Marechal

Em meio às transformações, pedestres ganham espaço

A frase já está se tornando um clichê, porém, a trivialidade de dizer que Marechal Cândido Rondon cresceu sem estar preparada para contar com um fluxo de 40 mil veículos não torna a afirmação menos verdadeira.

Falta de vagas para estacionamento e filas nos horários de pico são problemas comuns potencializados por boa parte dos munícipes não utilizarem corretamente mecanismos implantados para melhorar o tráfego.

Casa do Eletricista – TORNEIRAS ELÉTRICAS

Uma dessas ferramentas está em fase de implantação na esquina da Avenida Rio Grande do Sul com a Rua Sete de Setembro – e já causa estresse em quem precisa usar a via cotidianamente. Previsto no projeto original de revitalização da avenida, o platô elevado é um dispositivo instalado em cruzamentos que contam com um grande fluxo de veículos e pedestres, permitindo que o cruzamento dos pedestres aconteça no mesmo nível das calçadas e não da rua, obrigando os motoristas a reduzirem a velocidade. “Além de embelezar a obra, ele marca um ponto onde o motorista deve observar que há grande concentração de pedestres e deve diminuir sensivelmente a velocidade do veículo para que não coloque em risco a vida dos pedestres”, expõe o secretário de Segurança e Trânsito, Welyngton Alves da Rosa.

O platô ocupará o local de uma das rotatórias implantadas há pouco tempo na via e que, de acordo com o responsável pela pasta, tem mais aceitação pela comunidade rondonense por permitir melhor fluidez naquele ponto da cidade. “Mesmo com a implantação do platô elevado, nossa intenção é manter uma rotatória neste local, até por uma solicitação dos comerciantes daquela região”, explica.

A discussão, no entanto, é sobre a forma que a rotatória – que diminui o número dos chamados “pontos de conflito”, termo que indica as áreas prováveis de colisões em um cruzamento ao se considerar todas as trajetórias possíveis dos veículos – será sinalizada. “Como o platô é feito com paver, não podemos colocar os tachões refletivos. Estuda-se a possibilidade de demarcar essa rotatória de forma diferenciada, com floreiras, por exemplo, que também embelezariam o local além de cumprir com a finalidade da rotatória”, comenta Rosa. 

O secretário de Segurança e Trânsito pede à população compreensão neste momento, tendo em vista que nos próximos dias a empreiteira responsável pela obra fará o fechamento da segunda parte da avenida, fazendo com que a via fique completamente isolada. “É preciso um pouco de paciência da população neste momento”, solicita.

A expectativa de Rosa é de que a população se adapte ao platô elevado, tendo em vista que ele é como uma faixa de travessia de pedestres, sinalizando ao motorista que precisa reduzir a velocidade e ficar atento à passagem de pessoas em ambos os lados da rua. “Esperamos que a população se acostume porque em municípios onde já foram implantados platôs o índice de acidentes diminuiu significativamente”, aponta.

 

Sistema de rotatórias

Com o andamento do projeto de revitalização da Avenida Rio Grande do Sul, diversas alterações significativas devem acontecer no trânsito rondonense além da instalação do platô elevado. No intervalo da Avenida Maripá com a Rua Helmuth Koch (Supermercado Copagril), os retornos existentes no meio das quadras serão fechados. “Isso também está previsto pelo projeto”, comenta. “No intervalo da Avenida Maripá até a Avenida Írio Welp existem outros sete retornos que também serão fechados”, complementa.

A intenção do Poder Público é iniciar as intervenções na outra extremidade da Avenida Rio Grande do Sul após a festa do município, que acontece em julho. “Só estamos definindo a possibilidade de fazer um embelezamento da avenida com cachepôs de flores ou se será feita a instalação de meios-fios e plantio de grama no canteiro central”, informa, ressaltando que o fechamento desses retornos já está definido por serem pontos de acidentes de trânsito.

O impacto, conforme Rosa, será na fluidez do tráfego. Serão diminuídos pontos causadores de acidentes, pois, de acordo com ele, apesar dessas conversões serem legalizadas, elas são perigosas. “Existe uma grande possibilidade de acontecer uma colisão principalmente traseira porque para fazer a conversão o veículo para no fluxo da via. Se não tiver uma atenção redobrada, pode ocorrer um acidente para quem está subindo ou descendo a avenida”, declara.

A mudança também é uma forma de forçar os condutores a utilizarem o sistema de rotatórias existente no município, já que desta forma os veículos deixam de fazer conversões no meio das quadras e se deslocam para as rotatórias, permitindo maior fluidez no trânsito com mais segurança. “Fechamos um retorno na Avenida Maripá que estava a 50 metros de uma rotatória. Era totalmente inviável fazer aquele retorno com insegurança, sendo que a 50 metros existe uma rotatória oferecendo todas as questões de segurança para o condutor”, avalia o secretário. “O retorno foi transformado em estacionamento, propiciando a ampliação de vagas, e os condutores forçados a utilizar a rotatória”, acrescenta.

Apesar de o projeto não contemplar a Avenida Maripá, Rosa destaca que alguns retornos da via estão passando por estudos para serem fechados e transformados em estacionamento. “O prefeito Marcio Rauber também demandou um estudo para a possível implantação de rotatórias na Avenida Maripá”, adianta.

 

Campanhas

Apesar de o sistema existir há algum tempo em Marechal Rondon, ainda há muitos condutores que não sabem a forma correta de utilizar as rotatórias, causando acidentes. Em recente reportagem do Jornal O Presente, tanto o comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Tiago Zajac, quanto o comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar, capitão Valmir de Souza, afirmaram que a má sinalização das rotatórias e a utilização incorreta pelos condutores são as principais causas de acidentes no centro da cidade. “A intenção da implantação das rotatórias é fazer com que o condutor saia de um ponto da cidade e chegue a outro determinado ponto em um tempo previsto, em velocidade constante de 40 ou 60 km/h, com segurança, fazendo com que o trânsito não seja trancado permanentemente como ocorre com os semáforos”, afirma Rosa.

Neste sentido, aponta, os retornos fazem com que as rotatórias percam sua finalidade principal, já que os motoristas deixam de usar a rotatória porque o retorno muitas vezes diminuiu a distância percorrida. “Nós homologamos e ratificamos a declaração da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros porque na maioria dos acidentes o condutor não tem consciência de que quem está fazendo a rotatória é quem tem a preferência de tráfego”, diz.

Para tentar driblar o problema de incompreensão sobre o uso de rotatórias, o secretário adianta que além de campanhas educativas – especialmente no Maio Amarelo e em setembro, durante a Semana Nacional do Trânsito – outras medidas que serão tomadas pela Secretaria de Segurança e Trânsito é a melhora na sinalização nesses pontos. “Nos quatro pontos de intersecção será refeita a sinalização horizontal e vertical informando que ali é uma via preferencial, porque a via deixa de ser preferencial e quem está na rotatória tem a preferência de trafego, além da pintura da faixa de pedestres porque este também é um ponto de travessia de pedestres e os veículos devem cruzar a rotatória em velocidade inferior ao permitido para a via”, comenta.

Rosa ressalta que há uma preocupação constante com o trânsito rondonense, especialmente neste último mês, quando foram registrados três óbitos resultantes de acidentes graves ocorridos no centro. “Temos conversas permanentes com a PM acerca da fiscalização e eles têm feito um trabalho ostensivo e punitivo em relação aos maus condutores. Penso que é interessante punir o mau motorista para valorizar o bom motorista”, frisa.

Segundo o secretário, o município ainda carece muito em sinalização de trânsito, tanto vertical quanto horizontal, além de placas com nome de ruas. “No segundo semestre vamos trabalhar para diminuir este problema”, expõe.

Outro obstáculo é a falta de fiscalização específica para o trânsito, já que o município não dispõe de efetivo para executar a fiscalização junto à PM. “Futuramente vamos dialogar com o prefeito para fazer o chamamento dos agentes de trânsito aprovados em concurso para termos pelo município uma fiscalização educativa auxiliando a Polícia Militar”, diz. “Todo o trabalho da secretaria tem o objetivo de preservar vidas diminuindo acidentes, e quando os números são preocupantes como os do último mês, temos que redobrar a atenção”, complementa.

 

Necessidade

Junto às rotatórias, outro mecanismo é citado pelos órgãos de segurança pública como um dos grandes causadores de acidentes em Marechal Cândido Rondon: os estacionamentos oblíquos.  

Apesar de aumentar em 40% o número de vagas ofertadas, o estacionamento oblíquo leva o condutor a retirar o carro da vaga de ré, o que pode gerar colisões com os veículos que estão trafegando na via. “A mudança de estacionamento não está sendo cogitada na Avenida Rio Grande do Sul porque muitas vagas são extintas e a cidade cresceu sem estar preparada para a frota que tem hoje. A falta de estacionamento rotativo, somada ao fato de a dificuldade do comércio ofertar para os clientes, faz com que não tenhamos um estudo para acabar com o estacionamento oblíquo”, enfatiza o secretário.

De acordo com ele, o que está sendo discutido no momento junto à Secretaria de Coordenação e Planejamento são situações de árvores e vagas de estacionamento próximo às rotatórias. “A legislação de trânsito estabelece que não pode haver árvores a menos de 15 metros dos cruzamentos, pois estará de forma irregular, tirando a visibilidade do motorista e dificultando as travessias”, explica.

Levando em conta o que prevê a legislação, Rosa diz que uma das possibilidades seria fazer com que o estacionamento, a menos de 15 metros das rotatórias, não seja oblíquo e sim paralelo à calçada. “Há um estudo em relação a isso, mas ainda não sabemos na prática como funcionaria e quantas vagas de estacionamento nós perderíamos com isso”, observa.

Acerca das árvores no canteiro central, Rosa menciona que onde há contornos elas dificultam a visualização e representam um ponto de impacto muito forte em casos de acidentes onde há perda de controle do carro. “Vejo que os municípios que retiraram as árvores do canteiro central estão com um trânsito mais seguro, porém, a retirada das árvores depende da discussão com a população”, declara.

 

Mais vagas

A ampliação de vagas de estacionamento no centro, destaca o secretário, é uma preocupação constante. Por isso estão sendo realizadas intervenções na Rua Sete de Setembro, com a retirada dos bicicletários que possuem estrutura de pontos de ônibus. “A administração tem vários pedidos de bairros que têm linhas de ônibus regulamentar e que não têm ponto de ônibus, então estamos retirando esses pontos de ônibus e fazendo a manutenção para que sejam alocados nesses bairros”, explica.

Nos pontos de mudança, o alongamento da calçada que adentrava na pista de rolamento está sendo retirado, aumentando em cada local duas vagas a mais de estacionamento. “Isso também acontecerá posteriormente na Rua Tiradentes”, informa.

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