O Presente
Marechal

Inspirada em Marechal Rondon, Udilma Weirich produz coletânea de poesias; confira

Município serviu de inspiração para produção poética da rondonense, que mora aqui desde os nove meses


calendar_month 23 de julho de 2022
6 min de leitura

Em qualquer lugar e nos mínimos detalhes, a poesia está sempre presente para quem está disposto a enxergá-la. Pioneira rondonense, pesquisadora e, sobretudo, poeta, Udilma Lins Weirich inspirou-se em Marechal Cândido Rondon e produziu uma coletânea de poesias sobre o município.

Por ocasião da passagem do 62° aniversário da cidade – comemorado na segunda-feira, dia 25 de julho -, ela compartilhou com a reportagem de O Presente algumas de suas poesias (confira ao final da matéria). “Sempre gostei de escrever poesias. Como pesquisadora da história de Marechal Rondon, percebi um ‘mote’ inspirador pelos fatos romanceados contados pelos pioneiros que fomentaram minhas pesquisas”, declara.

A inspiração baseada em Marechal Rondon deve se transformar em um livro. “Esse viés (dos pioneiros por ela entrevistados) forneceu inspiração para dar um novo foco aos fatos históricos, que serão publicados com fotos da época ilustrando os 70 poemas da obra”, menciona, parabenizando os rondonenses pelo aniversário do município: “Meus versos são uma forma de homenagem a todos”.

Nascida em Borrazópolis, Udilma se considera rondonense de coração. “Cheguei a Marechal Rondon, na localidade de Novo Horizonte, aos nove meses de idade, permanecendo lá até os 17 anos. Depois mudamos para a sede rondonense, onde resido até os dias atuais. Sou pioneira e acompanhei o desenvolvimento da cidade”, assegura.

A trajetória literária da rondonense começou cedo, aos sete anos de idade. “Comecei declamando poesias na escola e, posteriormente, fiz acrósticos, sonetos, poesias e trovas”, ressalta.

A autora

Udilma Lins Weirich é membro fundadora da Academia de Letras do Oeste do Paraná (Alop), na qual ocupa a cadeira 28. “Nós, da Alop, temos uma coletânea em forma de um memorial histórico dos membros, intitulado ‘Da Memória à História’”, comenta.

Recentemente, Udilma esteve na Bienal Internacional do Livro em São Paulo por ocasião do lançamento do livro “Uma poesia para cada noite”, do qual é coautora. Produzida pela Lura Editorial, a coletânea de poesias reúne poetas de todo o Brasil. Clique aqui e confira “Noite traiçoeira”, poesia publicada pela rondonense.

Confira os poemas de Udilma inspirados em Marechal Rondon:

Versos da história

Poetizar a história 
Parece muita ousadia 
Pois, quem enfrentou mata virgem 
Não viu nada de poesia. 

Os bravos sulistas desbravadores 
Apostaram neste chão, 
Com machado e serrote em punho 
Fundaram General Rondon. 

Na fronteira já havia base 
De extrativistas estrangeiros, 
As riquezas naturais 
Já não eram brasileiras. 

Foi Getúlio, que em alerta 
Para abrasileirar a fronteira 
Contratou a Maripá 
Colonizadora e madeireira. 

No meio da mata fechada 
Seguindo as picadas de Rondon, 
Formaram uma linha mestra 
Pra nova civilização. 

A terra plana e fértil 
Poetizam a história 
De uma cidade germânica 

Povoar

Um retângulo era a gleba 
Chamada fazenda britânica 
A Maripá planejou 
Para a mata virar colônia. 

Convidados para contribuir 
Com a nova colonização, 
Gaúchos e catarinenses 
Mudaram-se para General Rondon. 

Em cada canto da gleba 
Tinha um núcleo de morador 
Era preciso um começo 
Para um grande empreendedor. 

Algumas vilas existiam 
Porto Mendes, Margarida, 
Outras se formariam 
Novos sonhos nova vida. 

Mercedes nova e velha 
Quatro Pontes e São Roque, 
Pato Bragado e Entre Rios 
Formaram-se vilas fortes. 

Em outros pontos da mata virgem 
As árvores foram ao chão, 
Três Passos e Iguiporã 
Novos núcleos de Rondon. 

Acróstico dos desbravadores

Ação destemida 
Numa terra distante, 
Tombou a primeira árvore 
Onde nada havia dantes. 
Naquele dia 7 de março, 
Iniciou a colonização 
Ontem mata fechada, agora Rondon! 

Era um momento histórico, 
Realizado por três homens, 
Idealizadores de um novo horizonte 
Com destreza e animação, 
Honestidade e determinação. 

O local demarcado 
Sérvio para o núcleo do local, 
Várias batidas de machado, 
Árvores frondosas a tombar. 
Levaram dias na derrubada 
Deu-se enfim o marco inicial. 
Osvaldo, Antonio e Erich,

Personagens principais. 

Primeira família

Um sonho de amor
Vivido em novas terras
Dificuldades sacrifícios
A união tudo supera.

Trouxe meu filho pequeno
Sofreu muito com os mosquitos,
Meus sonhos foram nublados
Nesse torrão bendito.

Ao nascer minhas crianças
Novo animo nesse chão,
Pois enquanto há nascimentos
Teremos evolução.

Mas a morte traiçoeira
Levou meu pequeninho,
Muito frágil e doente
Foi morar com os anjinhos.

As dificuldades passadas
Compuseram a história,
Dos primeiros desbravadores
Que superaram as inglórias.

Hoje após muitos anos
Há apenas o registro,
Da primeira família
Beno, Ilo e Alice.

Denominação

De Toledo começou
Nossa colonização
A vila virou distrito
Denominada General Rondon.

Na história da cidade
Também tem outros registros,
Uns diziam Vila Flórida,
E outros zona bonita.

Os líderes do lugar
Fizeram a definição,
Em homenagem ao militar
Oficializaram General Rondon.

Depois da emancipação
O general foi graduado,
E a pujante General
De Marechal foi chamada.

Vielas

A picada virou avenida 
Dois ramos principais, 
Em homenagem aos colonizadores 
Rio Grande do Sul e Maripá. 

Mas para o desenvolvimento 
Outros ramos se formaram, 
E os estados brasileiros 
As ruas denominaram.
 
De leste para oeste 
Também vimos expandir 
E os feitos brasileiros 
Como ruas foi surgir.
 
A vila virou cidade 
Com boa organização, 
Homenageando  personagens
E o grande Cândido Rondon. 

Comunicação

O silêncio fixava a marca
De uma vila sossegada,
Ouviam o som da serra
E o repicar do machado.

Mugido de boi ao longe
E o relinchar do cavalo,
Chilrear dos passarinhos
No poleiro cantava o galo.

As casas meio distante
Alguns assuntos corriam,
Para anunciar os eventos
O alto falante servia.

O povo acostumava
Saber do noticiário,
Nascimento casamentos
De tudo se anunciava.

E assim por muito tempo
Partilhavam diversão,
Até que Arlindo Lamb
Trouxe a rádio pra Rondon.

Primeira exposição

Foi nos idos de 58
Que a ideia surgiu
Vamos fazer uma festa!

Comissão organizada
A banda foi contratar,
Cortar lenha para barracas
Com jeito para aproveitar.

Outros foram mais além,
Buscar animais para expor,
Grandes peixes vêm do rio
Bichos do mato também.

Convites para o governo
Visitar a região,
E a festa de uma semana
Mobilizou General Rondon.

Choveu muito nessa festa
E a terra inundou.
Todos viram o progresso
E Rondon se emancipou. 

Perfil

De 50 pra 60
Começou a derrubar
A mata fechada e densa
Para a vila formar.
Nessa década muito trabalho
Dificuldades sem par,
Chegaram algumas famílias
Começaram trabalhar.

De 60 pra 70
Evolução sem igual,
A comunidade formada
Buscou se emancipar.
Foram tempos de progresso
Suinocultura a prosperar,
A cidade só crescendo
Começou mecanizar.

Esse processo demonstrou
Uma nova riqueza no lugar,
Celeiro de produção de grão
O presidente veio olhar.

Mas nem tudo foram flores
A natureza endureceu,
E riqueza agrícola
Com a seca esmoreceu.

Foi preciso muito tino
Para mudar a situação,
Buscar a indústria e fomentar
A riqueza de Rondon.

A união faz a força
Era o lema do lugar,
Cooperativas e agroindústrias
Começaram prosperar.

De 80 a 90
A cidade transformou
Novo ciclo se formava
A economia modernizou.

De 90 em diante
Rumo ao ano 2000,
a cidade  representa
A agricultura no Brasil.

Enfim um novo milênio
Com muita história pra contar,
A população trabalhadora
Tem orgulho do lugar.

O Presente

Clique aqui e participe do nosso grupo no WhatsApp

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.