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Marechal

Empresários rondonenses falam sobre trabalho remoto em municípios pequenos; confira

calendar_month 18 de junho de 2020
8 min de leitura

Com o avanço da pandemia e medidas de prevenção sendo impostas em todos os âmbitos da administração pública, a atividade comercial foi suspensa em alguns períodos com o intuito de evitar aglomeração de pessoas e consequente propagação do coronavírus. Contudo, alguns segmentos deram continuidade aos seus trabalhos a distância, por meio do chamado home office, uma tentativa de manter as atividades minimizando riscos para os colaboradores.

Longe de ser novidade, o trabalho remoto já acontecia, porém sem receber muita atenção da sociedade de modo geral. Com as circunstâncias do momento, empresários passaram a vê-lo como uma saída para seus negócios, tanto em grandes centros quanto em municípios menores.
Em Marechal Cândido Rondon, a Priori Sistemas adotou o trabalho a distância dias após a publicação do decreto municipal que suspendeu as atividades comerciais, ainda em março.

“Quando ficamos sabendo da pandemia, levamos um susto e resolvemos aderir ao home office, tanto pela segurança quanto pela experiência”, relata Gerson Froehner, proprietário da empresa de tecnologia, que é 2º vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial (Acimacar) e membro do Núcleo de Informática da entidade.

Proprietário da Priori Sistemas, Gerson Froehner: “Nós temos dificuldade na admissão de pessoas por ser um setor especializado, mas com essa experiência percebemos que é possível contratar gente de fora e fazer a inserção virtualmente” (Foto: O Presente)

 

ACORDO ENTRE EMPRESA E COLABORADORES

Froehner destaca que por se tratar de uma empresa de tecnologia esperava estar mais bem preparado para isso, mas a realidade foi diferente. “Tivemos que mexer bastante em nossa estrutura e, a partir de um acordo entre empresa e colaboradores, cada um cedeu um pouco para que desse certo. Assim, em home office tivemos a vantagem de não precisar baixar salários e nem reduzir carga horária”, enaltece.

 

INFRAESTRUTURA

Segundo ele, um cuidado essencial nessa transição para o trabalho remoto foi garantir que os funcionários contassem com os equipamentos necessários. “Alguns colaboradores precisaram, por exemplo, de cadeira, de mesa, e nós cedemos. Trabalhamos normalmente com dois monitores, então levamos outros monitores para eles, fone de ouvido e itens do gênero”, detalha, acrescentando: “Por sorte, a tecnologia nos ajuda muito e o sistema de telefonia que já utilizávamos permitia que atendêssemos de casa. A telefonista conseguia passar para quem precisasse”.

Além disso, conta Froehner, estruturas antes de uso coletivo foram individualizadas e receberam atenção especial. “No escritório temos uma internet redundante e quando fomos para casa tivemos que cuidar do sinal de todos. Quando havia problema, procurávamos o fornecedor para resolver. Uma coisa simples e que ajudou foi, ao invés de utilizar a internet via wi-fi, conectar os aparelhos por cabos, aumentando a qualidade”, menciona.

 

PROXIMIDADE ÀS PESSOAS

Um ponto negativo do home office, aponta Froehner, é a falta de contato entre a equipe. “A proximidade entre as pessoas foi uma das coisas mais difíceis. No escritório, era só chamar o outro e tirar a dúvida. A gente adotou uma plataforma que quase simulava isso no ambiente virtual, mas sentimos falta do calor humano”, frisa.

 

CONTRATAÇÃO DE FORA

O proprietário da Priori Sistemas lembra ainda que pouco antes de entrar em home office a empresa havia contratado duas pessoas. “Tivemos o que chamamos de onboarding para inserir eles na empresa. Passamos meio dia conversando presencialmente e o resto da entrada foi toda virtual, treinamento e capacitação”, expõe.

Para ele, a contratação e inserção no ambiente da empresa de maneira on-line demonstrou ser possível empregar colaboradores de outros lugares. “Nós temos uma dificuldade na admissão por ser um setor especializado, mas com essa experiência percebemos que é possível contratar pessoas de fora e fazer a inserção virtualmente”, enfatiza, emendando que a plataforma por eles utilizada permite o monitoramento das atividades.

Gerson Froehner contratou dois funcionários (na foto) e realizou a inserção deles na empresa de maneira on-line, no home office (Foto: Divulgação)

 

DESLOCAMENTO

De acordo com Froehner, o fato de os colaboradores não percorrerem grandes distâncias até chegar ao trabalho faz com que o serviço presencial seja favorecido. “Nos grandes centros o deslocamento é mais demorado e o home office acaba oferecendo ainda mais vantagens. Contudo, no que diz respeito às reuniões virtuais, o virtual foi um facilitador: em um dia, participei de uma reunião on-line em Foz do Iguaçu, Cascavel e em Curitiba. Se fossem feitas presencialmente, eu teria de escolher apenas uma”, observa.

 

AVALIAÇÃO

Após cerca de 70 dias em regime remoto, o empresário retornou com as atividades presenciais na semana passada. “Agora, passamos por um momento de avaliação. Vamos verificar o que é mais proveitoso. Foi produtiva a distância e agora veremos como será presencialmente. O nosso serviço nesse período multiplicou e esse diagnóstico é necessário”, considera.

Conforme o proprietário da empresa, a equipe prefere trabalhar na empresa devido ao contato e proximidade com as pessoas, contudo, exceções serão estudadas. “Temos o caso de uma funcionária que tem filhos e a creche não está funcionando, eventualmente ela pode atender os clientes de casa como se estivesse aqui. Se alguém precisar focar mais em sua atividade e se se sentir mais confortável, dependendo do projeto, pode trabalhar de casa”, exemplifica e adiciona: “Percebemos que essa flexibilização é possível, é tudo questão de adaptação”.

 

CONECTIVIDADE A FAVOR

Na opinião do diretor técnico da Domus Telecom, Sidnei Pruinelli, que atua no mercado de tecnologia da informação há 30 anos, Marechal Rondon e região estão um passo à frente para avançar no trabalho remoto. “No que tange à conectividade de internet, temos uma pluralidade de fornecedores e velocidades compatíveis com grandes centros. Estamos no interior, mas temos aqui o que há de ponta na tecnologia e isso favorece essa modalidade de trabalho”, entende.

Ele diz que muitas empresas rondonenses já contavam com acesso remoto aos seus sistemas, mas que essa demanda se intensificou com a pandemia. “Houve, sim, uma aceleração e alguns empreendimentos se viram forçados a ter o serviço remoto, todavia, provavelmente menor ao de outras cidades que não contavam com essa estrutura anteriormente. Por outro lado, muitas já tinham as condições e só começaram a trabalhar”, enaltece.

Os segmentos que mais aderiram ao trabalho remoto, segundo o diretor técnico, são de contabilidade, advocacia, desenvolvimento de sistemas, suporte remoto, telemarketing e tecnologias afins.

Diretor técnico da Domus Telecom, Sidnei Pruinelli: “No que tange à conectividade de internet, temos uma pluralidade de fornecedores e velocidades compatíveis com grandes centros. Estamos no interior, mas temos aqui o que há de ponta na tecnologia e isso favorece essa modalidade de trabalho” (Foto: O Presente)

 

DESAFIO PARA AS CIDADES INTERIORANAS

Quarenta e três por cento das empresas do país adotaram o trabalho remoto como alternativa durante a pandemia, segundo pesquisa da Betania Tanure Associados (BTA). “Nas cidades menores, o home office tem sido ampliado em níveis próximos a esse indicativo, logicamente respeitando as proporções e características de cada cidade”, ressalta o consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Alan Alex Debus, ao O Presente.

Ele comenta que algumas características intrínsecas às localidades interioranas não favorecem essa modalidade de trabalho. “Há uma cultura diferente por aqui. O acesso ao trabalho é mais fácil, o número de colaboradores, principalmente em micro e pequenas empresas, é menor, o que é um fator positivo para evitar a transmissão de doenças. Apesar disso, o trabalho remoto tem sido incentivado em grande parte por empresas de tecnologia e de consultoria, por exemplo”, expõe.

Consultor do Sebrae, Alan Alex Debus: “É uma modalidade totalmente viável e se acelerou nesse momento de pandemia” (Foto: Divulgação)

 

TOTALMENTE VIÁVEL

Debus frisa que a pandemia apenas forçou uma tendência que já vinha sendo observada no mercado de trabalho. “É uma modalidade totalmente viável e se acelerou nesse momento. As ferramentas não estavam 100% preparadas, mas tanto empresas como funcionários se capacitaram para fazer possível”, menciona.

De acordo com o consultor do Sebrae, as empregadoras garantem ainda outras vantagens além do contingenciamento do coronavírus. “Há a redução de custos de estrutura física para as empresas; onde antes precisava de um local amplo e com infraestrutura para receber os funcionários, agora não é necessário. Outra vantagem é em relação ao aumento da produtividade: se o funcionário se adapta bem, ele compensa o ganho de não ter de se deslocar em mais resultados”, pontua.

 

DICAS PARA HOME OFFICE EFICIENTE

Pontos que devem ser observados para que o home office aconteça com eficiência:

. Organize seu tempo. É preciso ter disciplina: cumprir o horário de trabalho, respeitando os períodos de descanso.

. Evite distrações. Não é recomendado trabalhar com televisão ligada, animais de estimação ao redor e fluxo de pessoas, pois a concentração pode ser prejudicada.

. Tenha um local próprio para o trabalho. Uma maneira de evitar distrações é ter um espaço destinado exclusivamente ao trabalho, com ferramentas e iluminação adequadas.

. Garanta boas ferramentas. Para que o trabalho flua com eficiência, tenha à disposição boas ferramentas, canais de comunicação, aplicativos, softwares etc.

 

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