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Marechal

Estiagem e posterior excesso de chuva marcam a safra de soja 2019/2020

calendar_month 21 de dezembro de 2019
5 min de leitura

O início da terceira semana de dezembro ficou marcada pela grande quantidade de chuva em Marechal Cândido Rondon e arredores, trazendo mais vida à cultura da soja. A precipitação se prolongou de maneira constante desde a tarde de domingo (15) até a tarde de terça-feira (17) com poucos intervalos. Tendo como base dados da Agrícola Horizonte, o acumulado de chuva no período foi de, aproximadamente, 160 milímetros de chuva na microrregião, embora tenha locais em que a precipitação média foi maior ou menor.

Haja vista a estiagem que ocorreu na época de plantio, as lavouras se encontram em muitos níveis de crescimento. Segundo Cristiano da Cunha, engenheiro agrônomo da Agrícola, essa é uma safra bastante diferenciada. “Nunca nos anos em que atuei como agrônomo eu vi um ano semelhante a esse. Sempre faltava chuva, mas quando a chuva voltava era normal. Esse ano foi diferente, as chuvas começaram no início de outubro, porém com frequência e quantidade muito irregular, trazendo danos para as lavouras que estavam plantadas. Agora, então, as chuvas voltaram de vez e nos últimos dias tivemos volumes elevados e bastante expressivos”, expõe.

O profissional diz que o acumulado de precipitação pode assustar algumas pessoas, mas para a agricultura traz benefícios. “Essa quantidade de chuva faz com que a umidade volte ao solo e ao subsolo, lembrando que a planta tem capacidade de enraizamento de até dois metros de profundidade. Assim, é importante que toda essa extensão de solo embaixo dela esteja úmida para que consiga suprir as suas necessidades hídricas”, menciona, acrescentando: “De modo geral, é mais benéfico do que maléfico”, resume.

Cunha explica que a chuva seria maléfica e poderia causar prejuízos ao agricultor se a precipitação não fosse distribuída da maneira que foi. “Por exemplo, se chovesse os 100 milímetros de terça-feira (17) em um intervalo de tempo menor, entre 30 minutos e uma hora, haveria um prejuízo pontual. Nessa situação, as áreas ficam alagadas e, consequentemente, falta oxigênio nas raízes das plantas, enfraquecendo-as”, salienta.

 

SOLOS MALCONSERVADOS

A chuva pode ocasionar estragos em propriedades onde não há o manejo correto do solo, contudo, a grande maioria dos agricultores da região já não sofre com este problema. “O dano acontece em lavouras com bases largas inadequadas, mal dimensionadas ou muito distantes umas das outras. Ainda, o cultivo feito em terrenos com muita declividade sofrerão também com a força das águas. Para o agricultor que percebeu esse problema em sua propriedade, a correção deve ser realizada no período entressafra, depois da colheita da soja e do milho safrinha, nos meses de julho, agosto e setembro, normalmente”, indica o engenheiro agrônomo.

 

PROJEÇÃO DA SAFRA

Tendo vistas às dificuldades causadas pela falta de chuva na época de plantio de soja, o profissional disse ao O Presente que a estimativa de quebra na safra pode ficar entre 10% e 15% em Marechal Rondon. “Essa estimativa se dá pela quantidade de áreas em que a soja foi plantada e não vigorou devido à falta de umidade no solo. Esse obstáculo inicial não tem como ser revertido, por isso a perda continua e o agricultor tem que cuidar de sua plantação da mesma maneira, na tentativa de não se prejudicar ainda mais”, orienta.

O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Paulo Oliva, por sua vez, revela que a área do Núcleo Regional de Toledo, que abrange o município rondonense e outros da região, o cultivo de soja ocorreu em 483.295 hectares. A projeção inicial com a qual se trabalhava era de 1.812.356 toneladas, todavia, no último relatório realizado em dezembro a estimativa caiu para 1.776.108 toneladas na colheita.

Segundo Oliva, apesar do período de estiagem houve o retorno da chuva e a expectativa é de um bom desenvolvimento da safra de verão.

 

ALERTA PARA DOENÇAS

Cristiano da Cunha reforça que a volta das chuvas e o consequente excesso de umidade cria um microclima favorável ao desenvolvimento de doenças. “Nessas circunstâncias, as plantas têm muitas horas de molhamento durante o dia: o sol abre pela manhã, mas elas ainda ficam encobertas pelo orvalho às vezes até o meio-dia; quando dá 19 ou 20 horas o orvalho começa e ela se molha novamente. Isso propicia umidade adequada que, juntamente com as altas temperaturas, gera esse microclima propício ao surgimento de doenças fúngicas”, detalha.

“Temos de ter uma atenção especial em relação à ferrugem asiática, pois é muito agressiva e se prolifera rápido. Acredito que 95% dos agricultores já fizeram as aplicações dos fungicidas preventivamente, mas é preciso lembrar que eles possuem uma carência e com esses altos volumes de chuva o agricultor deve reaplicar”, frisa o agrônomo.

No que diz respeito às pragas, o profissional rondonense comenta que o agricultor deve constantemente realizar o monitoramento da lavoura e agir com o controle quando se fizer necessário. “Normalmente, no final de dezembro ocorre um surto de lagartas, sendo que alguns anos vem com mais intensidade e em outros com menos, mas todo ano esse surto acontece. Em relação ao controle de percevejos, até então está tranquilo”, conclui.

 

O Presente

 
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