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Guilherme Rissato nega participação no crime: “menti que não sabia de nada para proteger meu pai”

Filho de Luis Rissato diz que falou inicialmente que não sabia que o pai havia matado Edna Storari para não prejudicá-lo


calendar_month 14 de setembro de 2023
7 min de leitura

Filho de Luis Rissato, Guilherme Henrique Rissato também foi ouvido no júri popular que está sendo realizado nesta quinta-feira (14), no Fórum de Marechal Cândido Rondon.

Confira o que ele disse no seu depoimento:

“O que aconteceu principalmente foi que eu tava trabalhando, eu cheguei no final de semana, no domingo, e troquei de turno com o meu pai. Nesse período minha esposa na época, atualmente ex-esposa, agora a gente não tá mais junto, acabou terminando por tudo isso que tá acontecendo, e ela tava internada em Assis Chateaubriand com Covid e nesse domingo eu cheguei para trocar de turno com o meu pai e o hospital me ligou para buscar ela no hospital. Pedi pra ele segurar o turno pra mim, e eu peguei o carro fui até Assis Chateaubriand buscar minha ex-esposa no caso. Levei ela até Marechal pra deixa-la e retornando até lá meu pai perguntou pra mim se ela tava bem, o que que tinha acontecido e eu falei que ela tava bem só que a gente ia ter que ficar em isolamento dez dias porque eu trabalhava no colégio, e ele falou, tranquilo beleza. Naquele dia ele foi pra casa, eu terminei meu turno até meia-noite e voltei pra casa também. No outro dia cedo eu fui até o hospital pra pegar meu atestado e apresentar no colégio pra justificar o período que eu ia ficar afastado por causa do isolamento social. Até ali tranquilo. Fui lá de manhã, tinha muita gente no hospital e eu peguei e acabei voltando pra casa, quando eu cheguei em casa deixei minha esposa e meu pai me ligou pedindo se eu podia ir na casa dele falar com ele. Eu falei que poderia sem problema. Fui até a casa dele, e chegando encostei meu carro, desci pra falar com ele até o portão, e ele perguntou pra mim se eu poderia ajudar ele a fazer o transporte naquela semana. Como ele sabia que eu ia ficar em isolamento social, pedindo se eu podia ajudar ele a fazer o transporte naquela, que a Edna tinha saído pra viajar de 30 a 40 dias. Eu não suspeitei nada, falei que sem problema nenhum. Falei pra ele só fazer uma rota onde que pegava os funcionários, onde deixava e o horário que eu tinha que pegar a van, que naqueles dez dias eu ajudaria ele sem problema nenhum. Voltei pra casa, três horas ele me passou que três horas era o primeiro horário. Voltei pra casa, almocei, deixei meu carro, almocei com a minha ex-esposa, retornei de tarde, três horas, peguei a rota do transporte que eu ia fazer e fiz o transporte normal. Levei os funcionários, trouxe os funcionários de volta, onze horas da noite também e sete horas da manhã eu fazia o transporte para ele ida e volta. Eu ia com o meu carro, deixava lá, assim como eu expliquei no depoimento. A parte que eu não contei no depoimento foi que eu realmente sabia que tinha acontecido o ato executório. Tentei proteger meu pai e acabei tentando esconder isso. Foi o que eu descobri que foi na época no final dos últimos dez dias que eu fui fazer o transporte pra ele à noite que eu descobri o que tinha acontecido, que ele veio me falar foi quando eu cheguei pra fazer o transporte das onze horas da noite que tava aquela repercussão imensa e eu acabei estranhando, pois ele parecia meio transtornado, meio em choque pela situação que tava acontecendo e eu perguntei pra ele o que tava acontecendo e ele me falou que realmenbe tinha matado a Edna, mas não me contou com riqueza de detalhes nada. Eu também fiquei transtornado, em choque, apavorad,o porque ele nunca foi de fazer isso aí, sempre foi uma pessoa muito boa, uma pessoa de boa índole, sempre trabalhou, eu nunca imaginaria ele ter feito uma coisa dessas, jamais. Aquele momento fiquei em choque, acabei indo fazer o transporte que eu tinha combinado com ele, voltei guardei a van, peguei o meu carro e fui embora. A partir daquele momento começou a polícia vir pedir depoimento pra mim, na outra semana meu pai já foi preso e eles em depoimento pediram se eu sabia ou não e eu acabei falando que não sabia, que eu tinha feito os transportes. Contei tudo com riqueza de detalhes como tinha acontecido, que foi realmente a verdade, a única coisa que eu não contei foi que eu sabia do ato que tinha acontecido. Acabei escondendo isso, mas no fundo eu sabia o que que tinha acontecido. Eu sempre fui trabalhador, nunca me envolvi com nenhum tipo de crime, nenhum tipo de droga, nada, e acabei ficando apavorado, com medo, e pra não prejudicar meu pai, tentei defende-lo, mas acabou dando no que deu. Contudo, eu não tive envolvimento com nada disso, nunca tive envolvimento com crime com nada, nunca saberia formular um homicídio ou fazer qualquer tipo de ocultação nem nada, jamais eu faria isso, não é da minha índole, eu nunca fui instruído a fazer isso, então eu tô pagando por uma coisa hoje que eu não fiz. Se eu tiver que pagar por alguma coisa foi pela fraude processual que eu fiz que realmente escondi o que tinha acontecido, mas dos outros crimes que tão me imputando eu realmente eu não cometi”, mencionou.

Guilherme declarou que não mantinha diálogo com Luan na PEC, em Cascavel, e negou que tenha falado algo para simular um sequestro e que já foi contrabandista, como citou Luan.

Encontro em bar

Quando questionado se encontrou alguém em um bar para dar encaminhamentos quanto à ocultação de cadáver, Guilherme respondeu: “Nem bar eu frequento, sempre trabalhei. Trabalhava de domingo a domingo, então eu não tinha tempo de ficar em bar. Podia ir na casa de amigos fazer algum churrasco, alguma coisa, mas nunca fui de frequentar bares”. E continuou: “Não ocultei nenhum cadáver, eu não tive nenhum envolvimento em nenhuma parte nesse crime, a parte que eu tive envolvimento do crime mesmo foi de eu ter mentido o que eu sabia que meu pai tinha feito o ato executório, mas, além disso, eu não sabia de nada”.

O júri

O júri popular teve início por volta das 08h30 desta quinta-feira. Estão sendo julgados os réus Luis Rissato, Amábile Rissato, Guilherme Henrique Rissato e Luan Rafael Ferreira de Lima.

O júri é presidido pelo juiz Dionisio Lobchenko Jr. e conta com a atuação do promotor Caio Marcelo Santana Di Rienzo na acusação, assistido pelo doutor Luiz Carlos Trodorfe. A defesa dos réus está a cargo dos advogados Sérgio Antônio Mendes de Oliveira, Silvia Garcia da Silva e Antonio Marcos de Aguiar.

Acompanhe o julgamento ao vivo (clique aqui).

Relembre o caso

A empresária rondonense Edna Storari, de 56 anos, foi dada como desaparecida no dia 27 de setembro de 2021 por uma das filhas. A mulher morava em Marechal Rondon há oito anos e suas duas filhas residem em Tapejara e Pérola do Oeste, no Paraná.

Tão logo o caso chegou à Polícia Civil, a situação foi tratada como desaparecimento. Contudo, com o andamento das investigações, passou a ser considerada um caso de feminicídio.

O companheiro da empresária rondonense está preso preventivamente desde 07 de outubro de 2021. O filho dele e a filha dele foram detidos no dia 02 de dezembro daquele ano – a filha foi colocada em liberdade recentemente. O genro do principal acusado foi preso, mas atualmente responde em liberdade. O companheiro da empresária é investigado pelo crime de feminicídio e os filhos e genro por ocultação de provas e fraude processual. Edna e o homem não tiveram filhos juntos.

A empresária rondonense Edna Storari, de 56 anos, foi dada como desaparecida no dia 27 de setembro de 2021 por uma das filhas. Ela morava em Marechal Rondon há oito anos (Foto: Divulgação)

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