Qualquer investimento na saúde pública é sempre bem-vindo para a população em qualquer cidade do mundo, principalmente no Brasil, diante de tantas mazelas evidentes no setor.
A instalação de uma estrutura hospitalar remete à grande demanda de pacientes para utilizar o espaço sob o olhar atento de profissionais da saúde e, consequentemente, o tratamento e a cura de enfermidades.
Em Marechal Cândido Rondon, a instalação de um hospital de campanha no Centro de Eventos tem o propósito de dar suporte à rede municipal de saúde, estando à disposição para o tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19.
As instalações têm condições de atender simultaneamente 76 pacientes em quatro espaços montados em forma de “U”, com 19 leitos cada um, 38 masculinos e o mesmo número destinado às mulheres. A estrutura foi mobiliada com camas hospitalares e demais equipamentos necessários para o atendimento.
Segundo o prefeito Marcio Rauber, o município está preparado se, porventura, mais pessoas forem diagnosticadas com Covid-19 e, principalmente, se acontecerem casos de contágio comunitário.
Para ele, o que pesou para a decisão de implantar o hospital de campanha foi a segurança que a estrutura oferecerá para o tratamento de pacientes em estado mais grave da doença. “Nós não sabemos exatamente o que acontecerá em Marechal Rondon, não sabemos quantas pessoas serão infectadas, quantas serão assintomáticas e quantas precisarão de atendimento mais importante da saúde” ressalta.
De acordo com Rauber, para que a estrutura seja utilizada seria necessário uma demanda de pacientes dispostos em todos os leitos disponíveis na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e no Hospital Municipal Dr. Cruzatti. “Tomamos as medidas necessárias para construir o hospital, que, agora, está à disposição, mas espero não utilizá-lo”, enfatiza.
Para o prefeito, a estrutura traz mais tranquilidade não somente para a população, mas também para os profissionais da área de saúde do município. Ele cita exemplos negativos de outros países, principalmente Espanha, Itália e Estados Unidos, onde milhares de mortes aconteceram, e muitas delas por conta da sobrecarga na estrutura de saúde. “Se nos colocarmos no lugar dos nossos profissionais e termos que atender sabendo que não terá onde colocar as pessoas, e que em casos mais graves teremos que escolher quem vai para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e quem não vai, é extremamente desconfortante”, salienta.

Instalações do hospital de campanha têm capacidade para atender 76 pacientes simultaneamente (Foto: Divulgação)

Prefeito Marcio Rauber: “As medidas necessárias para a construção do hospital de campanha foram tomadas e a estrutura está à disposição da população, no entanto, a esperança é que ela não seja usada” (Foto: Sandro Mesquita/OP)
MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO
A recente queda na temperatura, provocada pela proximidade do inverno, e o relaxamento das medidas de prevenção aumentam a preocupação com o possível crescimento no número de casos do novo coronavírus.
Em relação a novos afrouxamentos nas medidas de prevenção, o prefeito enaltece que a decisão é exclusiva do Centro de Operações Especiais (COE). Segundo ele, representantes de setores da economia que ainda não puderam retornar à normalidade no funcionamento procuram a prefeitura pedindo o retorno das atividades. Esses e outros assuntos, pontua, devem ser abordados na próxima reunião do COE. “Permitir que atividades retomem é possível, agora, as medidas sanitárias, como o distanciamento e o uso do álcool gel, ou seja, a higienização como um todo, isso não afrouxaremos porque não é a hora”, pontua.
Conforme a secretária de Saúde, Marciane Specht, todas as medidas sanitárias direcionadas ao controle da disseminação da doença são importantes, principalmente o uso de máscaras de proteção. Ela cita exemplos de grandes centros do país, que optaram tardiamente pelo uso de máscaras e hoje veem os casos da doença dispararem. “Quando usamos a máscara temos que ter a visão que o objetivo é me proteger e proteger o próximo”, observa.
Na opinião da secretária, outras medidas de precaução tomadas que surtiram efeito positivo no controle do vírus foram as barreiras sanitárias na entrada dos estabelecimentos para a higienização dos calçados e o distanciamento no interior dos ambientes. “Essas medidas também contribuíram para que a gente tenha a situação controlada dentro do nosso município, com poucos casos”, opina.

No local foram feitos 38 leitos masculinos e 38 destinados a mulheres (Foto: Divulgação)

Secretária de Saúde de Marechal Rondon, Marciane Specht: “Se as pessoas não tiverem o hábito de manter o distanciamento e o isolamento social, a tendência é o crescimento no número de casos de Covid-19” (Foto: Sandro Mesquita/OP)
PICO DA DOENÇA
Qualquer tipo de previsão relacionada ao período de maior incidência de casos da Covid-19 no país deve ser analisada individualmente, de acordo com o número de habitantes e conforme as medidas de prevenção adotadas pelos municípios.
Segundo o Ministério da Saúde, o pico da doença inicialmente foi previsto para a primeira quinzena de abril; agora, espera-se um quadro de evolução da doença até julho. Em Marechal Rondon até hoje foram confirmados dois casos importados da doença.
O último boletim epidemiológico divulgado ontem (07) pela Secretaria de Saúde mostra que o município tem sete casos suspeitos, 142 notificações e 29 casos descartados.
De acordo com Marciane, a implantação do hospital de campanha levou em consideração a primeira previsão do pico da doença divulgada pelo Ministério da Saúde. “A segunda previsão foi para o início de maio, mas, graças a Deus, os números mostram que esse pico não acontecerá essa semana”, enfatiza, acrescentando: “Através dos números de notificações e casos positivos conseguiremos tatear quando pode ou não ter o pico”.
Segundo a secretária de Saúde, a curva que representa o número de casos da doença no município está achatada, ou seja, poucos pacientes contaminados em um determinado período. “O cuidado que cada pessoa tiver nesse momento será o resultado positivo que o município terá”, evidencia.
Ela orienta as pessoas a evitarem viagens para outros Estados e a grandes centros para evitar a contaminação e a consequentemente disseminação do vírus. A conscientização, frisa, precisa ser individual e familiar. “Quem receber visita de pessoas de outros Estados, que apresentarem algum sintoma da doença, é importante que a Secretaria de Saúde seja avisada através do call center da prefeitura para que possamos orientar e fazer o acompanhamento médico”, solicita.
CONSCIENTIZAÇÃO
Marciane diz que, conforme as medidas de prevenção à Covid-19 são reduzidas, é natural que parte da população relaxe com os cuidados, o que pode representar um risco de aumento no número de casos. Segundo ela, o distanciamento social continua sendo fundamental para o controle do vírus. “Se as pessoas perderem os hábitos de distanciamento e isolamento social, ou seja, voltarem à rotina normal, com festas e aglomerações, a tendência é que haja uma grande quantidade de pessoas contaminadas”, pontua.
De acordo com a secretária de Saúde, mesmo com números positivos no município, é extremamente importante que a população respeite as determinações dos decretos. “Por mais que olhem números, as pessoas precisam se conscientizar que estamos caminhando em meio à pandemia da Covid-19, e que hoje podemos ter casos, amanhã podemos não ter e que mesmo se ficarmos uma semana sem notificações, isso não significa que o vírus não esteja circulando”, salienta.
TESTES RÁPIDOS
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou o envio de 178 mil testes rápidos de Covid-19 para os 399 municípios do Paraná. Pouco mais de 52 mil testes já foram distribuídos nas regionais de saúde no mês de abril.
Os testes serão aplicados em profissionais de saúde, segurança pública e pessoas próximas a eles, desde que apresentem sintomas do novo coronavírus. A estimativa da Sesa é de que esse público seja de 738 mil pessoas, ou cerca de 6,44% da população paranaense. A estimativa é de que a doença possa atingir até 15% desse grupo.
Conforme a Sesa, os testes também poderão ser usados em pessoas doadoras de órgãos que morreram com suspeita de Covid-19, mas que não foram diagnosticadas a tempo. O teste será realizado para confirmar a possibilidade de doação de órgãos.
Os testes deverão ser aplicados em um serviço de saúde designado pelas prefeituras, que terá um atendimento centralizado e orientado para evitar aglomerações.
De acordo com Marciane, os testes rápidos poderão ser feitos conforme indicação médica e podem ser realizados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste (Ciscopar). Segundo ela, o município não recebeu nenhuma orientação do Ministério da Saúde em relação à porcentagem da população submetida ao teste em massa. “Não sabemos se seriam para as pessoas dos grupos de risco, por exemplo”, expõe.
A secretária comenta que o município recebeu da 20ª Regional de Saúde 240 testes rápidos e aguarda orientações do Ministério da Saúde.
Segundo ela, o município fez a aquisição de uma pequena quantidade de testes rápidos e está aguardando as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Tem testes rápidos que precisam ter validação da Anvisa e não adianta eu ter um teste positivo se ele não estiver elencado no setor de epidemiologia para o fechamento de caso”, explica.
Em relação à comercialização de testes rápidos na rede privada, Marciane menciona que não recebeu nenhuma informação por parte do Ministério da Saúde, nem da 20ª Regional, prevendo a autorização para venda do produto. “Também não sei dizer se há farmácias que fizeram a aquisição desses produtos”, declara.
Ela lembra que todos os laboratórios do município têm o teste rápido validado pelo Ministério da Saúde. “Quando o paciente procura ou por orientação médica ou espontaneamente, em caso de resultado positivo, o laboratório remete o resultado para o setor de epidemiologia”, informa.
AVALIAÇÃO POSITIVA
Na visão do prefeito, é extremamente positiva a avaliação no que diz respeito às primeiras medidas restritivas adotadas em Marechal Rondon para contenção e enfrentamento ao novo coronavírus.
“Foram as mais importantes”, entende. Segundo ele, dois aspectos levaram ao fechamento das atividades comerciais e educacionais no município no final do mês de março. O primeiro, aponta, foi para ter tempo hábil para a estruturação da rede municipal de saúde. “Nós organizamos a estrutura da saúde pública de Marechal para o enfrentamento à Covid-19”, ressalta.
O segundo ponto, acrescenta, foi o cancelamento das atividades em escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis). “Nós impedimos a contaminação de crianças com o fechamento das escolas e a necessidade dos pais irem ao trabalho após a liberação das atividades não essenciais. A leitura feita pela administração pública foi de que mesmo havendo a recomendação de que não se deixassem crianças com idosos, muitos pais que precisariam trabalhar não teriam com quem deixar as crianças, senão com os avós”, expõe.
De acordo com o gestor, esses foram os dois principais fatores que levaram ao primeiro decreto e ao fechamento do comércio e suspensão das atividades em escolas. “Tenho certeza que fomos exitosos nessa decisão”, avalia.
A secretária de Saúde amplia que o período de fechamento do comércio com o primeiro decreto municipal foi importante também para a organização da UPA, que recebeu uma ala destinada exclusivamente a pacientes com suspeita da doença. “A organização do fluxo de trabalho, a revisão e a atualização dos protocolos do Ministério da Saúde, especificamente para a Covid-19, e o treinamento realizado com toda a equipe de saúde é o que vai fazer o diferencial no atendimento”, afirma.
Ela informa que a estimativa é que 15% dos profissionais da área possam ser contaminados. Além do cuidado com a população, enfatiza, é preciso uma atenção especial com quem está na linha de frente no enfrentamento à doença. “É extremamente necessário o cuidado com o nosso servidor, senão não tenho um profissional capacitado e com materiais adequados para prestar um atendimento de excelência no enfrentamento à Covid-19”, enaltece.
CANAIS PARA NOTIFICAÇÕES
As pessoas que tiverem dúvidas relacionadas ao novo coronavírus ou identificarem algum sintoma e suspeita de ter contraído a doença devem ligara para os números (45) 99152-1700 e/ou 99113-9532.
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