Seu Oscar e dona Erta Hatcemberger vão mudar suas rotinas a partir desta segunda-feira (23), quando suas netas Melissa e Vanessa passarão as tardes com os avós.
Em decorrência das medidas de enfrentamento ao coronavírus anunciadas nesta semana pela Prefeitura de Marechal Cândido Rondon, as aulas das meninas foram suspensas por tempo indeterminado e para que os pais pudessem continuar com suas atividades profissionais, elas ficarão sob os cuidados dos avós a partir da semana que vem. “Vamos arrumar brincadeiras, passatempos e improvisar a cada dia um programa especial. Não temos medo, pois só piora a situação. Nós temos de enfrentar com calma e cuidado essa doença altamente contagiosa”, declararam ao O Presente.
Na casa de seu Oscar e dona Erta o álcool gel já é parte da rotina e a higiene foi reforçada. “Sabemos que quando a idade avança é necessário cuidar em dobro. Passamos a lavar as mãos mais frequentemente e suspendemos as saídas. Nossas netas já sabem, nada de passeios, ficarão apenas na casa do opa e da oma”, contam.
REDE MUNICIPAL
Assim como Melissa e Vanessa, cerca de outras 5,3 mil crianças da rede pública municipal de ensino rondonense também estarão sem atividades escolares a partir segunda-feira.
“Quatro mil alunos são do Ensino Fundamental e 1,3 mil dos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis)”, informa a secretária municipal de Educação, Marcia Winter da Mota. Segundo ela, a municipalidade seguiu as orientações do decreto estadual, atendendo aos mesmos prazos para a suspensão das aulas. “Sexta-feira (20) foi o último dia em que os estudantes tiveram aulas. Comunicamos os pais e os responsáveis com antecedência para que pudessem se organizar”, menciona.

Secretária de Educação, Marcia Winter da Mota: “Não são férias. Quem pode ficar em quarentena, deve ficar. As crianças devem permanecer também em suas casas, sem atividades que envolvem muitas pessoas” (Foto: O Presente)
“NÃO SÃO FÉRIAS”
Conforme Marcia, não será um período fácil. “Contudo, é preciso evitar a aglomeração de pessoas para que a doença não se propague com a intensidade que aconteceu em outros países. Não sabemos muito a respeito do vírus, mas temos exemplos do que não fazer”, enaltece.
Ela diz que, devido às situações que envolvem o coronavírus em relação aos grupos de risco, os pais devem evitar deixar os filhos com os avós. “Sabemos, todavia, que muitas vezes essa é a única alternativa”, pontua, evidenciando que não se trata de um período de férias. “Quem pode ficar em quarentena, deve ficar. As crianças devem permanecer também em suas casas, sem atividades que envolvem muitas pessoas”, orienta.
A Secretaria de Educação seguiu as recomendações estaduais para a suspensão, contudo, ainda não foi informada sobre o que acontecerá no retorno das aulas. “Não sabemos quanto tempo isso vai durar, portanto, ainda não sabemos se será reposto ou não e de que maneira. Alguns pais estão pensando que as férias estão perdidas ou que o ano será prejudicado, mas fato é que ainda não sabemos como será”, destaca, lembrando que as instituições de ensino estarão fechadas tanto para alunos quanto para professores e que os colaboradores estarão dispensados.
FAIXA ETÁRIA DE RISCO
Clínico geral do Setor de Vigilância Epidemiológica de Marechal Rondon, o médico Rafael Mauro Dias declarou à reportagem que se deve buscar seguir as orientações dadas pelo Ministério da Saúde sobre o coronavírus, especialmente quanto aos mais velhos. “Os idosos são considerados mais frágeis diante do coronavírus, porque, de acordo com as estatísticas, têm o sistema imunológico, geralmente, um pouco mais debilitado que pessoas jovens. Assim, são o grupo etário com a maior letalidade”, explica.
Em relação aos idosos que cuidarão dos netos diante da suspensão das aulas, o médico é enfático ao dizer que esta não é uma medida aconselhável, ainda que muitas vezes seja a única viável. “O ideal seria que os idosos fossem afastados de seus netos neste momento. Sabemos que crianças e jovens podem ter uma manifestação assintomática da doença (não sentirem os sintomas) ou até mesmo confundir com um simples resfriado, se transformando em vetores e transmitindo a doença para os idosos”, alerta.

Clínico geral do Setor de Vigilância Epidemiológica de Marechal Rondon, médico Rafael Mauro Dias: “Os idosos são considerados mais frágeis diante do coronavírus, porque têm o sistema imunológico um pouco mais debilitado que pessoas jovens. Assim, são o grupo etário com a maior letalidade” (Foto: Divulgação)
RECOMENDAÇÕES
Para casos como o da dona Erta e do seu Oscar, em que não há alternativas para o cuidado das netas, Dias ressalta que algumas medidas preventivas sejam tomadas. “O melhor seria que não houvesse contato, contudo, se acontecer pode-se buscar um distanciamento mínimo de dois metros, uso de utensílios e itens de higiene individuais e evitar contato direto”, aconselha.
O clínico geral recomenda o isolamento a essa faixa etária de risco, assim como para pacientes com morbidades cardíacas, pulmonares, diabetes e outras doenças que afetam o sistema imunológico, pois, segundo ele, os perigos do coronavírus são de maior intensidade a essas pessoas. “Tentem ficar em casa, evitando contato e exposição, sempre se mantendo bem hidratados e alimentados”, indica.
SOBREVIVÊNCIA DO VÍRUS
Sobre a proximidade dos dias frios, com o fim do verão e a chegada do outono, muitos se questionam sobre a sobrevivência do vírus, considerando que o senso comum acredita que doenças virais ganham força nestas condições. Conforme o médico, o vírus não fica “mais agressivo” em período de temperaturas mais amenas. “O que se observa é que o coronavírus e outros vírus respiratórios têm maior dificuldade de se propagar durante o verão, devido ao seu menor tempo de vida. Assim, em dias mais frios, eles têm um tempo de sobrevivência maior, maior estabilidade e, consequentemente, mais tempo para disseminação”, esclarece o profissional, que fez parte da equipe que realizou as capacitações referentes ao coronavírus nas unidades de saúde de Marechal Rondon nesta semana, em conjunto com direções, coordenações e funcionários da Atenção Primária, Epidemiologia, Hospital Municipal e Unidade de Pronto Atendimento.
Dias chama a atenção para um estudo divulgado nesta semana por estudiosos estadunidenses. “Detectou-se que a Covid-19 conseguiu sobreviver por dois até três dias em superfícies de plástico e aço inoxidável, além de sobreviver por 24 horas em papelão”, compartilha.
Com assessoria