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Marechal

Kombucha se populariza e conquista paladares em Marechal Rondon e região

calendar_month 2 de julho de 2021
8 min de leitura

Ver as borbulhas de gás no copo e se deliciar com o sabor diferenciado, além de aproveitar os inúmeros benefícios propiciados pela bebida. É dessa maneira que a kombucha vem ganhando cada vez mais notoriedade e conquistando paladares, seja daqueles que consomem ou daqueles que se aventuram em sua produção.

A kombucha tem origem oriental e frequentemente é definida como um chá gaseificado e, dentre as muitas qualidades, sua ação probiótica é o que mais atrai seus consumidores. Na microrregião de Marechal Cândido Rondon, de boca em boca a kombucha vai se popularizando e cada vez mais pessoas cultivam os famosos “scoobys”, bolachas ou mudas, como são chamados os protagonistas da produção “kombucheira”.


Rondonense Leonardo Ferrari, de 20 anos, iniciou a fabricação de kombucha caseira neste ano: “Pretendemos chegar a 100 garrafas, sendo 150 litros de kombucha” (Foto: O Presente)

 

EMPREENDIMENTO

O que começou com uma apreciação despretensiosa de kombucha por parte da família Ferrari, logo passou a ocupar os dias do filho Leonardo, rondonense de 20 anos, que transformou a bebida artesanal em um empreendimento de sucesso. “Nós consumíamos diariamente e a pessoa de quem comprávamos não tinha disponível todos os dias. Em março, começo da pandemia, fomos atrás do scooby e tentamos produzir. Não deu certo e desistimos da kombucha. No início deste ano decidimos tentar novamente e tudo foi diferente. Começamos com poucas garrafas e apenas um pote, mas funcionou”, enaltece.

Com a produção “nos eixos”, Ferrari passou a comercializar a kombucha excedente, aquilo que a família não consumia, mas as vendas foram aumentando. Hoje, o jovem trabalha fora meio período e assumiu a produção, que ocupa suas manhãs inteiras e noites, por vezes. “Nessa semana fiz cerca de 40 garrafas de kombucha já saborizada e tenho 133 litros fermentando nos baldes”, mensura.

 

FERMENTAÇÕES E RISCO DE EXPLOSÃO

Mas, afinal, como é feita a kombucha, com bolhas de gás que lembram refrigerante, mas totalmente saudável?

A bebida é feita a partir da fermentação da Camellia sinensis, chá preto ou verde com adição de açúcar, junto com o scooby, uma colônia simbiótica de bactérias e leveduras. “O processo de fermentação converte o açúcar em etanol, o etanol em ácido acético e deixa a bebida ácida. É preciso experimentar e ver se o gosto é avinagrado, não mais doce. Neste primeiro momento, a bebida tem o ph variando de dois a quatro”, expõe Ferrari, pontuando que, em dias frios, o primeiro passo leva de dez a 12 dias, enquanto em dias quentes apenas de cinco a oito dias.

Da primeira etapa, salienta o rondonense, é preciso reservar cerca de 10% para servir como chá de arranque para os scoobys começarem a nova fermentação. Posteriormente, acontece outra fermentação sem o scooby, em que a bebida é saborizada, mas esta fase é opcional, comenta o produtor, visto que há quem consuma a kombucha pura. “O líquido e os condimentos são lacrados para acontecer o processo anaeróbico, ou seja, a produção de gás carbônico, o que gaseifica a bebida”, detalha.

Nesta fase, segundo ele, a saborização leva de três dias em temperaturas agradáveis e até cinco dias com temperaturas menores. “É preciso sentir a garrafa, ela estufa com o gás”, pontua.

Conforme indicam muitos relatos da internet, a família Ferrari vivenciou uma experiência das comentadas “explosões” de kombucha, em decorrência dos muitos dias de gás acumulado na garrafa. “Ouvimos uma explosão e vimos algo escorrer do armário. Fez uma sujeira. Tínhamos esquecido muitos dias e ainda fazíamos no vidro: não deu outra, explodiu”, relembra o jovem, bem-humorado. Mas o episódio não desanimou os rondonenses.

 

SABOR AVINAGRADO

Junto com o avinagrado da kombucha, Ferrari aposta nas combinações de casca de laranja e gengibre, maçã e canela, cravo e hibisco, limão, gengibre e açafrão, uva e limão. “Acrescento 100 ml de algum suco integral, maçã ou uva, a cada garrafa de 1,5 litro. Devido à combinação de especiarias e à possibilidade de conter álcool, ainda que pouco, de 0,1 a 1%, gestantes devem tomar cuidado ao consumir”, alerta.

Assim como outros alimentos, pode acontecer de a kombucha não conquistar o paladar de quem experimenta em uma primeira experiência. “Por ter um fundo avinagrado, pode haver certa rejeição, mas você se acostuma e pode até substituir sucos e refrigerante”, ressalta.

O custo médio da kombucha na região varia entre R$ 15 a cada 1,5 litro e R$ 7 por 500 ml.

Com sabor avinagrado, kombucha nem sempre conquista o paladar em uma primeira experiência, mas, garantem os consumidores e produtores, é saudável e saborosa (Foto: O Presente)

 

BENEFÍCIOS DA KOMBUCHA

Por meio da substituição de bebidas industriais gaseificadas, a kombucha pode auxiliar no emagrecimento, visto que é pouco calórica e dá saciedade. “Muitas pessoas com problemas intestinais nos procuram, seja por intestino solto ou preso. Cada um tem uma microbiota intestinal diferente e, com isso, a kombucha age de modo particular em cada indivíduo, regulando o funcionamento intestinal. Como muitas doenças têm origem no intestino, com a saúde intestinal em dia evita-se problemas como a depressão, alergia, obesidade e diabetes”, pontua, emendando que estudos mostram a diminuição dos efeitos colaterais da quimioterapia, asma e artrite, de acordo com Ferrari.

 

MULTIPLICAÇÃO DE SCOOBYS

A cada fermentação o scooby se multiplica, fator que tem impulsionado a produção de kombucha de Ferrari. “É bom ver a produção aumentando. O processo leva certo tempo e não é difícil, ainda que um pouco trabalhoso”, avalia.

Ele diz que a demanda tem crescido junto com a venda. “A meta era produzir 50 garrafas, cerca de 75 litros, e estamos perto disso. Pretendemos chegar a 100 garrafas, sendo 150 litros de kombucha”, menciona.

Por enquanto, o rondonense afirma que os scoobys servirão para aumentar a produção, mas, futuramente, a ideia é que eles também sejam comercializados.

A produção artesanal de Ferrari foi nomeada como Vilaté e o empreendimento visa difundir o consumo de kombuchas. “Fazer com que as pessoas conheçam e experimentem, porque a saúde melhora muito com o consumo”, considera.

 

Scooby, popularmente conhecido como “bolachas”, são colônias simbióticas de bactérias e leveduras que dão origem a kombucha (Foto: O Presente)

 

KOMBUCHEIRA DE CARTEIRINHA, QUATRO-PONTENSE É TESTEMUNHA DOS BENEFÍCIOS DA BEBIDA

Em Quatro Pontes, as kombuchas mais conhecidas são de Cleide Mombach, que produz a bebida há quatro anos e é prova viva dos seus benefícios. “Não há nada provado 100% dos benefícios, mas a propaganda boca a boca é a que vale. Eu comecei a tomar por ter um problema estomacal grave. Estava tratando há anos e nunca melhorava. Tomei kombuchas industrializadas no começo e depois consegui uma cultura. Hoje sou adepta, meu problema melhorou, tenho mais energia, controlei gastrites e crises de enxaqueca. É como um bem-estar total”, enfatiza ao O Presente.

Kombucheira de carteirinha, a quatro-pontense começou fazendo a bebida para consumo e hoje comercializa. “Tenho uma boa clientela. Minha produção é semanal no verão, porém no inverno, com pouco calor, varia de 15 a 20 dias. Tenho controle da acidez e ph, aguardo o tempo que as meninas (kombuchas) precisam levar para chegar ao paladar”, comenta.

 

CULTURA VIVA

A produção, caracteriza ela, é lenta e necessita de um olhar paciente. “Precisa ter muita higiene a entender um pouco de química, além de ter carinho, por ser uma cultura viva”, destaca.
Cleide conta que há quem misture a kombucha com bebidas alcoólicas, mas ela produz apenas com frutas. A vantagem da produção caseira vai além do sabor e paira nas variações possíveis, salienta. “Podemos preparar uma bebida mais ou menos ácida, conforme o gosto. Não produzir em escala deixa mais custoso, mas o sabor é diferente”, enaltece.

Quatro-pontense Cleide Mombach é kombucheira de carteirinha e hoje sua produção atende apreciadores do município (Foto: Divulgação)

 

EM MEIO À ROTINA CORRIDA, PRODUÇÃO DE KOMBUCHA PARA CONSUMO TEM AGENDA

Religiosamente, a rondonense Fabiane Maria Minuzzi Wild encontra um tempinho entremeio à rotina corrida para se dedicar às suas kombuchas: a fonoaudióloga tem um compromisso semanal com sua produção kombucheira para consumo próprio. “Há certo prazer em produzir e oferecer à minha família algo assim. Não tem conservantes e é muito saudável, além de saboroso”, comenta ao O Presente.

A rondonense diz que a parte mais complicada é o começo da produção, mas que depois ela segue sem muitos esforços. “Na primeira vez você tem que fermentar e acertar o primeiro chá, limpar as ‘bolachas’. Ao longo de todo processo a higienização de potes e garrafinhas é constante e a cada semana a produção é renovada”, conta.

Para ela, uma das propriedades mais notáveis da bebida é o auxílio na digestão e no funcionamento intestinal. “Trabalha o estômago, suco gástrico e faz uma limpeza no organismo. É muito saudável e saborosa”, reitera.

Saudável, suficiente e similar ao espumante, é dessa maneira que a rondonense Fabiane Maria Minuzzi Wild vê a kombucha: “Há certo prazer em produzir e oferecer à minha família algo assim” (Foto: Divulgação)

 

SIMILAR AO ESPUMANTE

A produção caseira e artesanal, mesmo que precise de esmero, gera um produto que, conforme Fabiane, é preferível ao industrial. “Ela é mais gostosa e tem um sabor firme: não é doce, é suficiente. Aqui em casa, preferimos a kombucha com suco de uva misturado ao chá fermentado de hibisco”, comenta, emendando: “Parece um espumante, porque faz muitas bolhas”.

Produção de kombucha caseira e para consumo próprio da rondonense Fabiane (Foto: Divulgação)

 

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