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Marechal

Eu, família e trabalho: como administrar essa relação?

calendar_month 30 de janeiro de 2019
5 min de leitura

 

Você está realmente concentrado para ler essa matéria ou se o seu telefone vibrar você irá ver a mais nova notificação? Você realmente se concentra para trabalhar ou se distrai caso alguém começa a contar uma fofoca? Você realmente aproveita seu tempo livre ou está sempre preocupado com o que pode acontecer quando não está no trabalho?

O foco é uma das competências mais almejadas e valorizadas pelo mercado de trabalho. Afinal, os profissionais que conseguem manter a concentração durante o dia têm mais chances de obter resultados eficazes. Porém, algumas pessoas sentem dificuldade em manter o foco nas suas tarefas cotidianas, seja dentro do ambiente de trabalho ou fora. Não é por menos que existem distrações por todos os lados: o celular que toca ou recebe notificações, pessoas entrando na sala a todo o momento, colegas de trabalho conversando ao seu redor, problemas externos, notícias e muitos outros fatores que podem causar abstração.

A concentração é fundamental para se conseguir concluir metas e objetivos em qualquer contexto, seja para fazer uma dieta, praticar exercícios físicos, dedicar-se aos estudos, manter a atenção no trabalho, entre outras inúmeras situações.

Aliado a isso, a pressão parece aumentar constantemente. Pressão pela redução dos custos, maximização dos lucros, maiores resultados, aquisição de novos conhecimentos, mais tempo para si mesmo. Resumindo: pressão, pressão e mais pressão. E isso acaba afetando o equilíbrio entre as atividades pessoais, profissionais e familiares. Desta forma, como é possível conciliar a relação trabalho versus família?

 

EQUILÍBRIO

O cerne da questão é conseguir encontrar o equilíbrio nos papéis desempenhados ao longo da vida, seja no âmbito profissional, pessoal, familiar, no lazer e outros. “O assunto não é novo, mas nesse momento moderno da nossa vida existe um agravante no meio dessas interferências (família x trabalho e trabalho x família), e que fica bem claro quando conversamos em palestras e reuniões com empresas, pois todos concordam que envolve as redes sociais, até porque família e trabalho sempre existiram”, expõe o consultor de marketing da Universidade Paulista (Unip) de Marechal Cândido Rondon, Jailson Gonsalves.

Segundo ele, se pensar na população economicamente ativa, que vive o mercado de trabalho, essa combinação de interferências entre trabalho e família sempre foi algo a ser organizado pelo empregado e empregador. “Até alguns anos atrás o empregador tinha voz ativa para dizer que problemas de família ficavam em casa ou da porta para fora do trabalho e o colaborador tinha, pelo menos fisicamente, possibilidade de fazer isso e tentar separar. Mas psicologicamente é impossível”, salienta.

Contudo, com o passar do tempo os estudos foram avançando e as organizações perceberam que essa maneira de pensar não era possível e que problemas pessoais afetam diretamente a produtividade do funcionário. “Isso porque não tem como ir trabalhar logo cedo e, por exemplo, deixar meu filho com 39 graus de febre aos cuidados da minha mãe ou vizinha e dizer que vou trabalhar normalmente. Eu tenho como afirmar que é possível cumprir com as minhas atividades de trabalho e, por ser ético e profissional, desempenhar minha tarefa do dia, mas não vai ser igual aos demais (dias)”, exemplifica o consultor.

Para Gonsalves, ter essa clareza faz com que o empresário tente ajudar o funcionário a organizar essa questão. Nas consultorias realizadas a empresas, ele pontua que a dificuldade em trabalhar o assunto está nos celulares dos funcionários. “Hoje as redes sociais facilitam muito o contato e essa interferência acaba acontecendo não por mal, mas é porque a sociedade está dessa maneira. Você está no seu local de trabalho, com a rede social ligada e alguém manda uma mensagem. Ao ler você vai ver que é alguém da família falando ou comentando alguma coisa. A interferência da tecnologia entre esses dois papéis é o principal problema”, ressalta.

 

PAPÉIS SOCIAIS

O consultor ainda chama atenção para o fato de se viver em uma sociedade de papéis e é importante que o funcionário perceba que o seu papel dentro da empresa é diferente do papel dele dentro da família. “Se o colaborador consegue ter essa clareza, facilita o equilíbrio de responsabilidades. Facilita, mas não resolve, porque o ser humano não é uma máquina em que uma receita vai atender a necessidade de todos. O fato é que, dependendo da situação, haverá momentos nos quais se terá mais foco para o trabalho e em outros mais foco para a família. Quem descobre esse ponto de equilíbrio é só o indivíduo”, enaltece.

Por outro lado, Gonsalves destaca que o colaborador precisa entender que o papel dele dentro do emprego é o trabalho. “De uma forma simples, poderíamos dizer que impedir o uso do aparelho celular no trabalho é uma solução, mas talvez não seja a melhor, até porque hoje muitos utilizam desse meio para realizar o seu trabalho”, pontua, acrescentando que a responsabilidade fica baseada na ética do trabalhador. “Então quando se fala em relacionamento família e trabalho, automaticamente entra o assunto de ética pessoal, que vai depender muito da maneira que são encarados esses dois papéis”.

Conforme ele, quando se fala da interferência trabalho versus família se remete a uma situação social que não possui uma solução simples e cada caso deve ser analisado de forma distinta. A palavra-chave precisa ser equilíbrio. “Se o trabalho em uma empresa envolve momentos de maior tensão, minha dedicação naquele momento vai ser maior para o trabalho, da mesma forma que em alguns momentos a maior dedicação precisa ser um pouco para a família. E quando falo em dedicação não me refiro a maior quantidade de tempo, mas, sim, qualidade de tempo”, frisa Gonsalves.

 

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Consultor de marketing Jailson Gonsalves: “Impedir o uso do aparelho celular no trabalho é uma solução, mas talvez não seja a melhor, até porque hoje muitos utilizam desse meio para realizar o seu trabalho” (Foto: O Presente)

 
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