O Presente
Marechal

Falta de combustíveis e de alimentos e aulas suspensas: o caos gerado pela greve

Paralisação dos motoristas de carga traz reflexos negativos ao setor produtivo e ao dia a dia dos cidadãos


calendar_month 25 de maio de 2018
6 min de leitura

Apesar de pacífica, a paralisação dos caminhoneiros tem provocado desabastecimento de combustíveis e de alimentos em diversos Estados. Em Marechal Cândido Rondon, grandes filas começaram a se formar nos postos da cidade na manhã de quarta-feira (23).

Devido às manifestações, os motoristas de caminhões-tanques também são orientados a aderirem à mobilização, fazendo com que os postos de combustíveis deixem de receber o produto para revenda.

Alguns postos do município encerraram o abastecimento ainda antes do meio-dia de quarta-feira, como é o caso do posto Copagril, na Avenida Maripá. “Nós percebemos desde terça-feira (22) que havia um fluxo maior de veículos no posto. Ontem (quarta) de manhã o fluxo aumentou muito por conta da possível falta de combustíveis e em questão de quatro horas o estoque estava zerado”, revela o gerente Carlindo Ferreira de Souza.

Ele conta que somente no período da manhã foram vendidos de 15 a 20 mil litros de combustível e mais de 800 veículos abastecidos. Contudo, às 11h30 as bombas já estavam fechadas.

Na opinião do gerente, a greve impacta diretamente no setor, por isso espera que logo haja um desdobramento favorável. “A greve dessa vez está mais intensa e os caminhoneiros estão brigando pelos seus direitos. O ruim é não termos uma perspectiva de volta ou de algum acordo entre eles e o governo”, lamenta, emendando: “Esperamos que o quanto antes essa situação se resolva”.

Na Avenida Rio Grande do Sul, as filas para os únicos dois postos que ainda tinham combustíveis contornavam a quadra e se estendiam ao longo das vias secundárias. Desesperados, muitos motoristas passaram a noite na fila para encher o tanque do veículo. No entanto, na tarde de ontem (24) o abastecimento no último posto que ainda tinha combustível também foi encerrado. “Só de gasolina foram vendidos mais de 20 mil litros”, afirma a assistente administrativo do Posto Camilo, Andressa Geuzler. No posto, a movimentação já era intensa desde a manhã de quarta-feira. “As pessoas vieram para completar o tanque e reservar galões de reserva”, comenta.

A advogada Michelle Caroline Soder passou horas na fila para conseguir abastecer o seu veículo. “Estava em um posto onde fiquei uma hora na fila e quando estava chegando perto acabou a gasolina”, conta.

Por conta da profissão, ela ressalta a necessidade do veículo para se deslocar para outras cidades onde realiza audiências. “Me desloco para municípios como Toledo e Palotina, então preciso me garantir”, ressalta.

Apesar do tumulto, Michelle diz apoiar a greve. “Acredito ser um protesto por uma causa justa”, enaltece.

 

Filas começaram a se formar na quarta-feira (23) ao meio-dia nos postos rondonenses

 

Produtos perecíveis são os primeiros a acabar nos supermercados

Os produtos perecíveis mais procurados pelos consumidores foram os primeiros a acabar nos supermercados de Marechal Cândido Rondon, no dia de ontem (24), quando a greve dos caminhoneiros chegou ao 4º dia. É o exemplo de tomate, cebola, alguns cortes de carnes e certos tipos de frios, como queijos e iogurtes, além de congelados.

Na parte de alimentos não perecíveis, como arroz, feijão, macarrão, dentre outros, os estabelecimentos ainda possuem estoque. “Já aquilo que recebemos diariamente, que são os alimentos perecíveis, vai começar a afetar. Recebemos verdura e frutas da Ceasa de Cascavel, mas o problema é que lá não está chegando produto. Consequentemente vai começar a faltar aqui”, explica o gerente do Supermercado Cercar, Arno Muhlbeier.

A gerente do Supermercado Copagril da Avenida Rio Grande do Sul, Chadia Ibrahim Ribeiro, revela que alguns cortes de carnes já estavam faltando na quarta-feira (23) no estabelecimento, a exemplo da costela de gado, sendo que a carne suína também está em falta. “Hortifruti só temos para vender o que está na gôndola. Não tem como estocar e compramos até quatro vezes na semana. Tomate e cebola acabaram”, adianta.

Na parte da padaria, ela revela que 90% dos produtos são congelados e apenas manipulados no supermercado. “Nosso estoque, se der, é até sábado (amanhã, 26)”, expõe.

Chadia informa que todos os pedidos feitos, tanto de carne, hortifruti, laticínios e padaria, as empresas fornecedoras já cancelaram por tempo indeterminado. “Gás de cozinha também não temos mais nada. Já vendemos todos os vales”, salienta.

Embora alguns alimentos comecem a faltar nas gôndolas, gerentes ouvidos pela reportagem disseram que não houve aumento de preços. Em algumas situações os consumidores podem encontrar diferenciação em valores praticados no início para o fim da semana em razão dos tradicionais saldões.

 

Começa a faltar gás de cozinha

Empresas revendedoras de gás de cozinha também sentem o reflexo da greve. Ontem já começou a faltar o produto no município e, com estoque zerado, não há nem perspectiva de abastecer novamente o mercado em razão do impedimento dos caminhões em trafegar pelas rodovias. “Hoje (ontem) à tarde acabou nosso estoque de gás, que só será restabelecido com o fim desta greve”, informou a funcionária de uma empresa de Marechal Rondon ouvida por O Presente.

 

Sistema público paralisado

Com a interdição de rodovias, o que ocasiona falta de fornecimento de combustíveis, os serviços realizados com máquinas pelas secretarias municipais de Agricultura e Política Ambiental e Viação e Serviços Públicos de Marechal Rondon foram paralisados ontem. O restabelecimento só deve ocorrer quando o fornecimento de óleo diesel for regularizado.

Conforme comunicado da prefeitura, em razão da prioridade ao transporte de pacientes, a Secretaria Municipal de Viação e Serviços Públicos repassou 500 litros de combustível à frota da Secretaria Municipal de Saúde. Cirurgias eletivas de obstetrícia e ginecologia agendadas no Hospital Municipal Dr. Cruzatti foram temporariamente canceladas para que os leitos fiquem disponíveis em casos de urgência e emergência.

 

Universidades suspendem aulas

Diversas instituições de Ensino Superior do Paraná suspenderam suas aulas por conta da manifestação dos caminhoneiros. Em Marechal Rondon, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) anunciou ontem (24) o cancelamento temporário do calendário acadêmico. O Isepe Rondon também suspendeu todas as atividades da instituição, incluindo a tradicional Semana Acadêmica.

Como em algumas cidades, o transporte urbano também está sendo prejudicado, a Secretaria de Educação do Paraná orienta que os representantes dos núcleos regionais de educação conversem localmente nas escolas e tomem a decisão pela manutenção ou não das aulas.

 

Segurança restringida

O uso de veículos da frota estadual foi restringido em função da greve dos caminhoneiros. A orientação é que seja dada prioridade de abastecimento para ambulâncias, viaturas das polícias e Corpo de Bombeiros.

Forças de segurança de Marechal Rondon, como a 2ª Companhia da Polícia Militar, Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) e Polícia Rodoviária Estadual (PRE), relatam que os trabalhos de policiamento estão sendo orientados com vistas ao controle nos gastos com combustíveis. Entretanto, como há reservas de combustíveis para essas situações, os comandantes das instituições policiais afirmam que ações de segurança não sofrerem nenhum tipo de interferência.

O posto da Copagril foi o primeiro que teve o combustível esgotado, ainda na quarta-feira (23) pela manhã
 
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