Após quase duas semanas de sol e calor intenso, a chuva voltou a dar as caras no domingo (13) e na madrugada e manhã de segunda-feira (14), ajudando a amenizar o déficit hídrico registrado em Marechal Cândido Rondon e região e contribuindo para o desenvolvimento da safra de verão. A média era de 180 milímetros de chuva na sede rondonense do último dia 02 até domingo, segundo dados da Agrícola Horizonte.
O técnico Paulo Oliva, do Departamento de Economia Rural (Deral) do escritório regional de Toledo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), informa que nos 20 municípios da área de abrangência órgão, 487.420 hectares estão cultivados com soja, com previsão de colher 1.852.000 toneladas, enquanto 2.895 hectares são ocupados por milho primeira safra, o que deve render 26.340 toneladas. “Tanto as lavouras de soja quanto as de milho estão todas semeadas”, expõe.
FASES
Conforme ele, 70% do milho cultivado está na fase de desenvolvimento vegetativo e 30% de floração, sendo 30% em condição média e 70% em situação boa. No entanto, embora a projeção de colheita da soja seja de uma boa safra, o momento não é tão positivo assim. Isso porque na regional 18% da área de soja é avaliada como ruim, 22% média e 60% boa. “As lavouras de soja estão com 35% das áreas na fase de desenvolvimento vegetativo, 55% de floração e 10% de frutificação”, informa.
Ele ressalta que as fases nas quais se encontram as culturas de verão têm grande demanda de umidade e as chuvas que ocorrem beneficiam tanto as culturas como pastagens, além de repor os mananciais. “É de suma importância a todos”, pontua.

Técnico do Deral, Paulo Oliva: “Esperamos que o clima seja favorável para o desenvolvimento das plantas, pois acreditamos em uma boa produção na safra de verão, o que depende do clima daqui em diante com chuvas significativas em nível regional” (Foto: Divulgação)
REPLANTIO
Oliva menciona que o longo período de estiagem tornou necessário o replantio de soja em aproximadamente nove mil hectares, dos quais poucas áreas pontuais na região beira Lago de Itaipu, tendo um percentual maior nos municípios de Assis Chateaubriand e Toledo. “Neste momento o Deral ainda não trabalha com a possibilidade de perdas, sendo mantida a previsão inicial de 3,8 mil quilos por hectare, o que equivale a 153 sacas por alqueire”, salienta.
Segundo ele, dependendo da condição do clima, a colheita deve começar no final de fevereiro em algumas áreas e seguir no mês de março.
O técnico diz que nesta safra predomina o fenômeno La Ninã, com clima mais seco para o Sul do país e chuvas pontuais. “Esperamos que o clima seja favorável para o desenvolvimento das plantas, pois acreditamos em uma boa produção na safra de verão, o que depende do clima daqui em diante com chuvas significativas em nível regional”, comenta.
BOA PERSPECTIVA
De acordo com o gerente comercial da Agrícola Horizonte, Valdair Schons, o cultivo com soja e milho alcança 100% na área de atuação da empresa, com atraso médio de 30 dias em relação à expectativa anterior. “O estágio das culturas é bom, sendo que a chuva de duas semanas atrás trouxe boa melhora nos estandes. A perspectiva sempre é boa, mas ainda é cedo para fazer alguma avaliação. Está bem encaminhado, agora depende do clima e do manejo, assim como dos cuidados. O produtor deve estar ligado na lavoura. Cria-se uma expectativa muito boa de safra com a previsão de chuva para esta semana”, enaltece.
Segundo ele, embora seja cedo para fazer projeção, existe a perspectiva da safra de soja chegar a 120 a 140 sacas por alqueire, o que é considerado um bom resultado.

Gerente comercial da Agrícola Horizonte, Valdair Schons: “O milho chegou a R$ 70 a saca e a soja na média de R$ 130. Isso se falava em julho, agosto, e poucos acreditavam, mas concretizou. São preços históricos, algo excelente para quem pôde comercializar” (Foto: Arquivo/OP)
PREÇOS
No que tange aos preços das sacas de soja e milho, Schons destaca que nos últimos dias o preço se comportou de forma instável em relação ao câmbio do dólar. “Analisando que bateu 12 dólares o bushel (sacas de 60 quilos), o que é ótimo, o milho chegou a R$ 70 a saca e a soja na média de R$ 130. Isso se falava em julho, agosto, e poucos acreditavam, mas concretizou. São preços históricos, algo excelente para quem pôde comercializar”, pontua.
Ontem a saca de milho estava cotada a R$ 62, enquanto a de soja bateu em R$ 133. “Teve esse contrato futuro fechado a R$ 130 a saca de soja. De milho teve contrato de R$ 42, R$ 43, os melhores a R$ 45, o que é bom pensando que a história do milho era R$ 25 a R$ 30 a saca”, finaliza.

Lavouras de soja estão com 35% das áreas na fase de desenvolvimento vegetativo, 55% de floração e 10% de frutificação (Foto: Joni Lang/OP)
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