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Marechal

“Houve traição, mas isso não tem nada a ver com a oposição”, declara prefeito

calendar_month 1 de janeiro de 2019
7 min de leitura

 

O grupo de situação na Câmara de Vereadores de Marechal Cândido Rondon sofreu um revés com a eleição da mesa diretiva para o biênio 2019/2020, realizada no último dia 14, e a composição das comissões permanentes. Uma nova aliança se formou no Poder Legislativo e a base aliada ao prefeito Marcio Rauber (DEM), que contava com nove parlamentares, saiu do processo com apenas cinco. Além disso, todas as comissões permanentes serão formadas por membros desse novo grupo.

A partir dessa nova aliança quem foi conduzido à presidência da Câmara e assume o comando da Casa de Leis na terça-feira (1º) é o vereador Claudio Köhler (Claudinho, PP), considerado até então parceiro do governo municipal. Para o prefeito, agora ele é oposição.

O grupo tem ainda três vereadores do próprio Democratas, Adriano Backes, Adelar Neumann e Cleiton Freitag (Gordinho do Suco), dois do MDB (Arion Nasihgil e Josoé Pedralli), bem como Adriano Cottica (PP) e Ronaldo Pohl (PSD).

Em entrevista ao Jornal O Presente, Rauber falou sobre a eleição da Câmara e das comissões permanentes. Confira.

 

O Presente (OP): No último dia 14 houve eleição na Câmara de Vereadores. Como o senhor recebeu o resultado da mesa diretiva e da formação das comissões permanentes?

Marcio Rauber (MR): O resultado já era esperado. Isso já ouvíamos e a imprensa divulgou qual era o caminho da presidência da Câmara. O nosso grupo político tomou uma decisão, e a decisão que nosso grupo tomou eu levei até o fim. Algumas pessoas tomaram decisões por conta própria e eu simplesmente tenho que respeitar a decisão de cada um. Cada um escolhe o caminho que quer seguir, e isso precisa ser respeitado.

 

OP: O senhor considera que hoje há uma divisão na Câmara?

MR: Claro que sim. Não há dúvida que há. Basta ver qual foi o posicionamento dos vereadores na votação do orçamento, basta ver qual foi o posicionamento dos vereadores com emenda na lei que cria o Procon. Isso está muito claro. É só as pessoas acompanharem e vão ver. O discurso de bonzinho não cola. Dizer que tem que haver diálogo não cola, porque diálogo não acontece. Essas pessoas que dizem que têm que dialogar, não dialogaram. Então temos que ter muito claro que cada um pode tomar a decisão que quiser, e a decisão que você toma vem com escolhas e com consequências. Cada um é livre para fazer as decisões que desejar. Eu faço as minhas decisões aqui (prefeitura), e os vereadores fazem as deles lá (Câmara). Até porque prefeito é prefeito, vereador é vereador, e eu não interfiro nas questões da Câmara. Nunca pedi para um vereador votar assim ou assado. Nunca pedi para um vereador deixar de votar de acordo com suas convicções e votasse conforme o interesse da administração municipal. Acho que cada um tem que tomar a sua decisão.

 

OP: Uma das coisas que muito se ouviu falar nos dias que antecederam a eleição da Câmara foi vereador pregando a independência do Poder Legislativo com o Poder Executivo. Existe hoje independência entre os poderes?

MR: O voto é do vereador. O vereador que na hora de votar decide seu voto. Sempre existiu independência entre os poderes Judiciário, Executivo e Legislativo. As decisões são tomadas aqui, o prefeito toma as decisões que tem que tomar, ouve as pessoas que tem que ouvir, e lá os vereadores tomam as decisões que têm que tomar e ouvem as pessoas que acham que devem ouvir.

 

OP: O vereador Valdir Port (Portinho, PTB) declarou ao Jornal O Presente que havia um acordo no grupo de situação, o qual foi rompido. O senhor concorda?

MR: Concordo. Os nove vereadores que faziam parte do nosso grupo pediram para que o prefeito conversasse com todos os vereadores para escolher a melhor forma de definir o nosso candidato. Eu fiz. Decidimos que aquele que conseguisse o maior número de votos dentre os nove seria o nosso candidato. Isso eu conduzi até o último momento. Quando se dá a palavra acho que tem cumpri-la até o final, até o último momento.

 

OP: O senhor acha que houve traição quando a oposição foi procurada em busca de votos?

MR: Acho que houve traição, mas isso não tem nada a ver com a oposição. Tínhamos nove vereadores e conversamos entre os nove. Então a traição não tem nada a ver com a oposição.

 

OP: O senhor considera que foi uma derrota para o governo esse resultado da eleição da mesa diretiva e das comissões permanentes?

MR: Derrota ou vitória o tempo vai mostrar. Os projetos no Legislativo têm os seus trâmites e os trâmites serão seguidos como sempre foram ao longo da história. Então não vejo derrota ou vitória. Acho que os vereadores buscam espaço e cada um escolhe uma maneira de conquistar o seu, e assim foi feito na eleição da presidência da Câmara.

 

OP: Como o senhor enxerga hoje o presidente eleito Claudio Köhler (Claudinho, PP), que até então era considerado parceiro do governo municipal? O senhor o considera oposição ou situação?

MR: Oposição.

 

OP: O senhor pretende dialogar com ele e manter uma boa relação?

MR: Acho que toda relação tem que passar pelo diálogo. O vereador Claudinho disse isso em entrevista ao O Presente, em uma pergunta que foi feita, que as coisas têm que ser conduzidas com diálogo. Na pergunta seguinte foi questionado se ele já havia conversado com o prefeito, e ele respondeu que não, então vamos ver se na prática ele terá diálogo ou não. Acho que sempre deve haver diálogo entre os poderes. E sempre que houver necessidade vou dialogar, como sempre o fiz.

 

OP: Como o senhor se posiciona em relação aos três vereadores do Democratas – Adriano Backes, Adelar Neumann e Cleiton Freitag (Gordinho do Suco) – que votaram no Claudinho?

MR: Eles fizeram uma escolha como todos os outros. Os 13 vereadores, cada um, fizeram a sua escolha. Eles fizeram as escolhas deles.

 

OP: Hoje o senhor considera que a base do governo na Câmara conta com quantos vereadores?

MR: Cinco vereadores.

 

OP: O senhor acha que pode haver alguma dificuldade na tramitação de projetos na Câmara?

MR: O regimento da Câmara prevê prazos de tramitação e os prazos precisam ser cumpridos. Obviamente que se a tramitação demora, por um motivo ou outro, quem paga é a sociedade. Se houver necessidade de uma tramitação em regime de urgência, encaminhamos o projeto com pedido de urgência, mas as comissões têm os prazos mesmo nos procedimentos de urgência pelos quais podem exarar os pareceres. Então isso quem vai dizer é o tempo e a própria Câmara. Eu nunca fui lá forçar ninguém a tramitar um projeto de forma inadequada. Portanto, é a Câmara quem vai dizer, e não o prefeito.

 

OP: Como o senhor analisa o fato de que há dois anos o grupo de situação tinha oito vereadores eleitos, sendo que posteriormente a base passou a contar com nove, e hoje tem cinco?

MR: São decisões, são escolhas. Os vereadores escolhem o caminho que querem seguir e precisamos respeitar.

 

OP: O senhor acha que em algum momento faltou articulação política? Houve algum erro na condução política?

MR: Pode ser que tenha tido. Obviamente que todo grupo político comete erros. Talvez a gente tenha cometido erros. Só não sei quem os cometeu, e essa leitura não tem que ser feita agora. O tempo vai mostrar quem está certo e quem está errado.

 

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