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Empresas rondonenses já sentem os reflexos do novo coronavírus

calendar_month 22 de março de 2020
7 min de leitura

A rotina da população brasileira foi extremamente alterada nas últimas semanas, após o anúncio da morte de pessoas infectadas pelo novo coronavírus (Covid-19) e a propagação de novos casos suspeitos e outros já confirmados pelas autoridades de saúde.

Segundo dados do Ministério da Saúde, até a última quinta-feira (19) já haviam sido confirmadas seis mortes causadas pela doença, quatro em São Paulo e duas no Rio de Janeiro. O número de infectados é de 621 pessoas, além de 11.278 casos suspeitos.

De acordo com o último relatório divulgado na quinta-feira pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná possui 23 casos confirmados, 122 descartados e 146 suspeitos, totalizando 291 notificações da doença.

Em Marechal Cândido Rondon haviam quatro casos considerados suspeitos: um deles foi descartado pela Sesa, enquanto os outros três aguardam o resultado de laboratórios.

Diante de tantas notícias preocupantes, em Marechal Rondon a rotina das pessoas também precisou ser alterada, principalmente depois do anúncio do decreto municipal com medidas de controle e prevenção contra a doença, realizado na última terça-feira (17).

Muitos estabelecimentos comerciais e órgãos públicos do município passaram por adaptações relacionadas ao dia a dia das atividades e adequações nos quadros de funcionários.

Carla Adams, proprietária de um restaurante em Marechal Rondon, conta que após a intensificação de casos do novo coronavírus, o movimento no restaurante caiu em 50%. “Nós retiramos cerca de 30 cadeiras para aumentar o espaçamento entre as mesas, de acordo com o que determinam as orientações de segurança”, menciona.

Segundo a empresária, outras medidas foram adotadas para evitar a contaminação, entre elas estão a higienização dos pratos, copos e talheres, que passaram a ser feitas duas vezes durante o horário do almoço, assim como a limpeza com álcool dos pegadores e demais objetos que são manuseados pelos clientes do restaurante. Ela diz que com a queda no movimento algumas adaptações no cardápio também foram feitas. “Nós diminuímos a quantidade e a variedade de pratos e faremos um desconto no valor do quilo da comida. Estamos orientando também os clientes a virem nos horários de menor movimento, que são das 11 às 12 horas ou depois do meio-dia”, relata.

Além disso, Carla comenta que a partir de segunda-feira (23) o restaurante passará a oferecer o serviço de entrega em domicílio. “A partir da semana que vem os clientes que não querem vir ao restaurante receberão suas refeições em casa”, avisa.

Ela explica que os funcionários do restaurante foram informados dos procedimentos que devem ser realizados em casos de sintomas da doença e os cuidados com a higiene para evitar o contágio.

Ingrun Seyboth Lirio (Guni) é cliente do restaurante há mais de quatro anos e costuma almoçar quase todos os dias no estabelecimento. A empresária conta que mesmo com a ameaça causada pela pandemia do coronavírus continua frequentando o local. “Sei que os proprietários tomaram todos os cuidados necessários, e isso me deixa um pouco mais tranquila”, afirma Ingrun.

 

CENTROS DE ATIVIDADES FÍSICAS

As academias também tomaram medidas para prevenir o contágio do novo coronavírus entre os frequentadores. Marcel Buth, sócio-proprietário de uma academia em Marechal Rondon, avaliou como necessário suspender as atividades mesmo antes do decreto do governo estadual, divulgado ontem (19), determinando, entre outros estabelecimentos, o fechamento de academias no Estado. “A academia estará fechada a partir desta sexta-feira (hoje, 20). São 15 anos de academia e essa será a primeira vez que estaremos fechados. Estamos fazendo a nossa parte em prol do bem social”, enaltece.

Tanto Buth como Tiago Augusto Pinz, também proprietário de academia, consideram importante que as pessoas não deixem de praticar exercícios físicos, mesmo em estado de quarentena. “Vamos fechar e retornamos quando a situação estiver melhor. Recomendamos que as pessoas façam atividade física, mesmo estando em isolamento. É possível fazer isso sem aglomeração de pessoas”, aconselha Buth. Pinz, por sua vez, usou das redes sociais para dar dicas de atividades para aqueles que estão em regime domiciliar.

 

OUTRAS FORMAS DE ATENDER

Preocupadas com a saúde e o bem-estar dos colaboradores, clientes e da comunidade em geral, Jane Radke, advogada responsável por um escritório de advocacia no município rondonense, divulgou um aviso nesta semana de que o escritório estava tomando medidas a fim de diminuir o fluxo de pessoas no local. “Nós vamos realizar os atendimentos via telefone ou WhatsApp. Essa foi uma maneira que encontramos de manter o trabalho interno fluindo quase que normalmente e com menos riscos de propagação do vírus. Os processos continuam em andamento”, informa, emendando que, em alguns casos de necessidade, documentos e afins poderão ser solicitados para entrega.

Jane pontua que nem todos veem a gravidade da pandemia. “É claro que cada caso é um caso e por isso cada empresa tem de se adequar de acordo com sua necessidade. A nossa iniciativa nos permite manter o andamento do serviço com mais segurança e cuidado à saúde de todos”, frisa, antecipando que adotará também outras medidas na sua empresa em relação aos colaboradores que possuem filhos: “Com a suspensão das aulas, vamos remanejar o serviço, propondo trabalho remoto ou em meio período. Ainda analisaremos a melhor maneira”.

 

AGLOMERAÇÃO DE PESSOAS

Cerimonialista, promotora de eventos e proprietária de uma empresa de bufê e eventos, Mari Silva sentiu na pele os efeitos da indicação para evitar aglomeração de pessoas. “Dos cinco eventos que faríamos nos próximos dias, apenas um não foi cancelado. Nós vamos sofrer financeiramente, assim como muitos outros segmentos, mas é preciso pensar na saúde em primeiro lugar”, expõe, acrescentando: “Esses eventos ainda não estão sendo remarcados, pois não sabemos até quando essa situação durará”.

O tempo sem atividades externas não significa tempo perdido, aponta Mari. “Nós aproveitamos esse período para organizar o nosso estoque e pretendemos realizar cursos on-line para aprimorar nossos serviços. Quando a situação se normalizar, estaremos melhorados”, amplia.

 

SUPERMERCADOS

Rotineiramente, os supermercados são lugares com aglomeração de pessoas, e mesmo em situação de pandemia, a movimentação nestes estabelecimentos continua, haja vista a essencialidade dos serviços prestados. Em Marechal Rondon, alguns deles adotaram medidas que visam garantir a segurança e a saúde dos consumidores, como a intensificação de medidas de higiene e, inclusive, a criação de horário de atendimento exclusivo para idosos, a faixa etária de maior risco para o coronavírus.

“Nós disponibilizamos álcool gel em todos os caixas, na recepção e espalhados pelo mercado. Como há a falta generalizada de álcool gel, dispusemos álcool líquido para a higienização de carrinhos e cestas”, detalha Arno Mühlbeier, gerente de um supermercado rondonense.

Ele diz que não há restrição para compra de produtos. “Por ora, o abastecimento de mercadoria está acontecendo normalmente e os consumidores podem comprar na quantidade que desejam”, informa.

 

AFASTAMENTO DE FUNCIONÁRIOS

Francieli Aparecida da Silva, que trabalha em uma empresa de eventos em Marechal Rondon, conta que muitos clientes cancelaram ou reagendaram os eventos que estavam previstos para acontecer nos próximos dias. Em vista disso, ela comenta que foi liberada para ficar em casa por tempo indeterminado. “Trabalho diretamente com o público em locais que concentram muitas pessoas, e já que as aglomerações estão proibidas, pra mim foi bom poder ficar em casa”, declara.

Por estar gestante, a rondonense compartilha que havia uma preocupação ainda maior, pois pouco se sabe sobre a ação do novo coronavírus em mulheres grávidas. “Estou muito preocupada, afinal, não sabemos se o vírus também pode afetar a criança”, expõe.

 

ÓRGÃOS PÚBLICOS

No Paraná, muitos órgãos públicos já suspenderam as suas atividades, sob decreto estadual, ou diminuíram o fluxo de pessoas, passando a atender apenas atividades essenciais ou já agendadas anteriormente.

Em Marechal Rondon não é diferente e a cada dia mais estâncias anunciam seu fechamento de portas, como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Agência do Trabalhador. A Câmara de Vereadores rondonense anunciou que as sessões ordinárias serão mantidas sem, contudo, ter a presença do público. O expediente será mantido, mas a instrução é de que se atenda apenas protocolos presenciais. Os servidores do Legislativo farão home-office e a comunicação eletrônica é incentivada.

 

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