O Presente
Marechal

Empresários rondonenses opinam sobre a reabertura do comércio

calendar_month 1 de abril de 2020
11 min de leitura

O comércio de Marechal Cândido Rondon reabriu suas portas na terça-feira (31), após dez dias fechado. Para falar sobre o assunto, a reportagem de O Presente entrevistou empresários e gerentes de empresas de diferentes segmentos, os quais opinaram sobre a reabertura dos estabelecimentos comerciais rondonenses, falaram das dificuldades vivenciadas e fizeram uma avaliação sobre o atual cenário do município, que já está sentindo os impactos na economia diante das medidas restritivas e preventivas para conter o avanço do novo coronavírus. Eles comentaram ainda sobre assuntos como prejuízos, queda nas vendas, demissões e ações criadas para manter o quadro de funcionários, bem como da expectativa de virar a página e voltar a bons níveis de comercialização de seus produtos e serviços. Confira.

 

Eduardo Vorpagel, sócio-proprietário de uma empresa de materiais de construção

(Fotos: Divulgação)

“Estimamos que leve de quatro a cinco meses para haver maior procura no comércio. Em relação a prejuízos, ainda não temos como estimar, pois não houve perda direta, porém o volume de vendas tende a ser menor. Ou seja, ainda não sabemos quantificar. Manter os compromissos é um desafio muito grande aos empresários, pois as entradas foram cortadas, então gerir este processo tem sido uma grande dificuldade. Imaginamos que ao reabrir o comércio as vendas não seguirão o ritmo de antes. Vemos que o governo federal se articula, contudo acredito que acontecerão demissões e inadimplência, por mais que novas linhas de crédito sejam oferecidas e apesar da redução da taxa Selic. Isso mostra que a vida de muitas pessoas vai mudar. Vivemos uma situação inédita, porque a economia estava em uma curva ascendente e de repente caiu de forma vertiginosa. Todos os setores sentirão esta diminuição que levará a uma mudança de hábitos. Imagino que a curto prazo devemos adotar medidas de austeridade para atravessar este momento crítico de fechamento do comércio para posteriormente buscar formas de estimular a economia. Com esforço, dedicação e otimismo todos juntos poderemos vencer esta crise”, projeta.

 

Marcos Kasburg, empresário do ramo de prestação de serviços de mecânica de veículos

(Foto: Arquivo/OP)

“Trabalho no ramo de reparação automotiva e autopeças há 30 anos e ao verificar tudo o que vem acontecendo a gente que é empresário fica bem apreensivo sobre o que fazer. Nesses dias fiz alguns atendimentos considerados essenciais para a polícia, ambulâncias. Nosso sonho é que tudo volte ao normal, mas sabemos que isso não vai acontecer. Em muitos setores as cidades estão paradas, contudo farmácias, hospitais, supermercados e oficinas têm movimento. Em relação aos prejuízos, tivemos dez dias parados mas a folha de pagamento correu normalmente. A gente acaba usando as férias em um combinado com a equipe, e penso que a maioria das empresas vai fazer isso. Esses dias parados vão baixar muito o caixa de empresas menores, devido ao dinheiro que não entrou. Este é um momento de cautela, de analisar o que deve ser feito e de adotar uma nova estratégia de comércio. Amanhã (hoje) será uma grande experiência, talvez única para os empresários. A grande dificuldade é que as pessoas vão querer enxugar suas despesas, e isso vale para todos os segmentos. Estamos voltando com toda a nossa equipe nos três setores dentro da empresa e vamos analisar o que vai acontecer. Nós, brasileiros, somos empreendedores natos, nascemos com isso e vamos dar a volta por cima. Vai demorar um pouco, vai dar trabalho, mas vamos sair por cima, porque acreditamos nesse Brasil. É o momento de analisar o negócio, ver os gastos, os lucros, deve-se analisar o todo. Será um tempo de usar estratégia e otimismo para girar o negócio e vencer as dificuldades. O essencial é o empresário acreditar que tudo isso passará”, comenta.

 

Elemar Lamberti, sócio de uma transportadora

“Prejuízos nós teremos, mas neste período é impossível mensurar quanto. Sobre as dificuldades dos empresários na economia ainda há incerteza política e econômica, de modo que no momento não podemos falar algo mais concreto. Como tudo é uma corrente, certamente haverá demissões devido aos prejuízos em todos os setores. Penso que a área da alimentação será a menos afetada, mas os demais comércios e atividades terão prejuízo. Fala-se muito de antes e depois da pandemia. Devemos avaliar como estávamos antes e o que vai ser agora, pois a fase é de procurar superar esta dificuldade. Devemos esperar os próximos 30 dias, o que será com este coronavírus, porém certamente as dificuldades serão grandes, então levaremos anos para nos recuperar. Todo empresário terá de se reinventar, cada um na sua atividade, procurar alternativas, usar da criatividade para atravessar estas dificuldades. Precisamos nos precaver, cuidar da saúde e das pessoas e estamos fazendo isso. Mas também é necessário olhar a economia. E se houver desemprego e miséria?”, indaga o empresário.

 

Fernando Mees, sócio de uma loja de móveis

“Os dez dias fechados representam 30% do faturamento de um mês. O nosso caso, de comércio moveleiro, difere muito de outros ramos, pois nossas vendas são dispersas, podemos vender muito ou pouco. Para nós o resultado do mês ficou comprometido. A queda de faturamento pela venda não realizada vai trazer tempos difíceis e mesmo com crediário próprio haverá inadimplência nas empresas. O recebimento certo virá pelos cartões. Estou reformando uma sala onde será a nova sede da empresa e em algumas vezes que estive lá nos últimos dias de sete a oito pessoas vieram pedir emprego porque foram dispensadas. Esses são os principais afetados, pois não estão trabalhando. Várias indústrias moveleiras falaram em demissão, então vai dificultar venda futura e o recebimento futuro das vendas já efetuadas. Por outro lado, a venda vai existir, quem sabe em um volume menor e com margem reduzida para manter as empresas ativas, mas sacrificando o lucro. Haverá férias, cancelamento de pedidos, redução do quadro. Será preciso bom senso entre empresário e funcionário para juntos encontrar uma solução, pois a estratégia deve ser rápida. Será preciso linha de crédito e cortar o que for supérfluo. Teremos de nos adequar a esta realidade e buscar apertar onde der para se organizar para o que vem pela frente. Acredito que vai levar de dois a três anos para tudo voltar a patamares melhores”, opina.

 

Marcel Buth, sócio de academias de ginástica

“As dificuldades virão para todos que pagam salário, aluguel e gastos decorrentes. A lição é importante a todos os empresários: é preciso estar prevenido para esse tipo de coisa. É necessário ter um fundo de emergência, pois aquele que trabalha hoje para pagar a conta de amanhã vai sofrer mais. Há 15 anos com a empresa, e agora a crise nos pegou em um momento de investimento, pois queremos abrir uma nova academia daqui a seis meses. As reformas seguem em andamento e estou confiante, pois planejamos tudo com tranquilidade e caixa. Espero que talvez em um ano as coisas voltem à normalidade. Entendo o desespero de comerciantes que querem abrir seus estabelecimentos, contudo é preciso pensar na cidade como um todo. Acredito que se abrir agora logo teremos que fechar novamente e esse abre e fecha é prejudicial ao planejamento, sendo mais vantajoso manter fechado. A falta de organização vem descendo pelos órgãos públicos e afeta a organização do empresário. Outro problema é a volta às aulas: muitos trabalhadores precisam de um lugar para deixar os filhos, mas se isso acontecer não tem mais volta, pois as crianças são assintomáticas em sua maioria e o vírus vai se alastrar. Entendo que os pequenos empresários, aqueles que terão dificuldades, devem abrir, mas outros que conseguem se manter podem aguardar, até mesmo porque não vai haver tanta circulação. É preciso pensar no todo para resolver esse problema”, expõe o empresário, que ainda não pode abrir seu estabelecimento, uma vez que as academias, por decreto, devem seguir fechadas.

 

Marjori dos Santos, sócia de uma empresa de vestuário

“O cenário é complicado, visto que contávamos com esses dias úteis de venda para pagar os compromissos firmados. Contudo, reconhecemos que isso vale se for para o bem e a saúde de todos. Acredito que a maior dificuldade por vir será honrar e pagar as contas entremeio a esses percalços econômicos, uma vez que sem dúvida o comércio em geral sofrerá as consequências dessa pandemia. Por esse motivo, é preciso adotar novos conceitos para sobreviver nessa adversidade, buscando inovar e se destacar. Na nossa empresa, vamos lidar com esse momento disponibilizando pagamentos diferenciados para que as pessoas consigam fazer suas compras. Na linha infantil acredito que a procura não cessará, pois as crianças ano a ano perdem vestuário e, também, a nossa região tem um clima muito diversificado, fazendo com que as pessoas procurem roupas adequadas a cada estação. Creio que vai demorar um bom tempo para nos restabelecermos, mas devemos ter pensamento positivo para dar a volta por cima. O brasileiro nunca desiste, luta bastante e supera as dificuldades com muita fé e esperança. Passaremos por essa fase juntos”, enaltece a empresária.

 

Luciani de Souza, sócia de uma loja de artigos para presentes e produtos variados

“Acredito, sim, que o comércio teve inúmeros prejuízos por estar de portas fechadas e, consequentemente, sem giro de caixa. Todavia, ainda é cedo para medir este impacto. No nosso caso, vejo que começamos o ano com mais vendas do que no ano passado. Repus praticamente todo estoque e comprei muito em fevereiro e março. Hoje minhas principais dívidas são com fornecedores e, assim como todos, precisam ser pagas estando de portas abertas ou não. Outro desafio será estimular novamente o público; eu investi, comprei mercadorias e preciso vender. Dependo dos meus clientes para honrar os compromissos com meus colaboradores, que voltaram das férias e devo pagá-los. O cenário preocupa, mas é preciso fazer a roda girar. A comunidade deve reafirmar seu compromisso com o comércio local comprando na cidade, pois no nosso caso temos bons produtos e variedade para oferecer. Sobre a reabertura do comércio, salientamos que só devem sair de casa pessoas fora da faixa de risco e com as devidas precauções. As empresas estarão preparadas com ventilação, barreiras com alvejante, álcool gel, ambientes ventilados e evitando aglomeração, além de serviços de entrega. Acredito que as coisas vão melhorar, contudo aos poucos”, destaca Luciani.

 

Ildemar Kanitz, diretor de uma instituição de ensino privada

“Os prejuízos já existem e existirão. É complicado quantificar, pois estamos no meio do processo ou pode até ser o início. A economia local sentiu fortemente com o fechamento do comércio, mas isso vem acontecendo desde a queda das bolsas de valores há algumas semanas. Toda crise gera a necessidade de reinventar o comércio. Alguns conseguem fazer isso de maneira tranquila, mas outros terão dificuldades. Outra questão envolve as pessoas que seguraram dinheiro, pois antes tínhamos muito recurso guardado, mas sem giro, e agora vamos ter menos recursos. Todos sentirão os reflexos mais cedo ou mais tarde. Como escola, nós não vamos sentir de imediato, mas, sim, durante o ano na inadimplência e ano que vem com a diminuição das matrículas. Cada setor tem suas peculiaridades. Acredito que as atividades voltarão com menos pessoas circulando, com medo ou comprando apenas o essencial. É cultural em tempos de crise segurarmos o dinheiro por questão de autopreservação. Entendo que de médio a longo prazo, de dois a três anos, o consumo será retomado integralmente. É preciso se reinventar e, sobretudo, apostar no comércio local, em um olhar de autopreservação, fazendo a economia rodar e avançando com todos os serviços nessa crise”, ressalta Kanitz.

 

Maria Luiza Formighieri, gerente de uma loja de joias

“Já temos prejuízo com esses dez dias fechados, quando poderíamos estar vendendo. Daqui para frente penso que vai variar muito pela situação do Brasil. Se com os cuidados que vamos ter os casos não evoluírem muito, acho que em um mês as coisas voltam ao normal. A maior dificuldade é que todo mundo ficou com medo, pois a televisão no geral colocou muito pânico nas pessoas. Agora todos vão querer guardar o máximo de dinheiro para que caso aconteça alguma eventualidade possam comprar comida ou algo assim. Se as pessoas não compram na minha loja eu não consigo comprar na do outro e não há esse giro de dinheiro na cidade. Sobre demissões, penso que cada empresa deve perceber sua situação. Nós temos duas funcionárias, mas vamos tentar segurar o máximo possível mesmo com movimento menor, então o caso é o empresário ter um diálogo franco com sua equipe. Nós tivemos esse diálogo na loja, explicamos que será um tempo difícil, porém vamos passar por isso juntos. Quanto mais a gente conseguir segurar o funcionário, melhor será. Na questão da reabertura do comércio, acredito que logo o movimento vai normalizar. Em relação a dar a volta por cima, imagino que isso vem para aprimorar os negócios e fazer as empresas inovarem. Estamos em um mundo 100% digital e nós, por exemplo, não temos uma loja on-line. Isso é algo que teremos daqui para frente”, menciona.

 

O Presente

 

Clique aqui e participe do nosso grupo no WhatsApp

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.