Marechal Embolia pulmonar

Falece o artista rondonense Hedio Strey

Fotos: Arquivo pessoal

Faleceu no começo da noite deste sábado (12) o artista rondonense Hedio Strey, de 75 anos. Após uma embolia pulmonar, ele ficou internado na Unidade de Terapia Semi-intensiva do Hospital Rondon, em Marechal Cândido Rondon. Depois, foi encaminhado para um hospital em Cascavel. Ele veio a óbito quando estava sendo transferido para este município.

Hedio era bastante conhecido no município e na região pelas belas esculturas que produzia. Uma das últimas de destaque foi a de Martinho Lutero, instalada na Praça Willy Barth para marcar os 500 anos da Reforma Protestante.

Ele também era reconhecido por ser o único luthier (profissional que fabrica instrumentos musicais) de Marechal Rondon, cidade na qual cresceu.

O que chamava a atenção era a garra que Hedio tinha para construir e tocar instrumentos sem ninguém ensiná-lo. Ele nunca fez uma aula de música, por exemplo. “Tudo o que sei sobre fabricar e tocar instrumentos aprendi sozinho, buscava livros e páginas na internet que pudessem me guiar”, declarou ele em entrevista à jornalista Mirely Weirich.

Devido ao seu talento, o artista foi evidenciado em várias reportagens do Jornal O Presente. Em dezembro último, ele e sua família ilustraram a capa de revista alusiva ao Natal, da qual foram tema devido às tradições natalinas em família. Clique aqui para mais informações sobre as obras de Hedio Strey.

 

Velório

O velório acontece na Comunidade Evangélica Martin Luther. O culto está marcado para as 16 horas, seguido de sepultamento no cemitério municipal.

 

 

Hedio e sua harpa, que ele esculpiu e aprendeu a tocar sozinho

 

Descerramento da estátua de Martinho Lutero feito pelo artista rondonense Hedio Strey e sua esposa, ocorrido em outubro de 2017: uma das suas últimas obras de destaque no município 

 

Biografia

“Quando eu era menor, meu pai tocava violão e minhas irmãs cantavam na igreja, acho que daí peguei o gosto e a habilidade para a música”. “Eu sempre tive curiosidade em descobrir como meu pai conseguia tocar e cantar ao mesmo tempo, então um dia eu peguei o violão dele e comecei a tentar, e com o tempo fui aprendendo as notas, melodias, e apliquei nos outros instrumentos”.

“A primeira dupla que participei chamava-se ‘Os Marajoaras’. Nela toquei por cerca de oito anos e quando fomos gravar o primeiro LP, eu construí a guitarra porque não conseguia tocar instrumentos de corda normais”.

Aos 18 anos, Hedio começou a tocar na orquestra “Os Lunáticos”, que fazia concertos por toda a região Oeste do Paraná. Sempre levando a marcenaria como profissão para sustentar a família, ele participou de outros grupos durante sua vida. Algumas vezes, era contratado para tocar em eventos de forma esporádica, mas nunca ficou longe da música.

Hedio era reconhecido no município rondonense por ser a única pessoa a tocar harpa, instrumento que tem uma história baseada em alcançar objetivos. “Eu estava com uns 50 anos, aí um dia pensei: ‘vou construir uma harpa e também vou tocar’. Contei para minha família e em cerca de um mês ela ficou pronta. Depois, comecei a procurar formas de afiná-la e como funcionavam as notas e as melodias, e durante as pesquisas encontrei um site dos Estados Unidos que ensinava sobre afinação, então através da internet aprendi a tocá-la, depois fui só aperfeiçoando”.

Depois da experiência bem-sucedida na construção da harpa, Hedio tomou gosto pela fabricação de instrumentos de corda. “Como várias pessoas ficaram sabendo que eu mesmo construí, começaram a divulgar meu trabalho e algumas pessoas entraram em contato comigo para adquirir um instrumento personalizado”. (Trechos de entrevista concedida por Hedio à jornalista Mirely Weirich)

 

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