Em qualquer lugar e nos mínimos detalhes, a poesia está sempre presente para quem está disposto a enxergá-la. Pioneira rondonense, pesquisadora e, sobretudo, poeta, Udilma Lins Weirich inspirou-se em Marechal Cândido Rondon e produziu uma coletânea de poesias sobre o município.
Por ocasião da passagem do 62° aniversário da cidade – comemorado na segunda-feira, dia 25 de julho -, ela compartilhou com a reportagem de O Presente algumas de suas poesias (confira ao final da matéria). “Sempre gostei de escrever poesias. Como pesquisadora da história de Marechal Rondon, percebi um ‘mote’ inspirador pelos fatos romanceados contados pelos pioneiros que fomentaram minhas pesquisas”, declara.
A inspiração baseada em Marechal Rondon deve se transformar em um livro. “Esse viés (dos pioneiros por ela entrevistados) forneceu inspiração para dar um novo foco aos fatos históricos, que serão publicados com fotos da época ilustrando os 70 poemas da obra”, menciona, parabenizando os rondonenses pelo aniversário do município: “Meus versos são uma forma de homenagem a todos”.
Nascida em Borrazópolis, Udilma se considera rondonense de coração. “Cheguei a Marechal Rondon, na localidade de Novo Horizonte, aos nove meses de idade, permanecendo lá até os 17 anos. Depois mudamos para a sede rondonense, onde resido até os dias atuais. Sou pioneira e acompanhei o desenvolvimento da cidade”, assegura.
A trajetória literária da rondonense começou cedo, aos sete anos de idade. “Comecei declamando poesias na escola e, posteriormente, fiz acrósticos, sonetos, poesias e trovas”, ressalta.
A autora
Udilma Lins Weirich é membro fundadora da Academia de Letras do Oeste do Paraná (Alop), na qual ocupa a cadeira 28. “Nós, da Alop, temos uma coletânea em forma de um memorial histórico dos membros, intitulado ‘Da Memória à História’”, comenta.
Recentemente, Udilma esteve na Bienal Internacional do Livro em São Paulo por ocasião do lançamento do livro “Uma poesia para cada noite”, do qual é coautora. Produzida pela Lura Editorial, a coletânea de poesias reúne poetas de todo o Brasil. Clique aqui e confira “Noite traiçoeira”, poesia publicada pela rondonense.
Confira os poemas de Udilma inspirados em Marechal Rondon:
Versos da história
Poetizar a história Parece muita ousadia Pois, quem enfrentou mata virgem Não viu nada de poesia. Os bravos sulistas desbravadores Apostaram neste chão, Com machado e serrote em punho Fundaram General Rondon. Na fronteira já havia base De extrativistas estrangeiros, As riquezas naturais Já não eram brasileiras. Foi Getúlio, que em alerta Para abrasileirar a fronteira Contratou a Maripá Colonizadora e madeireira. No meio da mata fechada Seguindo as picadas de Rondon, Formaram uma linha mestra Pra nova civilização. A terra plana e fértil Poetizam a história De uma cidade germânica
Povoar
Um retângulo era a gleba Chamada fazenda britânica A Maripá planejou Para a mata virar colônia. Convidados para contribuir Com a nova colonização, Gaúchos e catarinenses Mudaram-se para General Rondon. Em cada canto da gleba Tinha um núcleo de morador Era preciso um começo Para um grande empreendedor. Algumas vilas existiam Porto Mendes, Margarida, Outras se formariam Novos sonhos nova vida. Mercedes nova e velha Quatro Pontes e São Roque, Pato Bragado e Entre Rios Formaram-se vilas fortes. Em outros pontos da mata virgem As árvores foram ao chão, Três Passos e Iguiporã Novos núcleos de Rondon.
Acróstico dos desbravadores
Ação destemida Numa terra distante, Tombou a primeira árvore Onde nada havia dantes. Naquele dia 7 de março, Iniciou a colonização Ontem mata fechada, agora Rondon! Era um momento histórico, Realizado por três homens, Idealizadores de um novo horizonte Com destreza e animação, Honestidade e determinação. O local demarcado Sérvio para o núcleo do local, Várias batidas de machado, Árvores frondosas a tombar. Levaram dias na derrubada Deu-se enfim o marco inicial. Osvaldo, Antonio e Erich, Personagens principais.
Primeira família
Um sonho de amor Vivido em novas terras Dificuldades sacrifícios A união tudo supera. Trouxe meu filho pequeno Sofreu muito com os mosquitos, Meus sonhos foram nublados Nesse torrão bendito. Ao nascer minhas crianças Novo animo nesse chão, Pois enquanto há nascimentos Teremos evolução. Mas a morte traiçoeira Levou meu pequeninho, Muito frágil e doente Foi morar com os anjinhos. As dificuldades passadas Compuseram a história, Dos primeiros desbravadores Que superaram as inglórias. Hoje após muitos anos Há apenas o registro, Da primeira família Beno, Ilo e Alice.
Denominação
De Toledo começou Nossa colonização A vila virou distrito Denominada General Rondon. Na história da cidade Também tem outros registros, Uns diziam Vila Flórida, E outros zona bonita. Os líderes do lugar Fizeram a definição, Em homenagem ao militar Oficializaram General Rondon. Depois da emancipação O general foi graduado, E a pujante General De Marechal foi chamada.
Vielas
A picada virou avenida Dois ramos principais, Em homenagem aos colonizadores Rio Grande do Sul e Maripá. Mas para o desenvolvimento Outros ramos se formaram, E os estados brasileiros As ruas denominaram. De leste para oeste Também vimos expandir E os feitos brasileiros Como ruas foi surgir. A vila virou cidade Com boa organização, Homenageando personagens E o grande Cândido Rondon.
Comunicação
O silêncio fixava a marca De uma vila sossegada, Ouviam o som da serra E o repicar do machado. Mugido de boi ao longe E o relinchar do cavalo, Chilrear dos passarinhos No poleiro cantava o galo. As casas meio distante Alguns assuntos corriam, Para anunciar os eventos O alto falante servia. O povo acostumava Saber do noticiário, Nascimento casamentos De tudo se anunciava. E assim por muito tempo Partilhavam diversão, Até que Arlindo Lamb Trouxe a rádio pra Rondon.
Primeira exposição
Foi nos idos de 58 Que a ideia surgiu Vamos fazer uma festa! Comissão organizada A banda foi contratar, Cortar lenha para barracas Com jeito para aproveitar. Outros foram mais além, Buscar animais para expor, Grandes peixes vêm do rio Bichos do mato também. Convites para o governo Visitar a região, E a festa de uma semana Mobilizou General Rondon. Choveu muito nessa festa E a terra inundou. Todos viram o progresso E Rondon se emancipou.
Perfil
De 50 pra 60 Começou a derrubar A mata fechada e densa Para a vila formar. Nessa década muito trabalho Dificuldades sem par, Chegaram algumas famílias Começaram trabalhar. De 60 pra 70 Evolução sem igual, A comunidade formada Buscou se emancipar. Foram tempos de progresso Suinocultura a prosperar, A cidade só crescendo Começou mecanizar. Esse processo demonstrou Uma nova riqueza no lugar, Celeiro de produção de grão O presidente veio olhar. Mas nem tudo foram flores A natureza endureceu, E riqueza agrícola Com a seca esmoreceu. Foi preciso muito tino Para mudar a situação, Buscar a indústria e fomentar A riqueza de Rondon. A união faz a força Era o lema do lugar, Cooperativas e agroindústrias Começaram prosperar. De 80 a 90 A cidade transformou Novo ciclo se formava A economia modernizou. De 90 em diante Rumo ao ano 2000, a cidade representa A agricultura no Brasil. Enfim um novo milênio Com muita história pra contar, A população trabalhadora Tem orgulho do lugar. O Presente