“Foi em questão de dois minutos, o sujeito entrou, pegou a bicicleta e saiu”, expõe, em tom de incredulidade, a rondonense Emanueli Camila Besen, que teve sua bicicleta furtada no início do mês do pátio do local onde trabalha. Ela conta que às 11h55 do dia 02 de fevereiro saiu da sua sala para fechar a janela pelo lado de fora e viu sua bicicleta no lugar de costume. “Quando voltei para dentro da empresa para pegar minhas coisas e desligar o computador para sair ao meio-dia, ouvi um barulho no portão. Fui verificar e minha bicicleta não estava mais lá. Cheguei a ver o sujeito virando a quadra com ela”, relata ao O Presente.
A vítima, que trabalha como secretária em uma empresa rondonense, diz que visualiza sua bicicleta enquanto trabalha e que por esse motivo não a cadeava. “Assim que a delegacia abriu, registrei um BO (boletim de ocorrência), mas achei que não a encontraria. Já pensava que teria que comprar outra, porque é uma bicicleta de marca e cara, um modelo não encontrado com muita facilidade”, expõe.

Em questão de minutos, a bicicleta de Emanueli Besen foi furtada do pátio do seu local de trabalho. No mesmo dia, para alegria da rondonense, a bike foi recuperada pela Polícia Militar (Foto: Divulgação)
MOBILIZAÇÃO
Para ajudar na localização de sua bike, Emanueli iniciou a divulgação do furto nas redes sociais logo após o ocorrido. “Pessoas que eu não conhecia compartilharam e eu fiquei muito feliz com a repercussão. Acho que sem esses compartilhamentos eu não conseguiria encontrá-la”, considera, acrescentando que as imagens retiradas das câmeras de segurança da empresa onde trabalha com o registro da pessoa furtando a bicicleta a ajudaram na divulgação: “O local em que trabalho tem sistema de segurança, se não fosse isso eu não teria ideia do rosto ou de como o elemento estava vestido. As filmagens me ajudaram na mobilização e me deram certeza no reconhecimento”.
Por volta das 19h15 daquele mesmo dia, a rondonense recebeu uma ligação da Polícia Militar (PM). “Eles tinham recebido uma denúncia, fizeram a ronda e encontraram um sujeito indo ao mercado com a minha bicicleta. Me ligaram para confirmar o número do quadro da bicicleta e do boletim e os números bateram”, menciona.
A bicicleta foi roubada antes das 12 horas e às 19h30 do mesmo dia Emanueli já estava na delegacia para retirá-la. “A polícia foi atenciosa e muito ágil. Agora, a bicicleta fica sempre cadeada”, garante.
DESPÓSITO DE BICICLETAS
Emanueli foi apenas uma das muitas vítimas recentes de furto de bicicleta em Marechal Rondon. Assim como ela, muitos casos terminam com a recuperação do veículo, contudo, outros não têm a mesma sorte e quando a bike é recuperada, muitas vezes, os proprietários até já deixaram de procurá-la.
“As últimas bicicletas furtadas foram, em quase sua totalidade, recuperadas. As vítimas divulgam o ocorrido nas redes sociais e imagens do veículo são repassadas às forças policiais, o que contribui para a localização”, enaltece o delegado da 47ª Delegacia de Polícia Civil de Marechal Rondon, Rodrigo Baptista Santos.
Por outro lado, há casos em que bicicletas fruto de atividade criminosa são retidas por não serem identificadas. “Quem está com a bicicleta não consegue descrever a procedência e ela fica apreendida na Polícia Civil aguardando que o proprietário comprove que é o dono e possa retirá-la. Enquanto isso, elas ficam no barracão da polícia”, comenta Santos, mencionando que muitas bicicletas estão atualmente no depósito, provenientes de apreensões antigas.

Delegado Rodrigo Baptista Santos: “Passando uns seis meses, geralmente a pessoa para de procurar e ‘esquece’ a bicicleta. Pensa não haver mais recuperação e esse é um problema que tentamos solucionar” (Foto: O Presente)
“ESQUECIMENTO”
De acordo com o delegado, passado cerca de seis meses do furto, a vítima deixa de procurar a bicicleta furtada. “A pessoa pensa não haver mais recuperação e esse é um problema que tentamos solucionar. Quando recuperamos, nós colocamos fotos da bicicleta na imprensa para que o dono, caso visualize, possa vir retirá-la”, expõe.
A orientação, segundo ele, é sempre fazer boletim de ocorrência. “Se possível acompanhá-lo com fotografia e nota fiscal, onde consta o número do quadro da bicicleta. Caso essa bicicleta seja abordada por qualquer força de segurança, há condição de visualizar no sistema que se trata de uma bicicleta furtada. Caso a bicicleta tenha sido roubada há mais tempo, é possível entrar em contato conosco para visualizarmos se essa bicicleta está no pátio”, ressalta.
INCIDÊNCIA
O comandante da 2ª Companhia da PM de Marechal Rondon, tenente Daniel Aguiar Zambon, avalia que os crimes de furto são intensos na região e chamam a atenção no município. “Fizemos um belo trabalho ao longo dos anos e percebemos uma redução acentuada nos furtos, inclusive de bicicleta. Em geral, nesse tipo de crime os elementos trocam o objeto furtado por outro de interesse deles ou o vende no mercado clandestino, como uma forma de obter dinheiro”, declara.
Zambon diz que os furtos de bicicletas no município acontecem pelas características que favorecem esse meio de transporte na cidade. “É um local plano, com condições climáticas propícias ao uso de bicicletas. Então, os criminosos buscam as bicicletas, pois há facilidade para comercializar clandestinamente”, considera, emendando que muitas pessoas utilizam bikes em Marechal Rondon e, consequentemente, a compra/venda desses veículos tem grande demanda.

Comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar, tenente Daniel Zambon: “Em caso de furto, é importante ter a nota fiscal, o número do quadro para que seja possível fazer o reconhecimento e fotos. Deve-se informar imediatamente a polícia por meio do 190” (Foto: Sandro Mesquita)
DESCARACTERIZAÇÃO
Santos relata que a maioria das últimas ocorrências desse tipo são de situações em que a bicicleta está sem proteção. “As pessoas deixam a bicicleta descadeada na frente do inglês, na frente do supermercado e aí passa aquele ladrão de ocasião e leva”, enaltece, acrescentando: “Os elementos tentam alterar alguma característica, pintando de outra cor ou trocando acessórios para descaracterizar a bicicleta”. Zambon, por sua vez, menciona a venda das bicicletas em municípios da redondeza para evitar a identificação.
A maioria dos furtos, conforme o delegado, é de bicicletas mais simples. “Percebemos que quando as bicicletas são daquelas não tão simples os proprietários têm um cuidado maior com a segurança. O zelo parece aumentar junto com o valor agregado”, observa.
Conforme o comandante da PM, os furtos de bicicleta acontecem em situações variadas, desde quando dispostas em via pública até guardadas nas residências. “A pessoa deixa a bicicleta encostada e vai em um comércio e quando volta ela não está mais lá. Nas casas, a bicicleta fica exposta, protegida por muros baixos que propiciam a ação do criminoso”, exemplifica, ampliando: “Temos casos peculiares registrados de pessoas que deixaram a bicicleta encostada em um comércio e o criminoso trocou a mesma por uma bicicleta inferior e de qualidade ruim. O elemento simplesmente troca e sai com a bicicleta da vítima, que é melhor que a dele”.
FINALIDADE
Zambon enfatiza que muitas bicicletas ficam guardadas em depósito e são recuperadas quando estão prestes a serem vendidas. “Os criminosos costumam também trocar as bicicletas em bocas de fumo, seja para honrar dívidas ou trocar por drogas”, pontua.
Na tentativa de recolocar as bicicletas no mercado, muitas pessoas acabam comprando o produto, informa Zambon, e podem responder por receptação. “Para evitar essa responsabilização e deixar de fomentar esse crime tão prejudicial, as pessoas devem ter cuidado ao comprar objetos usados, principalmente pelas redes sociais. É preciso se atentar à procedência, solicitar a nota fiscal ou, ao menos, a pessoa tem que dizer de onde comprou e fazer um recibo de compra e venda, contendo os dados pessoais de quem vende. Se possível, a assinatura pode até ser reconhecida em cartório”, orienta.
Segundo ele, preços muito abaixo do mercado podem representar origem ilícita. “Se tiver alguma suspeita quanto ao produto, basta ligar no 190 e informar, porque pode ser um objeto oriundo de crime. Por outro lado, informações sobre furto ou depósito de mercadorias furtadas podem ser denunciadas no disque denúncia 181, de forma anônima”, indica.
SEGURANÇA
Para prevenir situações de furto, o tenente da PM destaca a importância de armazenar as bicicletas em um local adequado. “A população deve usar cadeado e sempre tentar deixá-las em um local visível. Nas residências, é preferível optar por deixar a bicicleta guardada, não confiando apenas nos muros”, orienta, acrescentando: “Em caso de furto, é importante ter a nota fiscal, o número do quadro para que seja possível fazer o reconhecimento e fotos. Diante dessas situações, deve-se informar imediatamente a polícia por meio do 190”, conclui.

Orientação é cadear as bicicletas e, se possível, colocá-las em um lugar visível, que possibilite monitoramento (Foto: O Presente)
FURTO OU ROUBO?
Conforme o comandante da 2ª Cia da PM rondonense, frequentemente os termos furto e roubo são confundidos pela população. “O furto acontece quando o criminoso se aproveita de um momento em que a vítima não está presente ou atenta e captura o objeto da vítima, levando-o sem que a vítima perceba. No roubo, por sua vez, o criminoso exerce uma coação da vítima, geralmente com uma arma de fogo, arma branca ou algum objeto, e persuade o outro a entregar o objeto. Outra diferença é a questão da pena, visto que a pena do roubo é maior que a de furto”, explica.
Zambon diz que, de acordo com o Código Penal Brasileiro, a pena de furto simples é de um a quatro anos e a de roubo é de quatro a dez anos, ambas com pagamento de multa. “Elas podem ser agravadas. Em todo caso, nosso código prevê a possibilidade do cumprimento de 1/6 da pena em regime fechado e o restante em regime aberto. O criminoso responde o processo em regime aberto e muitas vezes as pessoas não têm consciência disso. Uma boa reflexão sobre a questão é pensar em quem elegemos para o Legislativo, visto que são as pessoas responsáveis por alterar as leis e que poderiam auxiliar nessa questão da segurança pública”, aponta.
Segundo ele, as consequências dessa pena menor são percebidas no dia a dia das forças de segurança. “Os elementos ficam menos tempo presos e é perceptível uma reincidência muito alta. Nós fazemos um trabalho diuturno nessa questão, com várias prisões, e percebemos com frequência que os criminosos que pegamos geralmente já têm passagem por furto”, constata.


(Arte: O Presente)
O Presente