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Marechal

História da família Oliveira se confunde com a história do Horto Municipal de Marechal Rondon

calendar_month 24 de setembro de 2021
8 min de leitura

Criado em 1975 sob a gestão do então prefeito Almiro Bauermann, o Horto Florestal de Marechal Cândido Rondon se tornou ao longo dos anos uma inesgotável fonte de flores e outras plantas que embelezam e dão vida a praças, vias e órgãos públicos do município.

Aos 75 anos, Arnold Lamb, que na época era secretário de Administração, relembra com muito carinho e se orgulha por ter feito parte do início da história do Horto Municipal. “É gratificante saber que obtemos êxito. O sentimento é de missão cumprida”, enalteceu ao O Presente.

Segundo ele, o espaço foi criado por conta da carência de árvores nas ruas da cidade. “Não havia empresas privadas na microrregião para fornecer mudas, tanto é que antes da criação do horto a prefeitura fez uma compra de plantas em Maringá”, recorda.

O ex-secretário afirma que os primeiros locais a receberem as mudas adquiridas pelo município foram as avenidas Rio Grande do Sul e Maripá. “Com o tempo foi decidido que seria viável a criação de um horto florestal para a produção das próprias mudas”, ressalta.

Na época foi definido pela administração rondonense que as plantas cultivadas no local poderiam ser vendidas para a população. “As mudas eram vendidas a preço de custo para as pessoas que queriam reflorestar as margens de rios e córregos”, expõe.

Para Lamb, se naquele período a gestão municipal percebeu a importância em se ter um local para o plantio e cultivo de árvores e plantas para o município, atualmente essa necessidade, segundo ele, é ainda maior. “O horto continua sendo muito útil para a finalidade à qual foi criado: tornar o nosso município mais verde”, evidencia.

Lamb destaca a importância da arborização das cidades para a saúde e o bem-estar da população. “Infelizmente, vemos muitas administrações públicas derrubando ou autorizando o corte de árvores e no lugar plantam alguma coisa muito raquítica que parece mais um arbusto”, lamenta.

Ex-secretário de Administração de Marechal Rondon, Arnold Lamb: “Algumas pessoas falam que as árvores causam muita sujeira, mas eu considero que sujeira é jogar maço de cigarro ou plástico na rua” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

UMA VIDA DEDICADA AO HORTO

A trajetória de vida de Anivaldo Martins de Oliveira, de 57 anos, tem uma relação estreita com o cultivo de plantas no município e se une à própria história do Horto Municipal, que este ano completou 46 anos de existência.

O rondonense começou a trabalhar no local em 1980, aos 17 anos de idade, em companhia do pai e de dois irmãos.

Anivaldo lembra que uma das dificuldades da época era a distância do centro da cidade, onde estudavam. “A estrada era de chão e quando chovia tinha muito barro, o que dificultava nossa ida para a cidade”, recorda.

Ele relata que ao longo dos anos a família foi se acostumando, e hoje, 42 anos depois, Anivaldo continua cuidando com carinho das flores e plantas existentes no local. Alguns anos depois, Anivaldo se casou com Gessemina, que passou a integrar a equipe responsável pelo Horto Municipal.

Cerca de dez anos depois, o patriarca da família e a filha se mudaram para o Estado de Santa Catarina, porém, sua cunhada começou a trabalhar no local e os dois casais deram continuidade às atividades no Horto Municipal.

Anivaldo relembra que no início de 2000 o irmão e a esposa assumiram o trabalho de paisagismo no município e foram residir na área urbana da cidade.

Com a saída do casal, outros funcionários trabalharam no Horto Municipal, mas, com o passar dos anos acabaram saindo, entretanto, Nivaldo e a esposa permaneceram trabalhando juntos no local. “A gente sempre gostou do horto e foi aqui que criamos nossos três filhos e firmamos raízes e é onde permanecemos até agora”, ressalta.

Mas, há oito anos a esposa se aposentou e, desde então, Anivaldo se desdobra para dar conta de todo o processo, desde a semeadura até a produção das mudas que posteriormente embelezarão praças, ruas e avenidas do município. “É muito gratificante andar na cidade e ver as árvores planadas por nós”, destaca.

Anivaldo conta que costuma trazer mudas e sementes de plantas diferentes que ele encontra durante as viagens de férias em outras cidades. Segundo ele, as primeiras mudas de oiti, cujo nome científico é “Licania Tomentosa”, plantadas em muitas ruas da cidade foram trazidas por ele durante uma viagem de ônibus à São Paulo. “Trouxe uma bolsa cheia de sementes. Durante a viagem o cheiro forte deixou o pessoal um pouco bravo comigo, mas faz parte da profissão”, brinca.

O amor dedicado por Anivaldo às plantas vai além da profissão. O rondonense confessa que, às vezes, se sente um tanto quanto consternado em dar algumas mudas que cultivou com zelo e carinho. “Já aconteceu de ir na casa das pessoas e ver a muda morrendo sem ser plantada”, lamenta, completando: “mas, quando o pessoal planta e cuida com carinho sinto prazer em ter semeado aquela planta”.

Próximo a completar o tempo exigido para a aposentadoria, Anivaldo espera que o Horto Municipal continue funcionando. “Pretendemos treinar alguém para ficar no meu lugar para que o horto não deixe de produzir”, informa.

 

DEDICAÇÃO

Para o secretário municipal de Agricultura e Política Ambiental, Adriano Backes, que inclusive é casado com uma das filhas de Anivaldo, a trajetória da família Martins de Oliveira à frente do Horto Municipal sempre foi marcada por muito trabalho e dedicação às plantas cultivadas no local. “Todos da família sempre tiveram muito prazer em lidar com as plantas. É uma satisfação ver que eles criaram os filhos e conquistaram seus bens trabalhando no Horto Municipal, sempre com um sorriso no rosto”, elogia.

Secretário Adriano Backes ao lado do sogro Anivaldo Martins de Oliveira, responsável pelo Horto Municipal: “É uma satisfação ver que eles criaram os filhos e conquistaram seus bens trabalhando no Horto, sempre como um sorriso no rosto” (Foto: Divulgação)

 

MELHORIAS

O Horto Municipal rondonense compreende uma área de 15 mil metros quadrados, localizado na saída para Nova Santa Rosa, próximo ao posto da Polícia Rodoviária Estadual.

O local abriga dezenas de árvores nativas, algumas delas frutíferas, e outras usadas na arborização urbana que são doadas para a população. As floríferas e folhagens são comercializadas. As mudas cultivadas no Horto Municipal rondonense também são vendidas para os municípios vizinhos e o valor arrecadado é revertido aos cofres da cidade.

Segundo Backes, atualmente, quem pretende retirar mudas no Horto Municipal precisa antes se dirigir à prefeitura munido de um comprovante de residência para fazer o pedido de até três mudas.

Ele diz que a prefeitura pretende informatizar o processo no ano que vem, viabilizando que a pessoa se dirija diretamente no horto para retirar as mudas que deseja. “Através da documentação da pessoa emitiremos um boleto bancário com o valor daquilo que ela comprará para posteriormente fazer o pagamento”, informa.

De acordo com o secretário, a intenção para 2022 é reaproximar as escolas do município com a retomada das visitas dos alunos ao local. “A intenção é mostrar para as crianças o processo de cultivo das plantas e o quão importante elas são para todos nós”, pontua.

Registro feito no início da década de 1980 da família Martins de Oliveira no Horto Municipal. À esquerda está o patriarca da família, Horácio Júlio, e ao lado dele estão os filhos: Vera Lúcia, Anivaldo e Cilso Martins de Oliveira (Foto: Divulgação)

 

FREQUENTADOR DO HORTO

Enquanto a reportagem do O Presente esteve no Horto Municipal para realizar as entrevistas, algumas pessoas vieram retirar mudas para levar para casa. Uma delas foi o produtor rural Silfredo Schneider, cliente assíduo do horto. “Vira e mexe estamos aqui caçando muda”, brinca. “Hoje vim atrás de ipê. Minha esposa gosta por causa das flores”, declarou.

O agricultor destaca a importância do Horto Municipal como ferramenta para aumentar a quantidade de árvores existentes no município, o que, na visão dele, reflete diretamente na preservação do meio ambiente. “Precisamos manter o que temos como está e plantar mais árvores para deixarmos para nossos netos”, conclui.

Produtor rural Silfredo Schneider, cliente assíduo do horto, na visita desta semana foi em busca de mudas de ipê para a esposa plantar no jardim da residência (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

DIFICULDADES COM A ESTIAGEM

A exemplo do que acontece nas lavouras, a longa estiagem e as geadas registradas este ano prejudicaram o desenvolvimento da produção no Horto Municipal.

A água usada para irrigar as plantas em períodos de escassez hídrica é retirada de um poço artesiano existente no local. A irrigação acontece de forma reduzida para evitar que o poço seque por completo.

90% das árvores plantadas em vias e espaços públicos do município passaram pelas mãos de Anivaldo, que na imagem aparece plantando sementes de ipê amarelo (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

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