Em uma economia competitiva e globalizada, o número de micro e pequenas empresas vem crescendo de uma forma significativa no Brasil, tendo como consequência o fortalecimento do desempenho econômico.
Entretanto, como o ambiente competitivo é hostil e inseguro, a busca por orientação e apoio a empreendimentos também tem se tornado uma necessidade constante nos dias atuais. Na busca por fomento, empreendedores optam pela incubação, que tem como missão abrigar estas empresas, oferecendo uma estrutura configurada para estimular, agilizar e favorecer a transferência de resultados de pesquisa para atividades produtivas.
Dessa forma, a partir de ideias inovadoras, muitos empreendedores podem fazer o seu modelo de negócio se tornar realidade. Este é o caso do projeto Notterbill, desenvolvido por três rondonenses e que foi aprovado em 1º lugar pela banca de avaliação da Incubadora Santos Dumont, do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), com sede em Marechal Cândido Rondon. Agora, a empresa que antes estava somente no papel, começa a tomar forma, e o município passa a contar com um segmento empresarial inovador.
O projeto consiste em aquecedores elétricos e fotovoltaicos para aviários, com uma circulação de calor e eficiência maior, tendo como projeção futura a automação completa através de aparelhos celulares. A criação do produto foi feita em conjunto pelos empreendedores Luiz César Billi, Valdemar Notter e Eliane Márcia Notter.
De acordo com Luiz, responsável pelo desenvolvimento inicial do projeto, a ideia surgiu da necessidade de criar um produto inovador, que trouxesse economia, conforto e menos mão de obra para o avicultor. “Eu trabalhei 12 anos em empresas que desempenham serviços na área da avicultura e, por isso, tenho conhecimento de todos os produtos que existem hoje no mercado e vejo que são todos iguais, apenas modelos diferentes”, comenta.
Ele diz que ter um aviário exige muito do produtor, tanto que por isso muitos contratam mão de obra para a execução dos serviços. “A carga horária é pesada, pois necessita de atenção dia e noite, sem intervalos, então em tudo o que o avicultor puder diminuir em termos de despesas, mão de obra e esgotamento físico, ele vai fazer”, afirma.
O rondonense comenta que na região é difícil encontrar um avicultor que tenha apenas um aviário, normalmente é dois ou até mesmo três, aumentando ainda mais o trabalho de abastecimento dos aquecedores e, por consequência, os gastos. “Normalmente são funcionários que fazem esse serviço e hoje ninguém mais quer fazer porque sabe que é algo exaustivo. Por isso, é necessário ter um produto mais avançado, dentro de um custo que não fuja do que existe hoje no mercado”, acrescenta Valdemar, lembrando que a palavra-chave hoje é economia. “E é isso que nosso produto oferece”, assegura.
Diferencial
Para os empreendedores, o diferencial do produto desenvolvido por eles começa pela preocupação com o meio ambiente. “É um produto ecologicamente correto, que não tem a queima da lenha, por exemplo, é autossustentável, se for alimentado com energia fotovoltaica, e não precisa de manutenção constante como os demais”, enaltecem.
“O aquecedor a lenha é abastecido a cada duas ou três horas, e mesmo a matéria-prima sendo de fácil acesso na nossa região, é preciso lembrar da sujeira e poluição que pode gerar. O aquecedor a gás, por sua vez, apesar de automático, tem um custo muito elevado”, comentam os rondonenses.
Além disso, eles ressaltam que a vantagem do produto é que ele é uma junção das necessidades de diferentes avicultores. “Esse nosso aquecedor tem o papel de pré-aquecimento e aquecimento ao mesmo tempo, e todas as ideias são deles (avicultores), que vivem isso diariamente. São eles que precisam e nós estamos fabricando pensando nesses produtores”, enfatizam.
Aceitação de mercado
Conforme Valdemar, até o dia 15 de dezembro a Notterbill vai estar montada e em meados de janeiro será iniciada a fabricação dos produtos. “O produto ainda não está no mercado, mas se hoje tivéssemos disponível dez deles, por exemplo, estaríamos com todos eles instalados. Tem avicultor esperando para que assim que ele tirar o lote de frangos nós façamos a instalação do aquecedor”, garante.
Ele menciona que o produto da Notterbill vai bater de frente com os que estão no mercado, devido ao fato do custo ser praticamente igual. “Nossa expectativa é a melhor possível. Estamos começando um novo empreendimento com o apoio do PTI e o nosso protótipo está praticamente concluído”, revela.
Os empreendedores contam que estão há um ano trabalhando no desenvolvimento do protótipo, mas que foi há seis meses que resolveram efetivamente colocar a ideia no papel. “Se tivéssemos lançado antes talvez não teria dado certo. Hoje temos toda a orientação do PTI, e isso faz toda a diferença”, salientam.
Conhecimento
Os rondonenses trabalham há um ano e meio com a manutenção de aquecedores de aviários. Antes, no entanto, eles atuavam na área de metalúrgica. Sendo assim, tanto Luiz quanto Valdemar concordam que o fato de já estabelecerem contato com a área foi fator primordial para o desenvolvimento do projeto. “Nós começamos a suprir uma necessidade e conquistar clientes, através do conhecimento que trazemos da área, por conhecer as pessoas certas e a falta existente de quem faça a manutenção desses produtos, que hoje é feita por técnicos de Medianeira, Matelândia e Céu Azul”, argumentam.
Em razão dessa relação de confiança estabelecida com os avicultores, eles afirmam que vão continuar com o trabalho de manutenção de aquecedores, paralelo ao novo empreendimento. “Vamos dar continuidade enquanto conseguirmos conciliar. A partir do momento que isso não for possível, vamos nos dedicar exclusivamente à Notterbill”, informam.
A decisão é baseada no trabalho paralelo realizado pelos rondonenses. “Além dos aviários novos que estão surgindo, temos a manutenção daqueles já existentes, e eles necessitam de manutenção, dentro de quatro ou cinco anos, e isso é o que ainda estamos fazendo. Então, além da manutenção, também estamos, aos poucos, começando a implantar o nosso produto, que não tem esse custo de manutenção. Isto é, o aquecedor tem estabilidade e uma vida útil mais longa do que aqueles já existentes no mercado”, destaca Valdemar.
Pontapé inicial
Instalada há dois em Marechal Cândido Rondon, a primeira filial da Incubadora Santos Dumont ainda é desconhecida por muitos pessoas que sonham empreender, mas não sabem por onde começar. O caso de Luiz, Valdemar e Eliane não foi diferente. Valdemar conta que em julho deste ano procurou a Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo do município e recebeu a indicação para se inscrever no edital do PTI. Com a inscrição realizada, a confiança em tirar o projeto do papel e colocá-lo em execução começou a ficar mais forte. “Sempre estivemos focados. Caso não passássemos pela banca do PTI, iríamos dar continuidade, mas poderia acontecer do produto demorar um pouco mais para entrar no mercado. O que não esperávamos é que fossemos evoluir em tão pouco tempo, para chegar ao ponto em que chegamos hoje, agregando tanto valor ao nosso produto”, expõem os rondonenses.
Eles avaliam que a região é farta quando o assunto são boas ideias para empreender. “O que falta é conhecer o PTI, pois tem muitas pessoas com ideias excelentes, mas que não conseguem colocar no mercado. Mesmo os projetos que ficaram em 2º e 3º lugar na banca, além dos reservas, são muito bons e de alto nível”, consideram.
Fomento à inovação
Como medida de fortalecimento e de difusão do empreendedorismo, as incubadoras de empresas desempenham um papel fundamental, tanto na redução de mortalidade de micro e pequenas empresas, como na promoção do empreendedorismo na comunidade. O movimento de incubação se tornou algo primordial no fomento de inovação empreendedora.
A partir disso, as incubadoras de empresas podem ser entendidas como um mecanismo que estimula a criação de empreendimentos, ajudando o empreendedor, tanto no desenvolvimento do negócio, quanto no processo de criação e produção de um novo produto. “Uma incubadora de empresas tem a mesma finalidade que uma maternidade, ela cria um ambiente de proteção para o negócio nos primeiros anos de existência e, assim, garante a inserção do empreendimento no mercado competitivo de forma gradual e planejada. Pode-se dizer que o papel da incubadora de empresas é manter viva e incentivar o crescimento da empresa em formação”, explica o analista de negócio Geovane Luís Fincke, responsável técnico da filial da Incubadora Santos Dumont em Marechal Rondon.
As vantagens, de acordo com ele, são a captação de recursos, acesso ao mercado, apoio no desenvolvimento de novas tecnologias, consultorias e capacitações. “A vinda da filial para Marechal Rondon é positiva e anima o setor, pois atualmente estamos com seis empresas incubadas, gerando mais de 20 postos de trabalho”, revela Fincke.
Conforme o analista, os projetos de Marechal Rondon são muito bem reconhecidos. “Eles (projetos) sempre têm um índice de conversão melhor do que nossas outras duas unidades devido à maturidade dos empreendedores”, salienta.
Fincke também revela que as instalações próprias da unidade do PTI no município estão sendo finalizadas e que a inauguração deve ocorrer até a metade do mês de fevereiro de 2019. “Em até três semanas estaremos finalizando o piso novo e a fachada também será instalada até fim de dezembro”, comenta.
Novos projetos
O projeto aprovado na banca do PTI em 2º lugar foi a Essence Vert, indústria de óleos, essências e aromatizantes e cosméticos, sendo que 97% são importados de fora do país. O 3º lugar ficou com a I. Enge, empresa de solução de impermeabilização de edificações, que prestará a consultoria total da empresa desde a análise do problema até a efetivação da solução. As duas empresas são de Toledo e irão se instalar em Marechal Rondon.
Além destes, foram selecionadas, em 4º e 5º lugar, as propostas dos projetos de recuperação de nascentes e da fábrica de chocolates sem lactose. “Eles estão no cadastro reserva e com o decorrer do processo podem ser convidados para a incubação”, diz Fincke.
As duas empresas são locais e, conforme o analista, após uma análise interna foi verificada a demanda dos projetos junto a uma pesquisa de mercado. “Nós, do PTI, vamos fazer uma análise mercadológica, combinando com a entrega das empresas que já estão incubadas, pois temos metas para aquelas que entraram agora e estas devem ser cumpridas, caso contrário eliminamos, ou seja, substituímos”, comenta.
Agora, a próxima etapa será a formalização dos projetos como empresas e incubados. A assinatura dos contratos está prevista para janeiro de 2019. “Já demos sequência essa semana planejando os próximos passa para cada projeto”, finaliza Fincke.
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