Depois de boas colheitas de milho safrinha no inverno de 2019 e de soja no início de 2020, que podem ser consideradas recordes, os irmãos Ademir e Valter Prass acumulam duas quebras consecutivas: uma no milho safrinha do ano passado e outra na safra de soja no início deste ano.
Agora, mais uma vez, os rondonenses estão apreensivos. Isso porque depois dos 121 milímetros de chuva registrados em março, segundo dados da Agrícola Horizonte, o mês de abril se mantém seco, mesmo com os cerca de dez milímetros de chuva observados na última sexta-feira (16).
Os Prass cultivam em torno de 100 alqueires em terras próprias, além de muitas áreas arrendadas de terceiros nas linhas Guarani, Heidrich e Palmital.
Valter destacou ao O Presente que no ano passado o milho safrinha rendeu 119 sacas por alqueire diante de 270 sacas em média no inverno de 2019, o que representa uma quebra na ordem de 59%. “Ano passado tivemos uma quebra bem acentuada no milho safrinha por causa da seca. Nessa safra de soja a redução também foi considerável, pois tivemos problema por causa do excesso de chuva, que gerou abortamento de vagens, além de um temporal que acamou a soja. Inclusive foi preciso roçar toda uma área que teve perda total devido ao abortamento”, menciona.
Segundo ele, a safra de verão 2020/2021 foi de 90 sacas em média diante de 176 sacas de soja na colheita 2019/2020, o que representa uma redução de 49%. “Fizemos contrato futuro para boa parte da produção, então deixamos de arrecadar porque no decorrer o tempo o preço da saca de soja aumentou, mas o valor que conseguimos amenizou um pouco a perda”, expõe.

Embora as lavouras na Linha Guarani tenham sido cobertas por 40 milímetros de chuva há poucas semanas, agricultores já sabem que haverá uma produtividade menor que o projetado inicialmente (Foto: Joni Lang/OP)
SAFRINHA 2021
O agricultor rondonense diz que as áreas onde ele e seu irmão trabalham foram plantadas no intervalo de um mês, de 20 de fevereiro a 19 de março. “Se tiver geada pode acarretar um novo problema para nós”, menciona.
Ele avalia o atual cenário como preocupante. “Faz três semanas que choveu uma média de 40 milímetros nessa região do Guarani indo para a Linha Arara, mesmo assim a situação está ficando preocupante. É necessário uma chuva na média de 30 a 40 milímetros para todos os agricultores, o que vai ajudar a evitar perda de produtividade. Outros agricultores de locais próximos não receberam essa chuva anterior, ou seja, tanto eles como nós estamos de olho no céu, apreensivos mesmo”, enfatiza.
Valter comenta que além da urgente necessidade de uma precipitação expressiva, no decorrer da safra é preciso chover entre 20 e 30 milímetros a cada uma semana ou dez dias no máximo para que as lavouras sejam conduzidas de maneira razoável. “Aqui no Guarani o milho safrinha está na fase de crescimento e todos os produtores sabem que a quarta folha define espiga e teto de produtividade, ou seja, mesmo aqui onde teve essa chuva nós vamos registrar perda. Essa estiagem já influencia, porém se voltar a chover com certa regularidade acredito numa colheita de em torno de 200 sacas de milho por alqueire”, projeta.
O rondonense conta que desta vez ele e seu irmão optaram por não fazer contrato com a expectativa de conseguir um valor um pouco melhor com o milho safrinha. “Primeiro torcemos para uma boa colheita, então se subir a R$ 100 a saca vai ficar preocupante porque esse valor a mais terá que ser repassado aos produtores de leite e de carnes, bem como ao consumidor final na prateleira do supermercado. Mas se conseguirmos faturar na média de R$ 90 a saca do milho safrinha aí acredito que será bom para nós, pois cobriremos os custos e ainda teremos alguma renda”, finaliza.
O Presente