Obesidade é o acúmulo de gordura no corpo proveniente da ingestão de alimentos muito calóricos, ricos em gordura e açúcar, bem como a redução da prática de atividades físicas e aumento do sedentarismo. É uma doença crônica, e assim como estas, impacta na redução da qualidade de vida e aumento da mortalidade.
No Brasil, a proporção de obesos na população com 20 anos de idade mais que dobrou entre 2003 e 2019, passando de 12,2% para 26,8%. Nesse período, a obesidade feminina subiu de 14,5% para 30,2%, enquanto a masculina passou de 9,6% para 22,8%. Vale salientar que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma pessoa é considerada obesa quando o Índice de Massa Corporal (IMC) está acima de 30. O IMC é resultado de um cálculo que considera peso, altura e idade.
No Estado do Paraná, segundo registros do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), 34% das pessoas adultas que tiveram seu peso e altura aferidos nas unidades de saúde (2019) estavam com sobrepeso. Em Marechal Cândido Rondon não há um índice de quantas pessoas estão em sobrepeso. No entanto, de acordo com a nutricionista da Secretaria Municipal de Saúde, Tanicler Becker, os índices regionais apontam que muitas pessoas estão acima do peso por conta da cultura alimentar alemã, que tem como hábito o consumo em excesso de carboidratos. “A obesidade é multifatorial. Ela envolve fatores genéticos, comportamentais, sociais e ambientais que extrapolam o nível individual”, explana.
Neste sentido, Tanicler reforça a importância da vigilância alimentar e nutricional. “É uma doença que exige medidas complexas entre vários setores da sociedade que contribuam com a adoção de modos de vida saudáveis. É fundamental compreender todos os determinantes da obesidade, evitando a culpabilização e a discriminação das pessoas”, salienta a profissional, que ressalta alguns perfis atingidos pela doença. “Normalmente pessoas ansiosas e depressivas comem mais e ganham mais peso. Pessoas que trabalham à noite, principalmente, também têm propensão maior a engordar”, acrescenta.
A nutricionista frisa que a obesidade implica em diversas patologias. “É um processo inflamatório que causa várias doenças, como hipertensão, cardiopatia, doenças cardiovasculares e diabetes. Outra consequência grave é o acidente vascular cerebral (AVC) e o aparecimento de câncer. Além disso, o peso sobrecarrega os ossos, joelhos, pernas e os pés”, destaca Tanicler.

Políticas públicas
A obesidade é um problema de saúde pública relevante, mas ainda não é amplamente reconhecida como uma doença que necessita de diagnóstico e tratamento de forma oportuna. Desde a década de 1990, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN, 1999), do Ministério da Saúde, definiu diretrizes para organizar as ações de prevenção e tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
Cada município desenvolve uma ação de controle da obesidade. Em Marechal Rondon, por exemplo, são feitas ações com atividades coletivas, que incluem palestras, rodas de conversa, distribuição de folders informativos, oficinas culinárias e atendimento clínico de avaliação nutricional. “Os profissionais elaboram um planejamento alimentar, com cálculos de cardápio e orientações nutricionais para que a pessoa perca peso, além do acompanhamento mensal e individualizado”, menciona.
Há ainda o trabalho de conscientização nos postos de saúde, atenção primária e com grupos de idosos, hipertensos e diabéticos no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) do município. “Estamos também com um projeto intersetorial com a Educação e a Secretaria de Esporte voltado para a obesidade infantil”, aponta Tanicler.
Obesidade infantil
No âmbito intersetorial, destaca-se a adoção de políticas de segurança alimentar e nutricional, bem como a integração do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) com a produção local de alimentos e a agricultura familiar, favorecendo a oferta de frutas e hortaliças nas escolas e comunidades.
A nutricionista da Secretaria de Educação e responsável pela alimentação escolar, Jaciara Reis, diz que as escolas oferecem o que é chamado de “comida de verdade”, baseada na boa mistura brasileira do feijão com arroz, que são fontes de proteína. “A alimentação é rica em frutas e verduras para que seja obedecida diretriz do Guia Alimentar da População Brasileira, a qual recomenda alimentos minimamente processados”, pontua.
Jaciara destaca que a alimentação inadequada juntamente com alto consumo de alimentos ultraprocessados e a redução de alimentos in natura influenciam na questão do ganho de peso. Por isso, nas escolas é incentivada a alimentação adequada e saudável, proporcionando o crescimento e o desenvolvimento dos alunos. “O Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) são abastecidos com saladas e frutas diariamente, fomentando a produção local. Todo recurso da alimentação escolar busca ser investido em alimentação saudável e sustentável para que gere um impacto positivo nos números de saúde, proteção e prevenção de doenças”, reporta a nutricionista.
Ela chama atenção para a qualidade de vida das crianças. “Antes elas brincavam na rua, corriam, pulavam. Hoje a maioria fica em frente a aparelhos eletrônicos. Isso faz com que haja um desequilíbrio entre o consumo calórico e o gasto calórico, tendo em vista que os alimentos industrializados são mais ricos em açúcares, gorduras, tendo o aumento do valor calórico”, comenta Jaciara, que complementa ainda sobre como as mídias e a televisão influenciam no cardápio infantil. “Elas veem os produtos alimentícios e se influenciam disso, seja pelas cores, desenhos e formatos”.

Como evitar o sobrepeso no meu filho?
A primeira questão é verificar as escolhas alimentares dos pequenos. Quando os pais são responsáveis por estas escolhas, deve-se evitar alimentos industrializados. “Com isto eles estarão protegendo seus filhos. A partir do momento que a criança tem acesso a este tipo de alimento, com excessos de gorduras e açúcares, ela passa a rejeitar frutas e verduras”, alerta.
Outro fator é visitar regularmente o serviço de saúde para avaliar o crescimento e desenvolvimento infantil. “O profissional faz o acompanhamento para ver se a criança está dentro da normalidade, incentivando o gasto calórico e a prática de exercícios físicos diariamente”, salienta.
O Presente