Marechal PCH Moinho

Estiagem reduz pela metade produção da usina da Cercar

(Foto: Sandro Mesquita/OP)

O Paraná vive o período mais severo de estiagem dos últimos anos. A seca no Estado já dura quase um ano, com chuvas bem abaixo da média histórica desde junho de 2019, o que vem influenciando, mês a mês, no volume de água dos rios paranaenses.

Este cenário traz consequências para vários setores, como o de geração de energia.

Casa do Eletricista – RETOMA

Em Marechal Cândido Rondon, a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Moinho, da Cooperativa de Eletrificação e Desenvolvimento Econômico (Cercar), caminha para o segundo ano com a produção de energia em queda. Os números do primeiro quadrimestre de 2020 decaíram de 1,545 milhão de quilowat/hora para 443 megawats/hora.

De acordo com o gerente da PCH Moinho, engenheiro elétrico João Pletsch, em janeiro foram produzidos 1,545 milhão de quilowat/hora, representando 97% da geração média para este mês; em fevereiro foram 1,040 milhão de quilowat/hora, sendo 63% da média; e em março houve apenas 40% da geração média, com 645 megawats/hora. “Fechamos os primeiros quatro meses do ano em abril, gerando neste mês 443 megawats/hora, sendo 28% da média”, menciona. “Nesse último mês tivemos uma redução de quatro vezes praticamente em relação a janeiro”, pontua, acrescentando que os números tendem a piorar ainda mais caso a previsão de estiagem durante o inverno se confirme.

Gerente da PCH Moinho, engenheiro elétrico João Pletsch: “Não podemos considerar um ou dois anos para avaliar o desempenho da usina. A preocupação é momentânea, porque a longo prazo a chuva deve voltar a nossa região e a geração voltar ao esperado” (Foto: O Presente)

Gráfico da geração média do 1º quadrimestre de 2020 (Foto: Divulgação)

 

PRODUÇÃO EM BAIXA

Pletsch lembra que em 2019 a PCH também sofreu com a estiagem, considerando que o ano passado registrou chuvas abaixo da média. “No ano passado, a geração de energia já sofreu com as falhas hídricas que atingiram o Paraná e geramos 70% da média anual, ou seja, uma geração inferior em 30% ao que acontecia nos últimos quatro anos. Neste primeiro quadrimestre de 2020, os números mostram uma redução comparativa aos anos anteriores de 57% de geração”, ressalta.

 

GERAÇÃO ESTIMADA

Localizada no distrito rondonense de Novo Três Passos, a PCH Moinho utiliza as águas do Rio Guaçu e, conforme Pletsch, quando da elaboração do projeto da usina foi feito um histórico de vazão d’água do rio respectivo aos últimos 40 anos. “Não podemos considerar um ou dois anos para avaliar o desempenho da usina. Nos estudos iniciais fizemos uma média e uma perspectiva de quanta energia poderíamos gerar. Desse modo, a preocupação é momentânea, porque a longo prazo a chuva deve voltar a nossa região e a geração voltar ao esperado”, enaltece.

Quando perguntado a respeito da quantidade de chuva necessária para que a situação se normalize na usina, o engenheiro elétrico faz uso de dados do ano encerrado. “Em 2019 faltaram cerca de 900 milímetros em comparação a outros anos. Nossos rios precisam de muita chuva para se recuperarem”, enaltece, emendando: “Acompanho todos os dias os sites de meteorologia atrás de boas precipitações. É um hábito diário, posto que a usina depende disso para ter um bom desempenho”.

Localizada no distrito rondonense de Novo Três Passos, a PCH Moinho utiliza as águas do Rio Guaçu (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

POTÊNCIA

Segundo ele, ainda que em menores quantidades, não há risco da PCH Moinho cessar a produção. “Enquanto tiver um pouquinho de água vamos produzir. Nós temos uma outorga com o governo federal para a produção de energia e somos obrigados a cumprir com ela. Essa autorização se estende nos próximos 26 anos. Caso paremos com a geração é preciso justificar ao órgão”, explica.

Com menos água circulando, Pletsch menciona que a central hidrelétrica está trabalhando com menos potência. “Temos duas máquinas e elas estão praticamente paradas. Somente uma delas trabalha com 50% da potência e em dez horas no dia”, expõe, acrescentando: “É uma pena termos lá um equipamento que custou R$ 25 milhões produzindo tão pouco, mas espero que a coisa melhore”.

Atualmente, a PCH Moinho tem apenas uma de suas duas máquinas funcionando, com 50% da potência e em apenas dez horas diárias (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

CORONAVÍRUS

Conforme o gerente da PCH Moinho, a produção de energia cada vez menor gera prejuízos à Cercar, contudo, os valores arrecadados em anos anteriores, de alta produção, conseguem cobrir a manutenção do sistema quando a geração está baixa.

Pletsch diz que o mercado de energia foi impactado com a pandemia do novo coronavírus. “Para a usina o coronavírus influenciou um pouco, pois como não estamos gerando o que deveríamos gerar, chega no fim do mês e temos que pagar um certo valor para o órgão controlador, de acordo com o contrato de venda pré-estabelecido. Se não fosse o coronavírus, nós teríamos no Sul bandeira vermelha com certeza, porque a geração está baixíssima. Além disso, a pandemia fez o consumo baixar e, consequentemente, o valor que pagamos para o órgão também reduziu; assim, tivemos um pequeno equilíbrio e o prejuízo um pouco menor”, pontua.

 

INVESTIMENTO

A PCH Moinho está em funcionamento há cinco anos, tendo sido inaugurada em março de 2015. Ela comercializa sua geração no mercado livre, por meio do qual empresas compram energia por preços mais baixos do que os ofertados pela Companhia Paranaense de Energia (Copel). “Nós usamos o lucro da usina para pagar o financiamento que, depois de quitado, será repartido entre os cerca de 1.650 associados. O financiamento de dez anos já está 58% pago, faltando quatro anos”, finaliza o gerente.

 

O Presente

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