O trânsito de Marechal Cândido Rondon recebeu incremento de 14.377 veículos nos últimos dez anos.
Em 2011, conforme dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR), o município tinha 31.215 veículos de todos os tipos, enquanto no fim do ano passado o contingente era de 45.592 unidades, o que representa um aumento de 56% na frota rondonense na última década.
As caminhonetes, veículos de maior porte e com custo mais elevado, são as campeãs de emplacamento no período, passando de 1,9 mil em 2011 para 4.163 em 2020, ou 120% de evolução. Porém, em números absolutos, os automóveis ocupam a liderança com a frota de 21.748 unidades até o fim do ano passado. Motocicletas e motonetas, que são mais baratas e econômicas se comparadas com veículos, além de mais ágeis no trânsito, também possuem frota considerável.

Trânsito rondonense passou de 1,9 mil para 4.163 caminhonetes na última década, aumento de 120% (Foto: Joni Lang/OP)
PREOCUPAÇÃO COM A SEGURANÇA
O secretário de Mobilidade Urbana de Marechal Rondon, coronel Welyngton Alves da Rosa, avalia que a frota local é bastante expressiva, considerando que o município tem cerca de 53 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, para cada dez habitantes há aproximadamente nove veículos ou ainda média de 0,85 veículo por habitante
Isso, na opinião dele, impõe preocupações quanto à manutenção da segurança de condutores e de cidadãos em geral. Para o secretário, algo que poderia contribuir neste sentido seria a municipalização do trânsito, determinação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) datada de 1997. “Contudo, para um município assumir a fiscalização e a sinalização do trânsito deve cumprir etapas essenciais. Entre elas estão ter controle total de engenharia de tráfego com obras como fechamentos de retornos e sinalização para haver fluidez; a segunda é controle estatístico de frota, acidente e como está a quantidade de veículos no município; terceira, adotar no município a matéria de educação de trânsito na rede pública; quarta, ter controle total sobre fiscalização com agentes de trânsito”, expõe.
MUNICIPALIZAÇÃO DO TRÂNSITO
Welyngton ressalta que a municipalização não se resume em adotar estacionamento regulamentado. “É muito mais complexa e abrangente, visto que o município assume toda a responsabilidade do trânsito, como carga, descarga, estacionamento irregular, notificações e acidentes”, enaltece.
Segundo ele, Marechal Rondon está se encaminhando para a municipalização do trânsito, mas ainda tem um longo caminho pela frente. “Estamos trabalhando na parte de engenharia há quatro anos, temos o projeto de cidadania do trânsito com oito mil crianças atendidas e este ano criando a matéria de educação de trânsito na grade curricular da rede municipal”, comenta.

Secretário de Mobilidade Urbana, Welyngton Alves da Rosa: “A municipalização não é só adotar estacionamento regulamentado. É muito mais complexa, visto que o município assume toda responsabilidade do trânsito, como carga, descarga, estacionamento irregular, notificações e acidentes. Temos um longo tempo pela frente, porém estamos no caminho” (Foto: Joni Lang/OP)
DIFICULDADES
De acordo com o secretário, cidades com mais de 100 mil habitantes têm dificuldade financeira com a implantação da municipalização porque a Junta Administrativa de Recursos (Jari), que analisa recursos, multas, estrutura de agentes de trânsito e tecnologia de informática, torna-se onerosa ao município e a partir disso o trânsito não se paga. “O município investe muito mais dinheiro do que o retorno. Ao municipalizar se trabalha com estacionamento, lombadas eletrônicas, uma série de coisas, portanto tudo muito oneroso”, enfatiza.
Welyngton considera que em uma época de pandemia é preferível investir na saúde do que na fiscalização do trânsito. “Isso porque a PM (Polícia Militar) desempenha esse trabalho com competência e obrigação legal. Hoje nosso município deve sinalizar com placas e pinturas e a PM fiscalizar e penalizar os infratores”, destaca.
Ele entende que a municipalização não vai resolver o problema. “É preciso investir em outras áreas, mas gradativamente nós iniciamos. São mais de quatro mil placas instaladas nos últimos quatro anos na sede e nos distritos, pois a municipalização deve ser por completo. Mesmo com a municipalização a PM segue com a competência de fiscalizar e punir infratores, ou seja, o município teria a mais a incumbência de fiscalizar. Já solicitamos mais placas de sinalização e observamos redução de 90% nos acidentes com mortes, tanto que de agosto de 2018 a agosto de 2019 não houve óbito no trânsito. Mesmo com muitos veículos damos resposta para os acidentes não acompanharem a elevada frota”, evidencia.
INCHAÇO NO CENTRO
Outra questão apontada pelo secretário é que, apesar do aumento da frota nos últimos dez anos, a região central da cidade não sofreu alteração. “Há inchaço de veículos no mesmo espaço, o que cria problemas, como falta de estacionamento. Nos últimos anos criamos mais de 300 vagas de estacionamento nas ruas centrais, inclusive com estacionamento oblíquo em alguns locais, justamente para atender a demanda e crescente quantidade de veículos, oferecer locais para estacionar e segurança aos usuários”, aponta.
Alves da Rosa afirma que a equipe da Secretaria de Mobilidade Urbana tem atuado com competência para o trânsito fluir em todo município, seja no centro, nos bairros ou nas sedes dos distritos. “Fechamos retornos em vários pontos da Avenida Rio Grande do Sul, que possuía grandes problemas nos cruzamentos, além de outras ruas onde colocamos rotatórias para conversão com segurança e garantias. Com fechamentos dos cruzamentos na avenida, o trânsito flui mais rápido. As rotatórias com tachões a cada 100 metros fazem os condutores redobrarem a atenção e evitarem ultrapassagens perigosas, além de diminuírem as filas duplas. Quebramos inúmeras preferenciais para evitar travessia elevada e lombada, fazendo os veículos pararem numa rua para desenvolver a velocidade, o que também reduz pontos de acidentes. São ações simples, baratas, fáceis de fazer e com resultado significativo”, afirma.
Além disso, o secretário frisa que o projeto de cidadania no trânsito, as campanhas educativas como Maio Amarelo, semanas do ciclista e do trânsito, o engajamento dos clubes de serviço e das forças policiais nas blitzes, bem como o trabalho da imprensa, contribuem de maneira positiva para melhoria no trânsito rondonense. “São ações educativas de rápido efeito positivo. Esperamos que as campanhas possam ser retomadas a partir da vacina da Covid-19 para beneficiarmos um número maior de pessoas no trânsito”, finaliza.


(Arte: O Presente)
O Presente