietários estão se virando literalmente “nos trinta”, adotando meios alternativos, como as aulas on-line, para não deixar seus alunos desassistidos e também para poder de alguma maneira seguir viabilizando seus empreendimentos financeiramente.

“As aulas on-line são uma tendência geral do mercado. Quem não estiver trabalhando de forma on-line nesse momento vai ficar atrás, e isso não é só nas academias, mas também em outros estabelecimentos”, opina Tiago Pinz, proprietário de uma academia no município.

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Segundo ele, grande parte dos seus alunos tem aderido à modalidade, até mesmo aqueles que não retornaram às aulas presenciais por serem pessoas que integram o grupo de risco para a Covid-19. “Eu trabalho de duas formas, tanto o funcional quanto a musculação. Nas turmas do funcional cerca de 80% aderiu ao treinamento on-line. Na parte da musculação, alguns alunos vieram para o funcional para fazer alguma atividade física e se exercitar nesses 14 dias de academias fechadas”, conta ele ao O Presente.

O educador físico diz que não há um perfil específico do público que participa das aulas on-line. “Observamos filhos acompanhando os pais, ou seja, as aulas oportunizam uma aproximação entre pais e filhos”, ressalta. “O treinamento funcional é uma modalidade mais fácil para desenvolver de forma on-line, porque utiliza muitos exercícios com o peso do próprio corpo, deslocamento, agachamentos, salto”, acrescenta.

Para Pinz, o ambiente virtual faz com que mais pessoas sejam abrangidas. “Atendo pessoas de outras cidades também. São exercícios que a pessoa pode fazer no conforto de sua casa, não há necessidade de deslocamento, não há necessidade de ter algum equipamento”, frisa.

Quanto às restrições impostas pelos decretos sobre o enfrentamento do coronavírus, o rondonense afirma que todas as medidas foram atendidas tranquilamente na academia. “Eu desenvolvia muitos treinos no lago, na praça, na rua, mas esses espaços estão fechados agora e preciso fazer no espaço fechado da academia”, menciona ele, emendando: “Agora estou preparando um espaço ao ar livre justamente para dar mais segurança aos meus alunos, um espaço bem arejado que eles vão poder manter mais distância de uma pessoa para outra”.

Tiago Pinz, proprietário de academia: “Somos provedores de saúde, damos qualidade de vida para as pessoas, ainda mais nesse momento tão importante” (Foto: Divulgação)

 

ATENDIMENTO DIRECIONADO

Claudia Zanchet, proprietária de outra academia em Marechal Rondon, também está realizando aulas on-line neste período de portas fechadas. Ela lembra que desde o primeiro fechamento das academias no município, determinado por decreto, ela viabilizou aulas on-line por meio de lives. “Agora, neste novo fechamento, faço de forma direcionada aos meus alunos. Preferi realizar dessa forma, pois conheço suas dificuldades e necessidades. Formo pequenos grupos de três ou quatro pessoas para poder melhor orientar e organizo a agenda diariamente das 06 às 20 horas para que cada um faça no seu melhor horário. Em uma semana atendi 80 pessoas, é um grande número”, considera.

Conforme Claudia, a maior adesão é por parte das mulheres. “Alguns homens têm preconceitos, acham que treinos assim não vão atingir os objetivos deles, mas neste momento penso que manter-se ativo é o mais importante e em isolamento simultaneamente é o mais importante”, opina.

A educadora física pontua que aulas on-line apenas acontecem em casos extremos como o vivenciado, visto que as pessoas precisam de interação e calor humano. “Uma vantagem de entrar na casa das pessoas é que a gente faz com que famílias inteiras façam as atividades juntas”, destaca.

Claudia Zanchet, proprietária de academia em Marechal Rondon: “Agora, neste segundo fechamento, faço as aulas on-line de forma direcionada aos meus alunos. Preferi realizar dessa forma, pois conheço suas dificuldades e necessidades” (Foto: Divulgação)

 

COMPROMETIMENTO MÚTUO

Claudia conta que, ao optar por aulas direcionadas aos seus alunos, há muito desgaste físico de sua parte. “Tenho participado fisicamente, realizo as atividades de sete a dez horas por dia. Outro desgaste acontece por eu chegar ao aluno somente com minha imagem e comando vocal. O on-line cansa, porque tudo o que você quer é que o aluno faça e seja orientado pelo comando vocal, não pelas minhas mãos, expressões, pausas, gestos. Tem sido uma forma de motivar e fazer com que o aluno não perca o vínculo de confiança comigo, além de valorizar a aula como se fosse presencial e, dessa maneira, mantenha também a mensalidade”, expõe.

Profissionais da área relatam que as aulas on-line envolvem toda a família (Foto: Divulgação)

MUITAS VISUALIZAÇÕES

Marcel Buth, sócio de academias de ginástica em Marechal Rondon, acredita que uma pequena parte de seus alunos fazem as atividades em casa. “Se pegar todos os alunos que frequentam presencialmente, é uma pequena parte que pratica em casa, mas ainda assim um número considerável. Minha professora de zumba deu aula na segunda-feira (06) e passa das 880 visualizações. Tem muitas pessoas vendo, mas se estão fazendo a gente também não sabe. É uma coisa que dá bastante repercussão”, comenta.

Para Buth, os personais trainers também fazem a sua parte para incentivar os alunos. “Eles postam as atividades que fazem no dia como forma de inspirar os alunos a fazerem em casa, coisas simples que não precisam de material”, observa.

A venda de materiais para fazer musculação cresceu, conta o empresário. “Teve uma explosão de vendas na internet desses equipamentos. Muitas pessoas vieram me pedir para emprestar ou alugar da academia. Houve muita procura”, aponta.

Marcel Buth, empresário no ramo de academias, ao O Presente: “Se eu posso dizer que há um culpado são todos os governos que não prepararam os hospitais públicos com UTI (Unidade de Terapia Intensiva) suficiente, porque é isso que está faltando e dinheiro tem bastante” (Foto: Divulgação)

 

SAÚDE É ESSENCIAL

Mesmo sendo considerada uma atividade não essencial pelos decretos estaduais, tanto empresários da área como frequentadores das academias pensam diferente. “Não concordo com a restrição das academias. As pessoas não se contaminariam nesses espaços. Pelo contrário, somos provedores de saúde, proporcionamos qualidade de vida para as pessoas, ainda mais nesse momento tão importante. A atividade física é essencial na vida das pessoas, justamente para controlar o peso, reduzindo a ansiedade e dando mais qualidade de vida nesse momento delicado. Ali você ganha mais resistência, melhora sua imunidade, é um local seguro e bem arejado. Na academia só vão pessoas saudáveis. Se uma pessoa tem alguma enfermidade, ela já não vai na academia”, opina Pinz.

Buth, por sua vez, acredita que o fechamento da atividade nesse momento é um prejuízo para a academia. “Lá no começo, quando estávamos indecisos, eu fui a favor de fechar, para o governo se preparar, mas o que a gente está fazendo agora é a economia prejudicada e não necessariamente contendo o vírus. Se eu posso dizer que há um culpado são todos os governos que não prepararam os hospitais públicos com UTI (Unidade de Terapia Intensiva) suficiente, porque é isso que está faltando e dinheiro tem bastante”, avalia.

Claudia destaca que todas as atividades são essenciais. “Atividade física é essencial e é uma pena não ser vista dessa forma. Fico triste em ver coisas que são tratadas tão diferentes, mas não é momento de alimentar sentimentos desagradáveis”, pondera.

 

O Presente

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