Várias pessoas, empresas e organizações interagem entre si com o objetivo de desenvolver projetos, formando um ambiente de aprendizagem e criação inovadora – esse é o conceito de ecossistema de inovação. Essa ideologia de cooperação remete aos polos empreendedores, que, devido à unificação de vários empresários de um determinado segmento de mercado, criam um ambiente de forte comércio e desenvolvimento empresarial.
É com essa perspectiva que o Programa Inova Oeste trabalha para ativar o Ecossistema de Inovação em Marechal Cândido Rondon. A iniciativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) conta a participação de diversas instituições, dentre elas a Associação Comercial e Empresarial (Acimacar), Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Codemar), Comitê Gestor do Programa Cidade Empreendedora, Secretaria Municipal de Indústria e Turismo e Sindicato do Comércio Varejista (Sindicomar).
Nos últimos três meses, o grupo participou de três workshops que permitiram mapear o ecossistema na cidade, identificando gargalos, indicando possíveis caminhos para superar desafios e, inclusive, auxiliando na criação de legislação específica de fomento à inovação no município. A partir disso, puderam ser pontuadas algumas ações para dar início ao desenvolvimento do ecossistema.
“Fizemos um plano de ação mais institucional, visando que instituições como universidades, bancos, grandes empresas e também o Poder Público desenvolvam algumas ações para tornar um ecossistema mais propício e que se desenvolva com mais facilidade”, destaca o vice-presidente de Inovação e Tecnologia da Acimacar, Nilmar João dos Santos.
Ações sistêmicas
Entre as ações sistêmicas, Santos pontua a criação da Lei Municipal de Incentivo à Inovação, juntamente com a criação do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação. “Também será realizada uma conversa com as cooperativas de crédito para que elas desenvolvam possibilidades aos seus quadros de cooperados para que essas pessoas tenham condições de se tornarem investidores em empreendimentos de inovação”, menciona.
Além disso, a desburocratização nos processos de abertura e fechamento de empresas no município também é uma questão debatida pelo grupo, visando dar um incentivo maior a quem pretende abrir um negócio. “Acontece de, às vezes, a pessoa já abrir um negócio com certa dificuldade e depois ainda encontra uma série de impedimentos legais e burocráticos que vão desanimando. Por conta disso, o tempo para aproveitar a oportunidade e dar o ‘start no negócio pode ser curto, e em seis meses se não for desenvolvida a solução, muitas vezes o empreendedor perde a oportunidade. Então vamos buscar meios de simplificar o processo”, comenta Santos.
Dinâmica de funcionamento
Ele enfatiza que com os workshops, as instituições participantes puderam entender toda a dinâmica de funcionamento de um ecossistema de inovação. “Acredito que todos entenderam a importância e há muitas pessoas empolgadas com a proposta”, afirma, acrescentando: “Essas pessoas vão conseguir movimentar suas instituições para que elas comecem a desenvolver iniciativas de inovação”.
Isso acontece porque, segundo Santos, Marechal Rondon é propícia a desenvolver esse ecossistema. “Acredito que os setores que mais vão conseguir benefícios são empresas de máquinas e equipamentos, setores da área de tecnologia da informação e as grandes indústrias, pois poderão desenvolver produtos em parcerias com outras entidades, ou serão beneficiárias da contratação de soluções para melhorar seu processo produtivo”, relata.
Conjunto de eventos
De acordo com o vice-presidente de Inovação e Tecnologia, as entidades vão procurar desenvolver algumas ações para o público-alvo que faz a inovação. “Na prática, as entidades só existem com o objetivo de criar um ecossistema propício, mas quem inova são as empresas. Por isso, é preciso que surjam empreendedores, empresários, inventores, e que eles vejam as oportunidades e criem os empreendimentos”, ressalta.
Por conta disso, uma linha de ações voltadas aos empresários e empreendedores também foi pensada pelo grupo e um conjunto de eventos está previsto. “O Cojem vai realizar um Startup Weekend e um Hackathon e a Acimacar organizará uma de roda de problemas e soluções, ou seja, as empresas apresentarão os problemas que precisam ser sanados para poder resolver gargalos de processos produtivos”, explica Santos.
Novos encontros
Para o próximo ano estão previstos novos encontros para a finalização dos trabalhos que culminaram na implantação efetiva do Ecossistema de Inovação. “A parte sistêmica já vai estar em andamento, mas a cultura de inovação é gradativa e será implantada aos poucos. Percebemos que os empresários estão dispostos a conversar e avançar para poder aproveitar os benefícios da criação da lei, haja vista que todos os setores ganham com isso”, frisa.
Em março deve acontecer um dos primeiros eventos voltados ao público, que consiste em uma roda de problemas e soluções para que as empresas apontem suas demandas a serem resolvidas. “Vamos colocar para os associados da Acimacar que têm interesse em atender essas demandas que participem da rodada, além de estudantes e professores que queiram tomar conhecimento dessas possibilidades para desenvolver novas soluções para esses segmentos”, destaca o vice-presidente de Inovação e Tecnologia.
De acordo com Santos, possivelmente em maio será realizado um curso de Design Thinking, desenvolvido pela Acimacar, com foco no aprendizado e organização do processo de criação de um produto/negócio. “Nos próximos encontros iremos definir com as entidades a realização de outras ações para o decorrer do ano de 2019”, informa.
Desafios e oportunidades
O Ecossistema de Inovação proporciona oportunidades para a geração de desenvolvimento através de novos negócios ou a ampliação de mercados atualmente existentes, mas, na visão do vice-presidente de Inovação e Tecnologia, falta engajamento do setor empresarial. “Irão perceber que com o Ecossistema de Inovação eles terão várias coisas que os ajudarão a ter uma ideia, colocar no papel, transformar em um negócio e iniciar o empreendimento. Chegar nessas pessoas é o maior desafio para que a inovação aconteça”, enfatiza.
Outro grande desafio, emenda Nilmar, enfrentado até mesmo por grandes empresas que têm vontade de inovar e criar novas soluções é a falta mão de obra, principalmente nas áreas de desenvolvimento de softwares, automação industrial e mecatrônica. “Falta mão de obra para fazer bastante coisa na área industrial, da mesma forma que falta qualificar os colaboradores das empresas para que eles tenham uma visão mais inovadora do próprio empreendimento, não precisando somente o empresário inovar, mas também o colaborador ter a visão e perceber as oportunidades de fazer pequenas inovações no seu trabalho e assim poder aumentar a produtividade, vendas e a qualidade de serviço”, expõe, reiterando que é preciso engajar essas pessoas para que a cultura de inovação se estabeleça.
Por outro lado, enaltece Nilmar, as grandes empresas perceberam que o Ecossistema de Inovação é uma oportunidade de elas resolverem os seus problemas e também complementar o trabalho de inovação. “Os ‘atores’ já estão começando a agir, entendendo a importância do ecossistema de inovação e de toda a metodologia de startup. Isso é útil para poder incentivar os estudantes a empreender e não somente ter uma carreira como funcionário. Os professores já estão sensibilizados e percebem a oportunidade de engajar mais pessoas na área de inovação e empreendedorismo”, enfatiza.
Nilmar entende que hoje o Ecossistema de Inovação está muito voltado à criação de novas soluções. “As empresas tradicionais, que já estão no mercado há algum tempo, precisam fazer um trabalho interno de melhoria ao atendimento, criar novas experiências e conseguir cativar os clientes para que eles comprem no comércio local e não no e-commerce ou em outras cidades. Criando mecanismos de conquista ao consumidor, as empresas terão condições de competir no mercado”, finaliza.
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